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DEU

(17.12.2006)

Tou em chamas. Depois de bater o São Paulo, campeão da Libertadores e do mundo em 2005, na final deste ano, agora o Internacional conseguiu vencer o Barcelona, o time mais poderoso do planeta. Santo pai, vocês viram o que é o plantel do Barça? São NOVE jogadores da seleção espanhola, mais CATORZE de outras seleções do mundo, totalizando VINTE E TRÊS jogadores de seleção. Isso sem contar o melhor jogador do mundo, Ronaldinho.

Ronaldinho, aliás, foi um inferno hoje. Mesmo marcado - e bem - por dois jogadores, o cara foi um perigo constante. Era um princípio de infarto a cada vez que o cara pegava na bola; naquela falta no final do jogo, então, vi a morte fazendo embaixadas na frente da TV.

Acontece que a atuação do Inter no setor defensivo foi esplendorosa. Índio e Eller foram perfeitos, Ceará, pasmem, jogou mais que o Zambrotta e ainda ajudou a anular Ronaldinho, e o Clemer, além de não ter feito nenhuma lambança do tipo cobrar tiros de meta na nuca dos próprios companheiros, fechou o gol em momentos críticos. No meio, Edinho e Monteiro compensavam eventuais erros de passe com muita entrega, enquanto no ataque Iarley chamou pra si a responsa logo que Fernandão deixou o campo lesionado, e desequilibrou a partida, deixando o renegado Gabiru na cara do Valdez pra marcar o gol da vitória.

Sobre o gol, que veio em um momento tenebroso da partida - Fernandão e Pato fora, Índio esguichando borbotões de sangue pelas narinas, Barça pressionando -; na hora em que a bola balançou a rede, eu absolutamente não sabia o que fazer primeiro: se quebrava todos os móveis da sala aos pulos ou se abanava meu pai, que tava completamente roxo, rouco e com veias do tamanho de mandolates saltando na testa. Só lembro de ter visto meu pai tão feliz em três outros momentos da vida: na minha formatura, na formatura do meu irmão e na vez em que ganhou um carro num campeonato de boliche em Lajeado, lá pelos idos de 1995.

Fui pra festa na Av. Goethe pouco depois das 12h, enrolado em uma bandeira que achamos perdida no chão em um jogo qualquer - uma bandeira aparentemente antiga, já que tinha apenas duas estrelas sobre o distintivo. Lá gastei, sem qualquer critério ou remorso, uns trinta paus em latas de meio litro de Skol, abracei um bocado de desconhecidos e vi um monte de gente em chamas. Nesse exato momento em que escrevo isso aqui, ainda deve ter uma legião de colorados se entorpecendo e errando os versos do hino do clube, tomados pelo álcool e pela euforia dá vitória incrível.

Na volta, meu irmão olha pra bandeira nas minhas costas e pergunta: "ei, essa bandeira tá assinada?". Olho com atenção: uma assinatura desgastada de Mauro Galvão, com uma data de 79, está ali. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, começo a identificar outros autógrafos em torno do destintivo com duas estrelas: Jair, Claudiomiro, Valdomiro, Benitez... Sabe-se lá como, mas o pano achado no chão estava assinado a caneta pela maioria dos grandiosos do timaço do Inter nos anos 70. Nada como uma relíquia dessas pra fechar com esse grande dia.

P.S.: Não poderia deixar de citar a estrela do Abelão. Como bom colorado, também meti pau no sujeito, mas a estrela é grande, é forte e acaba com qualquer argumento racional que se possa lançar agora. Por Deus, fomos campeões com gols de Luiz Adriano e Gabiru. Se isso não é estrela do técnico, então eu não sei mais nada.

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Essa já foi postada aqui, mas depois de hoje merece o replay.

por Chiquinha - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus