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« 12 | Home | ESTRELA ASCENDENTE » NOFX EM PORTO ALEGRE (ou "TOU VELHO DEMAIS PARA ISSO")(03.10.2006) Respiro fundo e penso por onde começar a descrever o que vi no Pepsi On Stage na noite de ontem. Ok, lá vamos nós. O NOFX já foi uma das minhas bandas favoritas quando eu era jovem, lá pela época da primeira passagem deles aqui por Porto Alegre, em 1997. Como não fui naquela vez, passei a levar esse show de 2006 como obrigação moral - afinal, tenho um punhado de discos dos caras, mais vídeo oficial e até adesivo na minha Jennifer velha. E, de fato, eles têm músicas muito boas, sendo provavelmente a única banda realmente relevante desse gênero medíocre que atende pelo nome de hardcore melódico. Era algo que eu precisava tirar da pauta, mesmo sabendo o que me esperava por lá: fãs idiotas, cerveja cara e essas porcarias de sempre. E, óbvio, tudo foi confirmado na hora. Lá dentro, uma lata de Skol custava quatro reais. O Bem na Foto tava lá. E, por Deus, quando a banda apareceu no palco, soltaram bolas vermelhas infláveis na platéia. Parecia tudo, menos qualquer coisa que eu pudesse esperar de um show do NOFX. A apresentação começou bem, com Murder The Government e Linoleum, duas das músicas mais conhecidas da banda, e com a platéia em chamas. Na execução dessa segunda, abriu-se um clarão de um quilômetro de diâmetro ali no meio, com a rapaziada trocando voadoras à vontade. Fat Mike, o vocalista, chegou a soltar um "you are crazy". Daí em diante, a coisa ameaçou a degringolar várias vezes. O som daquele lugar é ruim; estando a pouco mais de vinte metros do palco, era quase impossível ouvir as guitarras, que só eram audíveis nos trechos sem baixo. Já o baixo, por sua vez, era carcomido pelos vocais e pela bateria. Ou seja, lamentável. Além disso, os intervalos entre uma música e outra eram de dois, três, quatro minutos, o que acabava com o ritmo da apresentação. Isso sem contar os problemas técnicos com a guitarra de Eric Melvin, que dava pau a cada duas músicas. A impressão era de que a banda nunca havia ouvido falar no termo "passagem de som". Obviamente, as pausas passaram a incomodar boa parte dos fãs, que passaram a xingar a banda e arremessar garrafas de plástico, latas e até um tênis no palco. O baterista levou pelo menos uma garrafada em cheio na cara. Nada impressionante em uma platéia formada basicamente por um bando de idiotas. E os caras do NOFX, conhecendo os fãs que têm, passaram a provocar e fazer piadas com o público, com resultados hilariantes. El Hefe, o guitarrista, anunciou que iriam tocar uma música do Rancid, e perguntou: "Vocês gostam de Rancid?". Urros de alegria na platéia. Ele responde: "Eu costumava gostar de Rancid. Aí eu cresci." Em outro momento, El Hefe aproveitou o tempo que Melvin levava para arrumar sua guitarra pra tocar uma música do Stevie Wonder. Mais vaias e garrafas. Por fim, uma piada que Fat Mike largou sobre sul-americanos aparentemente ofendeu todo mundo, e o resultado foi o momento mais melancólico que eu já presenciei em um show: um coro crescente de "AH, EU SOU GAÚCHO" durante a introdução de Stickin in My Eye. Nunca desejei tanto ter uma bazuca em mãos. No bis inesperado, que começou uns dez minutos depois do último integrante da banda deixar o palco, eu me toquei lá pra frente e aí sim, finalmente pude escutar as guitarras. Em compensação, levei tantos socos nos rins durante a última música (Soul Doubt) que provavelmente vou ter problemas pra mijar por pelo menos uns dois meses. Em resumo, o show foi bem menos do que eu esperava. Os problemas técnicos foram vários, 90% dos fãs da banda - não vou cansar de falar isso - têm o QI de um cavalo e a cerveja era absurdamente cara. Mas ah, nem isso tudo tira a empolgação em músicas como Kill All The White Men ou Soul Doubt, que tocaram trilhares de vezes no meu quarto durante a década de 90. Teria sido muito pior se tivesse ficado em casa. UPDATE 1 - sejamos justos: alguns dos fãs deram boas demonstrações de que compartilhavam o senso de humor e a cara de pau da banda. Um exemplo foi uma faixa dizendo FAT MIKE GAVE ME HERPES, que acabou parando nas mãos do próprio no meio do show. UPDATE 2 - é provável que algumas pessoas apareçam por aqui procurando pelo setlist do show de Porto Alegre e o que posso dizer é o seguinte: é foda criticar repertório de bandas com vinte anos de carreira; no caso do NOFX, é MUITA música pra tocar. Mas um set sem nada do S&M Airlines, nada do Ribbed e nada do Heavy Petting Zoo, três discos muito bons, é no mínimo discutível. 23:25 | comentários (29)
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