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DOIS FILMES

(04.09.2006)

Em um mundo mais justo, Thomaz Albornoz e Marcus Mello, juntamente com a ala jovem do Clube de Cinema de Porto Alegre, ganhariam uma estátua na Usina do Gasômetro. Esses caras são responsáveis por algumas das melhores sessões de cinema que Porto Alegre já viu: as do Projeto Raros. Como diz o nome, o Raros exibe verdadeiras raridades, que ou o cara sempre quis ver na tela grande, mas jamais teve a oportunidade, ou que nunca tinha ouvido falar e acaba de queixo caído no final da projeção.

O filme da última sexta-feira, EL ESPEJO DE LA BRUJA (ou THE WITCH´S MIRROR), é um exemplo perfeito: uma produção mexicana de terror lá de 62 simplesmente espetacular, mesmo com seus defeitos (que, aliás, não são poucos). A história é rocambolesca, e sabe-se lá como, mas consegue, com todos os absurdos, manter o interesse até o final. Os efeitos especiais são de uma ingenuidade inacreditável, mas fazem brilhar os olhos e encantam. As atuações se encaixam na tradicional escola mexicana de atuação que nós, brasileiros, já vimos nas novelas daquele país: escandalosamente exageradas e afetadas, com pilhas de caretas fora de hora e suspiros dramáticos tão longos que matariam qualquer asmático que tentasse fazer o mesmo. Com tudo isso, é difícil de acreditar que EL ESPEJO DE LA BRUJA funcione tão bem; mas caceta, funciona, e muito. O filme tem ritmo, charme e todo aquele clima old fashioned que as fitas de terror de hoje em dia não têm mais. É o tipo de negócio pra assistir sorrindo, às vezes gargalhando, e no final sair do cinema de alma lavada. Thomaz falou que pretende passar outros mexicanos da antiga nas próximas sessões. Pelo amor dos céus, que isso não demore a acontecer.

Já A DAMA NA ÁGUA, minha mãezinha... Fui assistir com toda a boa vontade de quem gostou de tudo que o Shyamalan tinha feito até agora, mas não deu. A DAMA NA ÁGUA não é apenas um filme muito ruim; é tranqüilamente a coisa mais constrangedora que vi num cinema desde, sei lá, O APANHADOR DE SONHOS. Do roteiro PÚTRIDO às atuações horrorosas, A DAMA NA ÁGUA não merece mais do que estas quatro ou cinco linhazinhas aqui. Pro Shymalan, melhor sorte da próxima vez.

por Chiquinha - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus