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EM FRENTE

(07.12.2006)

Conheci o Gabriel este ano através do Menezes, quando ele me perguntou se eu não queria escrever pro Insanus. “Se tu quiser, eu falo com o Gabriel”, ele disse. Eu topei, feliz da vida, o Gabriel também e então começamos a nos falar por e-mail sobre o assunto. Meu blog ainda nem tinha entrado no ar, quando, num certo dia, reconheci o cara numa festa. Cheguei e me apresentei como o amigo do Menezes, “o cara novo do Insanus”.

Desde aquela noite, acho que encontrei o Gabriel em todos os finais de semana, em festas, além de um ou outro almoço com o Menezes durante a semana. Até na sessão do Exorcista Turco, lá no Gasômetro, ele apareceu. Em todos esses encontros, a impressão foi a mesma: a de que o Gabriel era um sujeito fora de série. Culto, inteligente, com um senso de humor finíssimo e com uma cacetada de projetos em andamento. Não era à toa que ele estava, na maioria das vezes, cercado de gente. A última vez que encontrei ele foi, óbvio, numa festa, a do meu aniversário, na última sexta-feira.

Acho que sou o único da ala gaúcha do Insanus que não foi se despedir do Gabriel nessa segunda-feira. O choque pra mim foi duplo - além da notícia terrível, vi algo que nunca tinha visto até então: o Menezes triste. E, por Deus, o Menezes é provavelmente o cara mais alto astral que eu conheço; vê-lo com a voz embargada e completamente transtornado me arrebentou em dobro. Encontrar gente como ele e o Egs, caras com quem eu sempre divido a cerveja e o air guitar nas festas, numa situação dessas era algo que eu queria evitar. Mesma coisa com o pessoal que eu conheço pela internet, como o Träsel, o Bruno e outros, mas que nunca tive a oportunidade de conversar ao vivo; bater esse papo na despedida de um cara tão querido como o Gabriel não era pra mim. Não ter ido no enterro talvez tenha sido uma baita covardia - liguei pro Saulo, mudei de idéia, mandei mail pro Firpo, mudei de idéia de novo - mas talvez tenha sido melhor assim. Prefiro guardar a boa lembrança do cara em chamas no meu aniversário, sexta-feira.

Ainda era cedo para eu considerar o Gabriel um grande amigo. Mas ele era, com certeza, um grande amigo em potencial. Aquelas gargalhadas no escuro durante a projeção do Exorcista Turco não me deixam mentir.

Fique em paz, cara.

por Chiquinha - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus