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"WHERE DO YOU LIVE / LOVE IS A PLACE"

(31.01.2007)

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Eis que me aparece meio por acaso essa banda chamada Metric, um pessoal do Canadá que lançou em 2003 o disco com a capa legal aí em cima, chamado "Old World Underground, Where Are You Now?". O álbum é bacana, uma espécie de Yeah Yeah Yeahs mais dançante, porém uma música, justamente a última das dez, me colocou em transe e já é, disparada, a canção que mais ouvi em 2007. Chama-se LOVE IS A PLACE.

Que bela música essa LOVE IS A PLACE. Caceta, esse verso do título do post é um nocaute impiedoso. E essa guria canta bem que é uma desgraçada. Recomendo.

Aliás, a Metric lançou outros dois discos, que ainda preciso ouvir com mais atenção antes de fazer novas recomendações. Stay tuned.


FÃS DO SEAL, MANIFESTEM-SE

(30.01.2007)

De acordo com o ClicRBS, Bob Dylan, Foo Fighters, Guns´n´Roses e SEAL tocam em Porto Alegre em abril deste ano. Segundo a mesma fonte, Foo Fighters e Guns provavelmente farão seus shows no Gigantinho. O texto no site começa com um "CONFIRMADÍSSIMO!".

RBS mente ou não?


FILMANDO O NADA

(29.01.2007)

Sempre fiz piadas com o cinema iraniano. Nada contra os caras; até ontem, só tinha visto um filme feito no país dos bigodudos, o bom FILHOS DO PARAÍSO, que, afinal, não merece ser estorvado porque é realmente bom. O problema é que as tramas reducionistas de uma leva de obras realizadas por lá simplesmente pedem para virar piada: garoto perde chinelo e passa noventa minutos tentando arranjar outro; crianças quebram vaso de cerâmica e passam noventa minutos procurando outro; ou seja, basicamente o que varia é o objeto inanimado que é o centro da ação (?) - e só de ler isso aí o cara já começa a bocejar, pura verdade.

Mas, apesar de divertido, é feio falar mal de algo que não se conhece. Foi pensando assim que fui até a locadora procurar por VIDA E NADA MAIS (A VIDA CONTINUA), do Abbas Kiarostami, o mais incensado de todos os diretores iranianos. Tentei assistir ao filme numa terça-feira, depois da meia-noite, e peguei no sono em mais ou menos doze minutos de fita. Na maior boa vontade do mundo, matei meu horário de almoço no dia seguinte, num misto de curiosidade pela obra e nenhuma vontade de pagar uma locação sem ver o troço.

Enfim, VIDA E NADA MAIS é o mais próximo que já vi daquela definição de "filme em que não acontece nada". A história, um pai e um filho que viajam de carro até uma cidade atingida por um terremoto, no Irã, à procura de dois atores mirins, não reflete o que é o filme de verdade. É incrível, não acontece nada MESMO, e o cara fica observando as coisas não acontecerem. É pura contemplação, com um diálogo aqui e ali no meio da lentidão absoluta, e numa dessas poucas movimentações da fita há uma cena bonita de um cara que acabou de casar no meio da confusão do terremoto.

Na real, eu absolutamente não tenho uma opinião formada sobre esse VIDA E NADA MAIS. O fato é que, mesmo depois de uma semana, uma ou outra cena voltam à cabeça de vez em quando. Acho que isso já é mais do que muito filme por aí. E até definir e encontrar minha opinião, vou cessar com as piadas.


THE ONLY BAND THAT MATTERS

(23.01.2007)

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Quem afirma, sem pensar duas vezes, que o melhor álbum do Clash é o LONDON CALLING certamente não teve paciência com SANDINISTA!, o glorioso disco triplo que os sujeitos lançaram em 1980. Desde que comprei o dito cujo, em novembro do ano passado, venho digerindo o belo monstrengo de trinta e seis músicas e duas horas e meia de duração que sucedeu o monumental LONDON CALLING, e, pelas barbas do profeta, o disco continua crescendo. É uma mistureba de gêneros que, colocada de maneira qualquer, poderia fazer nenhum sentido em um álbum, mas nesse SANDINISTA!, puta merda, o bicho pega. Quando acaba um rockabilly, entra uma valsa (!), para em seguida começar um jazz, seguido de um reggae e um punk, e, por incrível que pareça, a coisa toda funciona muito bem no conjunto; é visível uma unidade no que o Clash fez aqui.

O disco um - ou o lado A - do SANDINISTA!, que ouvi bem mais até agora, já bateu forte, e o segundo está a caminho. Há muita coisa pra se destacar individualmente: SOMETHING ABOUT ENGLAND, THE MAGNIFICENT SEVEN, HITSVILLE UK, THE LEADER, IVAN MEETS G.I. JOE e a brilhante e talvez minha favorita da banda SOMEBODY GOT MURDERED são alguns exemplos, todas do primeiro CD. No segundo, já saltaram aos ouvidos a fantástica POLICE ON MY BACK, THE STREET PARADE, CHARLIE DON´T SURF e a surreal versão de CAREER OPPORTUNITIES cantada por crianças.

SANDINISTA! é um baita de um desafio, mas depois que a ficha cai, sai de baixo. Não há duvidas que Joe Strummer e Mick Jones estavam flamejantes quando gravaram isso aqui, um dos troços mais sofisticados - no melhor sentido da palavra -, atuais e sério candidato a melhor disco de WORLD MUSIC de todos os tempos. E me matem, mas a maior diferença entre o LONDON CALLING e este é que o primeiro é mais objetivo. Fora isso, SANDINISTA! é material inflamável, um puta disco que mantém intacta a reputação do Clash. Comprem já.


BOM INÍCIO DE SEMANA A TODOS

(22.01.2007)

Cartaz impresso em jato de tinta vagabundo colado na entrada de um boliche, em Canoas:

"Proibido entrar armado"


O MELHOR XIS DO MUNDO

(17.01.2007)

Como morador de Canoas, a capital mundial do XISBURGER (a.k.a. cheeseburger), posso ser considerado uma autoridade no assunto. Há, sem exagero, cerca de doze xis - lugares onde é feito esse tipo de lanche - num raio de cem metros de onde moro. Pois, tendo provado trilhares dessas iguarias durante mais de duas décadas, bati o martelo e defini de uma vez por todas qual é o melhor lugar do planeta para se comer um xis: o inigualável XIS DO VINI, em Rainha do Mar.

Localizado na Av. Paraguassú, próximo à entrada de Rainha, o XIS DO VINI ganhou status cult entre os veranistas por dois motivos: o maravilhoso xis e o folclórico dono do lugar, Abel, carinhosamente conhecido por Vini - mais sobre isso em seguida.

Vamos primeiro ao que interessa: o lanche. O xis servido no lugar é leve, saboroso e nada gorduroso; o tipo de coisa que tu pode comer bêbado às seis da manhã sem conseqüências trágicas no dia seguinte. Um dos grandes segredos é a alface, que é colocada no recheio após a prensagem do pão, o que evita aquele efeito desagradável que transforma as folhas em algo semelhante a um saco plástico úmido e morno. O mesmo acontece com o tomate, e o resultado é que temos verduras fresquinhas servidas na hora dentro do pão. O pão, aliás, é ótimo e não vem atochado de maionese, como acontece normalmente. Os recheios são todos bons, com destaque para o tradicional xis salada, para o xis coração e para o xis calabresa. Este último é especial porque não dispensa o hamburger e chega à mesa com uma bela camada de lingüiça sobre a carne.

Além dos quitutes, há a segunda grande atração: o atendimento da casa. Praticamente todos os clientes do XIS DO VINI já foram vítimas do mau humor do anteriormente citado Abel, que batizou o lugar com o nome do filho e acabou ele próprio virando Vini, por causa dos freqüentadores que não sabem da sua identidade real. Os exemplos do tratamento rabugento são muitos. Um deles, só para ilustração:

Madrugada de sábado para domingo. CLIENTE chega sozinho, escolhe uma mesa e chama o atendimento.

CLIENTE: Ô Vini, me vê um pastel!
VINI: Quantos?
CLIENTE: Um.
VINI (após olhar para o relógio): Cara, são duas e meia da manhã. Tu acha que eu vou fritar banha agora pra te fazer UM pastel? Negativo.
Vira as costas e vai atender outra mesa.

Além das histórias envolvendo clientes, há também o bizarro e instável horário de funcionamento - é impossível prever se o lugar estará aberto em qualquer hora do dia ou da noite. Os motivos para o fechamento vão desde a falta de pão até casos mais extremos e nada comprovados, como brigas entre Abel e a esposa, que comanda a cozinha. Reza a lenda que até embate de faca já rolou. O que acontece então é vermos o XIS DO VINI aberto numa quarta-feira desanimada, para semanas depois ficar fechado sem motivo aparente durante todo o Carnaval. O mais impressionante é ver que essa completa falta de noção empresarial parece atrair novos fãs sedentos pelo maravilhoso xis e pelo estapafúrdio atendimento do local.

Não é preciso dizer o quão recomendável é fazer uma visita ao XIS DO VINI. Vale muito a pena parar lá em Rainha do Mar com os amigos para um xis e uma cerveja. Aliás, façam um brinde; depois do tim-tim, tu vai ouvir o Abel gritando lá de dentro: “Isso, quebrem os copos!”


MAIS AGUARDADO DO ANO (EMPATADO COM "ROCKY BALBOA")

(09.01.2007)

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Não há a mínima chance disso aí em cima ser menos do que genial.


DE 2006 PARA 2007

(05.01.2007)

Como nos últimos 17 anos (exceto 2003, quando meu avô morreu no dia 27 de dezembro, fazendo com que a família toda passasse o Reveillon cabisbaixa e comendo peixe em Canoas), passei a entrada de 2007 em Noiva do Mar, provavelmente a única praia do planeta com mais canchas de bocha do que habitantes. Meu pai quase estragou a festa ao temperar o pernil que ganhei de aniversário com uma garrafa de champagne meio doce, por engano, erro corrigido a tempo pelo faro da minha mãe, que lavou-o para em seguida banhá-lo num brut.

Também comprei uma pilha de livros pra ler na rede, o primeiro da fila sendo o MÃOS DE CAVALO, do Daniel Galera, que já passou da metade e até agora me agradou um bocado, muito bom mesmo. Os próximos incluem um tijolo do Dostoiévski e outros dois de um cara chamado Will Self. Um pouco mais além, entram KING DORK, do vocalista do Mr. T Experience, e HOUSE OF LEAVES, calhamaço de suspense que promete ser um belo de um livro.

E sem grandes novidades além disso. No mais, um felizão 2007 para todos. Tou meio atrasado, mas o que vale é a intenção =)

PS.: Teria mais o que escrever, não fosse a insônia e a demência causada pelo calor que faz aqui. Tenho dormido de duas a três horas por noite, e o resto do tempo passo rolando sem rumo na cama. Nesse exato momento, um ventilador na velocidade "turbo" tenta inutilmente amenizar a situação; o máximo que consegue é arremessar todos os mosquitos da casa na minha direção. Desisto por hoje.


por Cavinato - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus