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HOLA
(28.11.2006)
Um brinde aos meus 24 anos completados hoje. Foto tirada em Buenos Aires, 31/10. UPDATE: acabo de ganhar de presente um pernil congelado. Cortesia dos meus colegas de trabalho - incluindo aí o glorioso comparsa Menezes. Tou sem carro aqui e não faço absolutamente nenhuma idéia de como levarei esse troço no trem. 15:10 | comentários (12)
OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE (26.11.2006) Hoje me vi atirado no sofá assistindo a um jogo de futebol, e por um instante parei pra pensar: o que diabos está acontecendo com as noites de sábado? Veja bem, meus dois últimos sábados haviam sido lamentáveis; duas festas em que saí com a impressão de que me confundiram com um idiota completo, com a sensação de estar recebendo dos céus uma grande e grotesca torta de creme na cara. Aí ontem resolvi fazer algo que não fazia há tempo: ir sozinho a uma festa. Sabe como é, voltar a testar minha capacidade de observador da noite e também dar uma volta com o novo carro usado, quatro meses e meio depois de meu irmão ter enfiado nosso Fiesta em um poste, tendo como resultado a perda total e o aumento desgraçado da franquia do seguro. Entrei no lugar às dez pras duas - porque as festas aqui em Porto Alegre são assim mesmo e começam em horários sem sentido - e em instantes, os fatores foram se somando. Havia cerca de dezesseis pessoas na pista, mais os atendentes do bar. Para meu desespero, a outra pista estava fechada. Ou seja: nós realmente temos dezesseis cabeças na festa. Buscando aliviar a dor, sequei duas cevas 600ml em menos de vinte minutos. Nesse tempo, mais três infelizes entraram no lugar. Agora éramos dezenove. Então preciso ir ao banheiro. Entro lá e me deparo com meio cocô boiando no vaso. Não interessa que mais umas trinta pessoas tenham aparecido do nada nas duas horas seguintes - meu maior passatempo foi ficar escorado na parede com um copo na mão, tentando adivinhar, por interpretação das expressões faciais, quem seria o autor da obra no toalete. Tragam minhas noites de sábado de volta. Sério. TESTE PRA CARDÍACOS - MÓDULO CARIOCA O CCBB Rio exibirá, de 05 a 17 de dezembro, todos os 12 longas-metragens Dica do Renato Doho. FAUSTÃO + JUMA = LABAREDAS (21.11.2006) Logo quando voltei da Argentina, uma amiga, a Dani, me perguntou: “tu viu o Faustão falando teu nome domingo?” A pergunta não fazia qualquer sentido, mas estávamos sóbrios e ela não parecia estar brincando. Fiquei tipo “como assim?”, e ela insistiu, “é verdade, ele dedicou um Se Vira nos Trinta pra galera da Dez Propaganda e falou o nome do pessoal, incluindo o teu!” Aí caiu a ficha: era por causa de um prêmio que a gente ganhou, o Profissionais do Ano da Rede Globo, com uma campanha pro Multipalco Theatro São Pedro - um dos comerciais incluía um tenor cantando dentro de uma sauna. Quase infartei no dia da premiação em Curitiba, e achei que o máximo da demência eram os três beijinhos que ganhei, absolutamente constrangido, da Nívea Stellman no palco. Isso aconteceu em agosto, dois dias antes do primeiro jogo da final da Libertadores. E agora o Faustão dedicava um Se Vira nos Trinta pra gente. Pra completar, semana passada meu chefe foi buscar o troféu na segunda cerimônia, em São Paulo. O resultado disso foi ver nesse domingo a CRISTIANA OLIVEIRA falando nossos nomes em rede nacional de novo. Quase peguei fogo no sofá quando vi aquilo, e tenho certeza que o Patrick, a Luiza e o Leo Garcia, meus colegas de campanha, devem ter ficado do mesmo jeito. Impossível explicar a ausência de sentido em ter a Juma falando meu nome num microfone. Não preciso mais viver. E ah, sobre o Multipalco Theatro São Pedro, as contribuições para o projeto são bem-vindas e necessárias. Trata-se do maior complexo cultural da América Latina e vai ser uma coisa linda quando esse troço tiver pronto aqui em Porto Alegre. As doações são descontadas direto do Imposto de Renda, sem qualquer custo adicional; ou seja, além de não tirar pedaço, tu ainda sabe pra onde tá indo a tua grana. Mais informações no www.multipalco.com.br. Vale a pena. CASSAVETES (17.11.2006)
Lembro muito bem do impacto que THE BROWN BUNNY, do Vincent Gallo, me causou; saí do cinema atordoado, mas ao mesmo tempo feliz da vida em ter assistido a um baita de um filme. Aí leio numa dessas listas de discussão uma frase que me perseguiu por quase um ano: "o filme do Gallo é bom mesmo, mas nada que o Cassavetes já não tenha feito antes". Eis que essa semana a nota mental veio à tona exatamente quando resolvi pegar uns filmes para assistir no feriado. Caiu nas minhas mãos um VHS de AMANTES, o título simplista dado pelos tradutores brasileiros a LOVE STREAMS, de 1984, o penúltimo filme dirigido por John Cassavetes. Vi a fita de 132 minutos duas vezes em dois dias e, pelos céus, tou de queixo no chão até agora. Protagonizado pelo próprio Cassavetes e pela esposa Gena Rowlands, LOVE STREAMS é um drama amargo, difícil e com os protagonistas mais complexos que vi em muito tempo. O filme começa confuso, esquisito, e tu tenta entender o que está acontecendo, para em alguns minutos ignorar completamente aquilo que tu tentava compreender e se entregar às angústias dos personagens - e a dupla Cassavetes-Rowlands é responsável por atuações inacreditáveis como eu não lembro de ter visto desde, uh, sei lá, não lembro mesmo. As comparações com Gallo fazem sentido; mas John Cassavetes é muito mais sutil e classudo. Obviamente vai ter gente reclamando que o filme é lento ou coisa parecida; é lento mesmo, mas nunca chato, e no momento em que LOVE STREAMS te pega de jeito, sai de baixo. Nem a cópia vagabundíssima e as legendas gigantes, quadradas e que parecem peças de Lego da gloriosa América Vídeo estragam a experiência de ver isso aqui. Esse LOVE STREAMS é filme pra ver com nós na garganta e depois aplaudir de pé. Não fiz isso por estar sozinho na sala, me sentiria um idiota, mas acho que dá pra entender o que quis dizer. Obra-prima. Não vejo a hora de botar os olhos nos outros filmes desse cara. A julgar por isso aqui, John Cassavetes foi um gênio ABSOLUTO da coisa. COMANDO DA MADRUGADA (12.11.2006) Agora são quase cinco da manhã. Uma hora e meia atrás, fui abandonado numa festa pelos meus caronas. Meio bêbado, meio irritado e ainda possuído pelo espírito sem medo das ruas argentinas, resolvi fazer a pé o trajeto até minha casa. Depois de quarenta minutos caminhando pelas ruas de Canoas, das 3h50 até 4h30 da manhã, cheguei ileso até aqui. Claro que a coisa toda não foi tranqüila - alguém arremessou uma garrafa de long neck vazia na minha direção quando passava por um desses postos com lojas de conveniência; graças aos céus, a garrafa espatifou-se no asfalfo a uns dois metros de onde eu estava - mas passei incólume aos perigos de se andar sozinho a pé e à noite pelos bairros canoenses. Antropologicamente falando - e me dêem um desconto, tou médio bêbado, porém escrevo na maior das boas vontades - foi uma experiência estúpida como poucas. A cada esquina o medo de ser assaltado era imenso. Numa comparação porca com as ruas de Buenos Aires, eu estaria passando por montes de velhas tomando café e garotas de moleton passeando com cockers - e se por acaso eu passasse por uma rua mais escura, teria 12808210812 táxis à disposição passando por mim. Conclusão: prefiro passar pelas velhas tomando café do que levar garrafadas de desconhecidos. UM POUCO MAIS SOBRE BUENOS AIRES (10.11.2006) Caminhar pelo centro de Canoas depois de ter passado dez dias em Buenos Aires é uma experiência um tanto frustrante. Mesmo assim, me sinto feliz em poder escrever com tils e todos os acentos novamente. Mais alguns comentários rápidos sobre a capital argentina: - A segurança é exemplar, apesar da desconfiança dos argentinos. Ao contrário do que acontece por aqui, há policiais nas ruas durante toda a madrugada, o que dá sinal verde para brasileiros acostumados a serem assaltados caminharem feitos loucos até altas horas. Um exemplo foi no meu primeiro dia lá, quando voltava a pé do show dos Toy Dolls. Um argentino que veio conversando - em inglês - comigo por umas vinte quadras me alertou: "ei, cara, já é tarde e tá meio perigoso, acho melhor tu pegar um ônibus". Olhei para o outro lado da avenida e vi uma guria passeando com o cachorro, um grupo de velhas tomando café e crianças brincando na calçada. Nenhum sentido. Não tive medo de nada nos nove dias seguintes. - Confirmo que os taxistas são completamente dementes. Tive que pegar um táxi pra ir pro segundo show dos Toy Dolls e, santo pai, fazia tempo que não via alguém tirar tantos finos numa pista. Lá pela sexta ultrapassagem perigosa, o cara arrancou o retrovisor de um carro que tava parando no semáforo. Ele levantou o braço esquerdo pra fora da janela, como se estivesse dizendo "foi mal aí", passou pelo sinal - que a essas alturas já tinha ficado vermelho - e seguiu em frente. - As garotas são realmente lindas e se vestem muito bem. No último dia, o Prego, amigo que mora lá faz meses e que me escoltou pela cidade em alguns dias, quis comprar um chapéu. A vendedora era tão genial que eu mesmo quase paguei cinqüenta pratas por um, para provavelmente nunca colocá-lo na cabeça. Os cabelos espetaculares das jovens também me nocautearam, como já disse no post anterior. - Em compensação, os mullets masculinos aparentemente são um mal nacional. Em muitos casos, a coisa passa do limite do ridículo e não raro tu te pergunta se os caras tão pagando prenda ou algo parecido, tamanho o constrangimento público causado por seus próprios cortes de cabelo. - Maradona é Deus e tem a cara estampada em tudo quanto é lugar, de chinelos a guardanapos.. Tirei fotos, mas vou precisar de um cabo pra baixá-las do celular pra cá. Em breve, comentários sobre os shows e alguns lugares legais de lá, logo que tiver com as imagens na mão. NOTAS MENTAIS SOBRE BUENOS AIRES PASSADAS PARA O PAPEL - PARTE 1 (01.11.2006) Passada a síndrome de pânico do post anterior, um punhado de coisas legais estao rolando aqui em Buenos Aires. Hoje fecho quatro dias por aqui e tenho mais seis pela frente. Vou deixar pra falar dos dois shows dos Toy Dolls em um post a parte, quando conseguir mandar as fotos pro meu mail. Alguns comentários rápidos: - Chega a ser ridícula a facilidade de deslocamento que as pessoas têm aqui. O metrô é barato e é uma barbada de usar. Praticamente dispensei os táxis. Para compensar, o primeiro que peguei ouvia Bon Jovi e cantou baixinho toda a Livin´ On A Prayer. - Meu espanhol continua lamentável e sigo sem tils no teclado. - O hotel, o Metro, é o que pode se chamar de "honesto". Um prédio meio velho, meio caindo aos pedaços, um banheiro minúsculo com chuveiro quase em cima da pia... Pelo menos há água quente, é relativamente limpo e barato o suficiente para permitir que se gaste dinheiro em outras coisas. - As argentinas sao escandalosamente bonitas. A cada esquina, tu passa por pelo menos umas quatro garotas desfilando com seus cortes de cabelo geniais e esguichando estilo pra tudo quanto é lado. - Ontem fui num BALLET. Exato, um BALLET no Teatro Colón, no penúltimo dia de atividades antes da parada para a reforma. Como é um dos teatros mais importantes do mundo e que vai ficar diferente depois das obras, resolvi comprar um ingresso para assistir DE PÉ ao espetáculo. Por dez pesos, fiquei numa área equivalente à antiga coréia do Beira-Rio - a diferença é que a visao era privilegiada e nao tinha nenhum torcedor jogando ranho na minha nuca. O glorioso comparsa Daniel Prestes que deu a dica e também fez a mesma coisa. Valeu a pena: o teatro é mesmo demais e o número dos bailarinos impressionou. Vao ser coordenados assim no inferno... Mais em breve. Stay tuned. | |