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FELIZ NATAL

(25.12.2006)

E o presente é a boa notícia: Buzzcocks no Brasil. Aí vão as datas:

09/03/2007 - Porto Alegre/RS (Pepsi On Stage)
10/03/2007 - São Paulo/SP (Credicard Hall)
11/03/2007 - Curitiba/PR (Master Hall)

Junto deles, tocam os Misfits e o Osaka Popstar, projeto do Jerry Only com Marky Ramone, tocando temas de desenhos animados japoneses (?!?). Pessoalmente, já não me importo com as vindas do Marky e do Jerry Only pra cá, já que tocam por aqui mais do que as bandas locais, mas a presença inédita dos Buzzcocks vai valer o ingresso. Imperdível.


NOVELA DAS OITO

(20.12.2006)

Alguém por aí disse, certa vez, que os roteiristas e autores de novela sofrem muito com o ritmo ininterrupto das filmagens. Os prazos são menores, a pressão pelos índices de audiência é doentia e por aí vai. Mesmo assim, nada justifica as coisas inacreditáveis que vão pro ar de vez em quando.

No capítulo de hoje da novela das oito da Globo, um carinha foi seqüestrado e está sendo procurado por todo o elenco da trama - e sim, isso inclui policiais. Em uma cena, ele é acordado no cativeiro por sons de disparos. Ao espiar por um furo na parede, ele vê dois homens - os seqüestradores - atirando em garrafas de vidro. Um deles acerta uma garrafa e fica uns quarenta segundos gargalhando, enquanto a câmera foca o refém às lágrimas. Nem entrarei no mérito da gargalhada do bandido; a última vez que vi um vilão gargalhando alto foi em um filme nacional de kickboxer chamado GAIOLA DA MORTE, que consistia em um bando de capoeiristas trocando voadoras dentro de gaiolas com espetos de bambu. A questão é: o quão burro seria um seqüestrador para ficar treinando tiro dentro do cativeiro onde mantém sua vítima? Qual será o próximo passo dos bandidos? Catar lenha, tacar fogo em tudo e ficar ao lado gargalhando, à espera da polícia? A situação é tão patética que quase me empolgo pra ver o capítulo de amanhã, com umas castanhas e cervejas geladas.

Noveleiros da Globo, continuem assim. Amo vocês.


DEU

(17.12.2006)

Tou em chamas. Depois de bater o São Paulo, campeão da Libertadores e do mundo em 2005, na final deste ano, agora o Internacional conseguiu vencer o Barcelona, o time mais poderoso do planeta. Santo pai, vocês viram o que é o plantel do Barça? São NOVE jogadores da seleção espanhola, mais CATORZE de outras seleções do mundo, totalizando VINTE E TRÊS jogadores de seleção. Isso sem contar o melhor jogador do mundo, Ronaldinho.

Ronaldinho, aliás, foi um inferno hoje. Mesmo marcado - e bem - por dois jogadores, o cara foi um perigo constante. Era um princípio de infarto a cada vez que o cara pegava na bola; naquela falta no final do jogo, então, vi a morte fazendo embaixadas na frente da TV.

Acontece que a atuação do Inter no setor defensivo foi esplendorosa. Índio e Eller foram perfeitos, Ceará, pasmem, jogou mais que o Zambrotta e ainda ajudou a anular Ronaldinho, e o Clemer, além de não ter feito nenhuma lambança do tipo cobrar tiros de meta na nuca dos próprios companheiros, fechou o gol em momentos críticos. No meio, Edinho e Monteiro compensavam eventuais erros de passe com muita entrega, enquanto no ataque Iarley chamou pra si a responsa logo que Fernandão deixou o campo lesionado, e desequilibrou a partida, deixando o renegado Gabiru na cara do Valdez pra marcar o gol da vitória.

Sobre o gol, que veio em um momento tenebroso da partida - Fernandão e Pato fora, Índio esguichando borbotões de sangue pelas narinas, Barça pressionando -; na hora em que a bola balançou a rede, eu absolutamente não sabia o que fazer primeiro: se quebrava todos os móveis da sala aos pulos ou se abanava meu pai, que tava completamente roxo, rouco e com veias do tamanho de mandolates saltando na testa. Só lembro de ter visto meu pai tão feliz em três outros momentos da vida: na minha formatura, na formatura do meu irmão e na vez em que ganhou um carro num campeonato de boliche em Lajeado, lá pelos idos de 1995.

Fui pra festa na Av. Goethe pouco depois das 12h, enrolado em uma bandeira que achamos perdida no chão em um jogo qualquer - uma bandeira aparentemente antiga, já que tinha apenas duas estrelas sobre o distintivo. Lá gastei, sem qualquer critério ou remorso, uns trinta paus em latas de meio litro de Skol, abracei um bocado de desconhecidos e vi um monte de gente em chamas. Nesse exato momento em que escrevo isso aqui, ainda deve ter uma legião de colorados se entorpecendo e errando os versos do hino do clube, tomados pelo álcool e pela euforia dá vitória incrível.

Na volta, meu irmão olha pra bandeira nas minhas costas e pergunta: "ei, essa bandeira tá assinada?". Olho com atenção: uma assinatura desgastada de Mauro Galvão, com uma data de 79, está ali. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, começo a identificar outros autógrafos em torno do destintivo com duas estrelas: Jair, Claudiomiro, Valdomiro, Benitez... Sabe-se lá como, mas o pano achado no chão estava assinado a caneta pela maioria dos grandiosos do timaço do Inter nos anos 70. Nada como uma relíquia dessas pra fechar com esse grande dia.

P.S.: Não poderia deixar de citar a estrela do Abelão. Como bom colorado, também meti pau no sujeito, mas a estrela é grande, é forte e acaba com qualquer argumento racional que se possa lançar agora. Por Deus, fomos campeões com gols de Luiz Adriano e Gabiru. Se isso não é estrela do técnico, então eu não sei mais nada.

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Essa já foi postada aqui, mas depois de hoje merece o replay.


CASSAVETES ON FIRE

(16.12.2006)

Notícia enviada pelo comparsa Renato Doho em uma lista de discussão sobre cinema (grifo meu):

"A Europa Filmes fechou acordo com o Grupo Estação, do Rio, e vai distribuir em DVD todo Eric Rohmer, quase todo Truffaut e os cinco filmes de John Cassavetes que a distribuidora do Rio adquiriu para colocar nos cinemas."

Ao que tudo indica, os cinco filmes serão Shadows, Faces, A Woman Under Influence, The Killing of a Chinese Bookie e Opening Night, todos inéditos no circuito comercial brasileiro. Tirando a lamentável ausência de AMANTES (Love Streams, de 84), o único Cassavetes que vi e um dos melhores filmes que já vi na vida, é a melhor notícia do ano pra quem gosta de cinema e está curioso para conhecer a obra do sujeito. Comprarei todos no escuro. Se forem um terço do que é LOVE STREAMS, já terá valido o investimento.


COMO SER DJ

(10.12.2006)

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Me alcancem um penico!

Já tinha brincado de colocar som em uma ou outra festa, mas foi só nessa, a do meu aniversário, que descobri porque nunca vejo DJs bebendo cerveja durante o set. Completamente em chamas, sequei duas garrafas logo no início. Na quarta música, estava mijando pelas orelhas.

E eu jurava que aquelas doses de Absolut que os caras tomam era pura balaca blasé...


EM FRENTE

(07.12.2006)

Conheci o Gabriel este ano através do Menezes, quando ele me perguntou se eu não queria escrever pro Insanus. “Se tu quiser, eu falo com o Gabriel”, ele disse. Eu topei, feliz da vida, o Gabriel também e então começamos a nos falar por e-mail sobre o assunto. Meu blog ainda nem tinha entrado no ar, quando, num certo dia, reconheci o cara numa festa. Cheguei e me apresentei como o amigo do Menezes, “o cara novo do Insanus”.

Desde aquela noite, acho que encontrei o Gabriel em todos os finais de semana, em festas, além de um ou outro almoço com o Menezes durante a semana. Até na sessão do Exorcista Turco, lá no Gasômetro, ele apareceu. Em todos esses encontros, a impressão foi a mesma: a de que o Gabriel era um sujeito fora de série. Culto, inteligente, com um senso de humor finíssimo e com uma cacetada de projetos em andamento. Não era à toa que ele estava, na maioria das vezes, cercado de gente. A última vez que encontrei ele foi, óbvio, numa festa, a do meu aniversário, na última sexta-feira.

Acho que sou o único da ala gaúcha do Insanus que não foi se despedir do Gabriel nessa segunda-feira. O choque pra mim foi duplo - além da notícia terrível, vi algo que nunca tinha visto até então: o Menezes triste. E, por Deus, o Menezes é provavelmente o cara mais alto astral que eu conheço; vê-lo com a voz embargada e completamente transtornado me arrebentou em dobro. Encontrar gente como ele e o Egs, caras com quem eu sempre divido a cerveja e o air guitar nas festas, numa situação dessas era algo que eu queria evitar. Mesma coisa com o pessoal que eu conheço pela internet, como o Träsel, o Bruno e outros, mas que nunca tive a oportunidade de conversar ao vivo; bater esse papo na despedida de um cara tão querido como o Gabriel não era pra mim. Não ter ido no enterro talvez tenha sido uma baita covardia - liguei pro Saulo, mudei de idéia, mandei mail pro Firpo, mudei de idéia de novo - mas talvez tenha sido melhor assim. Prefiro guardar a boa lembrança do cara em chamas no meu aniversário, sexta-feira.

Ainda era cedo para eu considerar o Gabriel um grande amigo. Mas ele era, com certeza, um grande amigo em potencial. Aquelas gargalhadas no escuro durante a projeção do Exorcista Turco não me deixam mentir.

Fique em paz, cara.


PICARETAGEM SEM LIMITES

(03.12.2006)

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Já faz um tempinho que comentei por aqui sobre a sessão de SEYTAN, mais conhecido como O EXORCISTA TURCO. Para os que perderam a exibição do filme na PF Gastal, em Porto Alegre, ou para os que ficaram curiosos sobre a tranqueira, vale a pena dar uma olhada no último episódio do UM OSCAR PARA KEVIN BACON, postado pelo Fabiano, meu comparsa de site. Pessoalmente, é o meu favorito desde que o site começou. Cliquem ali e confiram.

Enquanto isso, luto para conseguir escrever mais resenhas pro site. A próxima deve ser sobre PUNHOS DE FERRO, um filme de ação filipino com cenas memoráveis e um vilão de bigode. Stay tuned.


por Cavinato - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus