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(30.09.2006) Vou votar em Cristóvam Buarque para presidente. Para chegar à decisão, foi só analisar os quatro principais candidatos. Lula: não votei no Lula na eleição anterior e não vai ser nessa que ele vai ganhar meu voto. Nem vou entrar no mérito de que este provavelmente foi o governo mais corrupto da história do país, mas temo que o plano que sustenta a campanha de reeleição, a política "de emergência" de mandar comida para o Nordeste. não evolua nunca. Resultado: montes de dependentes de um modelo que não faz crescer e que mantém a pobreza. Tô fora. Alckmin: nada tenho contra o sujeito, mas acho que a eleição dele não mudaria muita coisa, o que é suficiente para não ganhar meu voto. Sua participação valeu pelo antológico "em cada quilo de açúcar, 40% é esgoto" proferido no último debate. Heloísa Helena: essa tem um papel importante nessa eleição, que é fazer o que a campanha do Alckmin não faz - descer o sarrafo no Lula e na montanha de coisas inexplicáveis que estão acontecendo no atual governo. Ganharia meu voto se não fosse uma completa desequilibrada que acha que ser mãe e valente é credencial para ser presidente do Brasil, quando esses atributos não servem nem para abrir uma padaria. Cristóvam Buarque: ele fala como se fosse um pedinte, um coitado, e irrita quando usa expressões como "uma revolução doce". Mas Cristóvam Buarque ganha meu voto porque é Ainda tou decidindo o que será dos meus outros 4 votos. O certo é que pelo menos um vai pro 43 do PV, para assegurar a participação (e a diversão) nas próximas campanhas. 13:23 | comentários (12)
COOL AS ICE (26.09.2006)
Resumir a coisa grotesca que é COOL AS ICE em uma linha é muito fácil: trata-se de um filme estrelado por Vanilla Ice. Sim, para surpresa - e calafrios - de muitos, o rapper branco que assombrou as paradas no início dos anos 90 aproveitou o sucesso da época para se atrever a entrar no mercado cinematográfico. E, caceta, nada contra rappers brancos no cinema (Eminem saiu-se surpreendentemente bem em 8 Mile), mas esse COOL AS ICE é caso de polícia. A história de COOL AS ICE basicamente fala sobre um rapper bad boy metido a gostoso (quem será?) que tenta conquistar uma garota correta e é atrapalhado pelo namorado da moça, um bunda-mole que só veste camisas pólo. Há tramas paralelas aqui e ali, mas que de tão irrelevantes nem merecem ser mencionadas. Afinal, aqui, como em qualquer filme "de celebridade", todas as fichas são apostadas no carisma de Vanilla Ice, a grande estrela da festa. E quando a principal atração de qualquer coisa que seja atende pelo nome de Vanilla Ice, mãe do céu, é bom ir preparado. É difícil apontar os defeitos de COOL AS ICE sem botar as mãos na cabeça de tanto pavor. O fato de o filme se passar numa época onde o mau gosto estético imperava ajuda, e muito, nisso. Os cenários e figurinos são tão coloridos e estapafúrdios que é duro imaginar alguém da produção entrando no estúdio sem ter uma convulsão. Os números musicais não fazem qualquer sentido, sendo que um tem uma participação absurda de Naomi Campbell e outro mostra Vanilla Ice brincando de esconder (ou algo parecido) com sua garota em uma construção no deserto (?!?). E já que falamos nele, o herói do filme, além de apresentar o corte de cabelo mais ridículo desde a invenção da tesoura (com exceção, talvez, para Maurício, ex-atacante da dupla Gre-Nal nos anos 80 e 90), é também um completo imbecil. Isso causa um esquisito efeito inverso: em vez de torcer por Vanilla Ice, tu passa o tempo todo rezando para que ele seja metralhado ou carbonizado, o que obviamente não acontece. Fechando com chave de latão, a garota do filme usa ceroulas por baixo do vestido curto durante a fita inteira. Sem comentários. Em resumo, COOL AS ICE esguicha ruindade. É daqueles filmes pra juntar gente e assistir gritando "BUUUUUUU", jogando cerveja na TV. Não satisfeito, também em 1991, Vanilla Ice fez uma ponta em TARTARUGAS NINJA 2 - O SEGREDO DE OOZE. Anos depois, virou cantor de new metal, para em seguida chafurdar no poço do fracasso. Com tantas escolhas burras, não dava pra esperar mais do que isso mesmo. Título: Cool As Ice --- Isso aí tá lá no site que eu e meu comparsa Fabiano Goldoni fizemos pra homenagear filmes B, o UM OSCAR PARA KEVIN BACON. No caso desse COOL AS ICE, o B é de Bosta mesmo, mas enfim. Depois de um tempão sem escrever, pretendo atualizar lá com mais freqüência; sempre que rolar, avisarei por aqui. Além das resenhas, o Fabiano também posta uns videozinhos - o próximo é de SEYTAN, o terrível Exorcista Turco, então stay tuned. Visitem o nosso simpático site: www.kevinbacon.zip.net. PIOR É QUE TEM TODA A RAZÃO (21.09.2006) Comentário de um torcedor colorado, indignado com a pífia atuação do camisa 7 vermelho, durante Figueirense 1 x 0 Internacional: “Eu trocaria o Michel por um escanteio.” CAIU A CASA Recado dos comparsas do Raros: "O SEGUNDO PIOR FILME DE TODOS OS TEMPOS NO "RAROS" O projeto "Raros" da Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro - 3º andar) Essa já é, por decreto, a sessão de cinema mais divertida do ano em Porto Alegre. DOIS FILMES (04.09.2006) Em um mundo mais justo, Thomaz Albornoz e Marcus Mello, juntamente com a ala jovem do Clube de Cinema de Porto Alegre, ganhariam uma estátua na Usina do Gasômetro. Esses caras são responsáveis por algumas das melhores sessões de cinema que Porto Alegre já viu: as do Projeto Raros. Como diz o nome, o Raros exibe verdadeiras raridades, que ou o cara sempre quis ver na tela grande, mas jamais teve a oportunidade, ou que nunca tinha ouvido falar e acaba de queixo caído no final da projeção. O filme da última sexta-feira, EL ESPEJO DE LA BRUJA (ou THE WITCH´S MIRROR), é um exemplo perfeito: uma produção mexicana de terror lá de 62 simplesmente espetacular, mesmo com seus defeitos (que, aliás, não são poucos). A história é rocambolesca, e sabe-se lá como, mas consegue, com todos os absurdos, manter o interesse até o final. Os efeitos especiais são de uma ingenuidade inacreditável, mas fazem brilhar os olhos e encantam. As atuações se encaixam na tradicional escola mexicana de atuação que nós, brasileiros, já vimos nas novelas daquele país: escandalosamente exageradas e afetadas, com pilhas de caretas fora de hora e suspiros dramáticos tão longos que matariam qualquer asmático que tentasse fazer o mesmo. Com tudo isso, é difícil de acreditar que EL ESPEJO DE LA BRUJA funcione tão bem; mas caceta, funciona, e muito. O filme tem ritmo, charme e todo aquele clima old fashioned que as fitas de terror de hoje em dia não têm mais. É o tipo de negócio pra assistir sorrindo, às vezes gargalhando, e no final sair do cinema de alma lavada. Thomaz falou que pretende passar outros mexicanos da antiga nas próximas sessões. Pelo amor dos céus, que isso não demore a acontecer. Já A DAMA NA ÁGUA, minha mãezinha... Fui assistir com toda a boa vontade de quem gostou de tudo que o Shyamalan tinha feito até agora, mas não deu. A DAMA NA ÁGUA não é apenas um filme muito ruim; é tranqüilamente a coisa mais constrangedora que vi num cinema desde, sei lá, O APANHADOR DE SONHOS. Do roteiro PÚTRIDO às atuações horrorosas, A DAMA NA ÁGUA não merece mais do que estas quatro ou cinco linhazinhas aqui. Pro Shymalan, melhor sorte da próxima vez. | |