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CASSAVETES

(17.11.2006)

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LOVE STREAMS, de John Cassavetes - 1984

Lembro muito bem do impacto que THE BROWN BUNNY, do Vincent Gallo, me causou; saí do cinema atordoado, mas ao mesmo tempo feliz da vida em ter assistido a um baita de um filme. Aí leio numa dessas listas de discussão uma frase que me perseguiu por quase um ano: "o filme do Gallo é bom mesmo, mas nada que o Cassavetes já não tenha feito antes".
Caceta, eu conhecia o trabalho de John Cassavetes como ator - destaque´para o estupendo O BEBÊ DE ROSEMARY - mas só sob a mão de outros diretores. Então fiz a nota mental: procurar filmes do Cassavetes como diretor.

Eis que essa semana a nota mental veio à tona exatamente quando resolvi pegar uns filmes para assistir no feriado. Caiu nas minhas mãos um VHS de AMANTES, o título simplista dado pelos tradutores brasileiros a LOVE STREAMS, de 1984, o penúltimo filme dirigido por John Cassavetes. Vi a fita de 132 minutos duas vezes em dois dias e, pelos céus, tou de queixo no chão até agora.

Protagonizado pelo próprio Cassavetes e pela esposa Gena Rowlands, LOVE STREAMS é um drama amargo, difícil e com os protagonistas mais complexos que vi em muito tempo. O filme começa confuso, esquisito, e tu tenta entender o que está acontecendo, para em alguns minutos ignorar completamente aquilo que tu tentava compreender e se entregar às angústias dos personagens - e a dupla Cassavetes-Rowlands é responsável por atuações inacreditáveis como eu não lembro de ter visto desde, uh, sei lá, não lembro mesmo. As comparações com Gallo fazem sentido; mas John Cassavetes é muito mais sutil e classudo. Obviamente vai ter gente reclamando que o filme é lento ou coisa parecida; é lento mesmo, mas nunca chato, e no momento em que LOVE STREAMS te pega de jeito, sai de baixo.

Nem a cópia vagabundíssima e as legendas gigantes, quadradas e que parecem peças de Lego da gloriosa América Vídeo estragam a experiência de ver isso aqui. Esse LOVE STREAMS é filme pra ver com nós na garganta e depois aplaudir de pé. Não fiz isso por estar sozinho na sala, me sentiria um idiota, mas acho que dá pra entender o que quis dizer. Obra-prima. Não vejo a hora de botar os olhos nos outros filmes desse cara. A julgar por isso aqui, John Cassavetes foi um gênio ABSOLUTO da coisa.

por Chiquinha - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus