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« TIRANDO A POEIRA | Home | PIOR QUE ERA VERDADE » CAOS-MENSAGEM EM NOIVA DO MAR(28.02.2007) Aguentar um carro-mensagem berrando na frente de casa sem ficar completamente constrangido é tão difícil quanto fritar pastel pelado. Mas foi essa a maneira que alguns colegas e ex-colegas encontraram para agitar a pacata praia de Noiva do Mar durante minha estadia lá, nas férias, nas primeiras semanas de fevereiro. Primeiro me ligaram dizendo que iam passar em um cliente na praia e aproveitariam para me fazer uma visita. Ingenuamente, coloquei umas cervejas no freezer e fiquei esperando. Lá pelas cinco da tarde, tou deitado na rede quando uma picape toda pintada pára na frente da garagem de casa e pergunta se eu sou o Gustavo. Digo que sim, e ele pergunta, confirmando: “Gustavo Cavinato?”, e eu aceno positivamente com a cabeça, prevendo o pior. “Tem uma mensagem pra ti”, e o cara manobra o veículo, virando umas seis caixas de som do tamanho de um pônei na minha direção. Começa a tocar uma música da Ivete Sangalo em um volume que chegava a balançar minha rede. Depois de alguns segundos, uma voz de mulher declama o texto a seguir, transcrito na íntegra: (Trilha sonora: Ivete Sangalo e Tema do filme Titanic.) “Gustavo Cavinato, nosso companheiro, nosso amigo do riso fácil. Muitas vezes, quando estamos sozinhos na praia, nos sentimos meio sozinhos na praia, achando que só uma noiva do mar pode nos trazer felicidade. Com você não deve ser diferente. Afinal, é natural que um garoto de Canoas, um quase metropolitano, acostumado a punk rock e meninas maldosas de cabelos curtos, que entra e sai da selva de pedra em um moderno trem, se sinta um pouco deslocado com o bucolismo do nosso litoral. Como um pavão se sentiria triste na tundra, longe de sua verdadeira casa e amigos, como a última e sofrenilda trufa triste na bandeja de doces. Mas lembre-se, Gustavo Cavinato, estamos com você sempre. Tudo o que fazemos remete ao seu semblante alegre e contagiante: pode ser uma busca por imagens na internet, o sorriso de uma criança ou um engarrafamento na 24 de outubro. Tudo é Gustavo, tudo é Cavinato. Mesmo longe, Gustavo Cavinato, vamos continuar celebrando o seu alto astral, o seu jeito serelepe de levar a vida, de ver a beleza nas pequenas coisas, como o Juliano. Sentimos falta, é claro, deste furacão de pensamento positivo e otimismo, queremos você de volta, mas não vamos ser egoistas. Por isso essa mensagem é um pedido. Desejamos que você aproveite a praia ao máximo. Curta cada segundo! Viva o que tem de ser vivido. Seja o samurai do seu destino, o califa das possibilidades, faça da praia o cenário da aventura constante que é a vida. Continue com os esportes radicais, o surf, pegue bicho geográfico, dessenrole os passos ousados de funk, me traz um milho verde, enfim, tudo o que sempre nos cativou e que agora divide com meninas praianas. Querido, zero um abraço e muitos beijos de toda a criação da Dez, da equipe do Angeloni, da Gabi da revisão, do Hugo e do Guilheme da produção, do estúdio, da Clarissa, da mídia. Do Miragem e da Carlinha, da Marcela, da Tati e da turma da tecnologia. Um chamego do Araujo, do Juliano, do Pedro, do Marcel e do Marcio Blank. Bitocas do Burger, do Halpern, do Patrick e do Saulo. Um carinho especial da equipe do restaurante Meu Cantinho, do Jorge Wagner e da Associação dos Amigos da Praça do Avião. Tader (sic) Rosseto, Regis Morrão, Felipão e Gustavo Cavinato. CANOAS se orgulha da sua prole. Pô Cavinato, a Amazônia é nossa!” Sim, a coisa toda termina com um “A AMAZÔNIA É NOSSA!” Reparem que os redatores da peça, capitaneados pelo glorioso Menezes, tiveram a preocupação de colocar meu nome umas trezentas e trinta vezes durante a locução, para evitar qualquer dúvida quanto ao destinatário da mensagem. Notem também o tamanho do texto, que se estendeu por inacreditáveis OITO minutos de áudio rolando em um aparato de som desproporcional à extensão da praia, e tudo isso tocando a decibéis passíveis de multa. O resultado foi que minha mãe, que estava em Rainha do Mar comprando pão, escutou trechos da mensagem lá do balneário vizinho. A coisa toda ter acontecido numa quinta-feira e numa praia tranqüila evitou um alarde maior; mesmo assim, alguns vizinhos vieram me cumprimentar erroneamente pelo meu aniversário (que aconteceu em novembro). Enfim, grande e divertidíssima homenagem, que alegrou demais minhas tardes de tédio. Guardarei para sempre as lembranças e as seqüelas. 19:36 | comentários (25)
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