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THERE IS ZÓPOLIS?

(29.05.2007)

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Comprei uma garrafa desta cerveja aí, a artesanal Therezópolis. Apesar de ter um dos piores nomes de cerveja de todos os tempos, a garrafa de 600ml tava num preço amigável pras bebidas desse padrão, a menos de quatro mangos (pensei: "se me cobram seis reais por qualquer mijo morno na noite, por que não arriscar?"). Alguém aí já provou?


PLAY

(29.05.2007)

Bem, é notório que isto aqui anda doente. Os posts estão escassos e, bem, o de hoje é um sintoma preocupante, porque envolve uma das piores - senão a pior - espécies de post: LETRA DE MÚSICA. Normalmente, as pessoas colocam letras de músicas em seus blogs quando querem escrever algo que sentem, mas não possuem recursos para fazê-lo. Ou seja: é um artifício medíocre, que faz tudo soar como um daqueles diarinhos com chave e cadeado que a tua irmã devia ter no início dos anos noventa.

Maaaaaaaas teve uma vez que escrevi sobre um disco do Clash por aqui, e o EGS comentou que ficou curioso para ouvir, porém temendo as letras politizadas. Aí fiquei pensando se existia alguma letra política que realmente era do meu interesse. Bem, os Pistols avacalhando a rainha era algo engraçado, o Clash falando sobre desemprego era válido, essas coisas faziam sentido, mas não pra mim. Mesmo gostando das bandas, as letras não batem. Então lembrei de uma, talvez a única música que CRITIQUE O SISTEMA que continua me acertando em cheio vez que outra. Não por acaso, trata-se de uma canção do bom e velho Weasel, líder da minha banda favorita, Screeching Weasel. A letra é cheia daqueles conselhos que você sabe que não deve seguir, mas que vêm à tona e me corrói o estômago toda vez que surge uma frustração no trabalho, nos estudos, essas coisinhas que tornam nossas vidas um verdadeiro SECOND LIFE jogado no modo EXPERT.

Aí, ó, sem tradução:

SIX PERCENT
(screeching weasel)

don't let anyone tell you
you better grow up soon
or face the consequences of a life not planned out.
that's exactly what you need.
i'm here to tell you leave
the bullshit you've been taught behind and find out for yourself

that work is slavery and it makes you a slave.
and i know it's easy for somebody like me to say.
but i dropped that fucking life
and i don't regret the bridges that i burned,
mistakes i made;
they're what i learned from.

yes, you've gotta pay the rent
and feed yourself and then
pay all the bills and taxes
'til you're ready to explode
and kill yourself and those
who get in your way.
don't misunderstand me- i'm just trying to remind you that

your life is not tv
and things don't just work out;
most of the time you're miserable.
the american dream is a big fucking lie;
a wild goose chase.
you're here to make the richest six percent a little richer.

don't you want something better?
don't you want something that lasts?
they're not your friends-
they're your masters and they don't care if you live or die.
you've gotta get out on your own.
you've gotta get out of this stupid town
and try to live for once instead of just existing.

and i guarantee that pretty soon you're gonna see
that things aren't half as good or as bad as they used to be
now that you're a thorn in the side of society;
now that you're part of the problem;
the ruination of a system that keeps you down,
steals your money and your hope
and then smacks you around.
don't you want to get out of this town?
don't you want to get out of this fucking life?

Belo, não?


PEGA NO TEU E VAI

(16.05.2007)

O jornal Zero Hora desta terça-feira traz um anúncio de página inteira sobre um novo sistema de bilhete para transporte público, um projeto aparentemente interessante. O problema é que o nome do tal cartão é de uma infelicidade que transita entre o ingênuo e a sacanagem completa. O troço chama-se TEU. A princípio, pensei que fosse uma sigla, mas não, é TEU porque foi feito pra ti. Aí tu vai ler o texto que explica as vantagens do bilhete eletrônico e se depara com isso:

"Agilidade no embarque: basta encostar o TEU no leitor para liberar a roleta."

Tire suas próprias conclusões. Pessoalmente, a primeira coisa que me vem à mente é todos os passageiros do sexo masculino sendo indiciados por atentado violento ao pudor a cada vez que pegarem um ônibus. Sem contar que esse é provavelmente o método mais anti-higiênico de se passar por uma roleta na história dos transportes públicos.

Desde a linha de produtos de beleza BIO RETARD eu não via um lançamento com nome tão propenso a piadas como esse.


MONDO MACABRO

(15.05.2007)

Lendo o post do Daniel Galera no Impedimento sobre o jogo do Almagro na Argentina, me veio uma cacetada de lembranças de coisas que gostaria de ter postado sobre Buenos Aires. Lamentavel que tenha demorado demais pra escrever, até porque antes havia fotos para ilustrar os escritos e agora, com meu celular antigo roubado, não há mais. Mesmo assim, existe um lugar especial naquela cidade que merece as linhas a seguir.

Lá pelo quinto dia das minhas férias num albergue fuleiro em Buenos Aires, o Prego, que na época tava morando lá, comentou que Buenos Aires tinha uma locadora - que eles chamam de VIDEOCLUBE - especializada em filmes de terror. Não é preciso dizer que quase explodi com a informação, e achar o tal lugar virou prioridade na pauta da viagem. Pouco tempo depois, tinha em mãos o endereço da MONDO MACABRO.

Localizada nas profundezas de uma galeria semi-carcomida na Av. Corrientes, a locadora é de cair o queixo já na fachada. Cheguei lá e fui recebido por uma réplica de quase dois metros de altura de ninguém menos que o Godzilla. Entrei no lugar e por pouco não tive um ataque cardíaco fatal, tamanho o atordoamento com as coisas geniais que me cercavam nas prateleiras. Antes que eu pudesse olhar direito, o dono do lugar, atrás do balcão, pergunta se pode me ajudar. Meu espanhol terrível conseguiu deixar claro que eu estava de passagem, só olhando. O cara ainda perguntou se eu procurava algo em especial, porque era óbvio que a especialidade da locadora era ter as coisas mais obscuras que se pudesse imaginar à disposição para fãs e colecionadores de todo o tipo de tranqueira. Respondi com outra pergunta e o cara então me falou que eu podia me associar a quarenta pesos por mês e pegar quantos filmes quisesse, ou então pagar algo como cinco pesos por filme locado. Além disso, ele também vendia alguns dos filmes e fazia cópias em DVD de outros.

Dei uma vasculhada nas prateleiras. Ao contrário de qualquer locadora, não tínhamos filmes divididos por "drama", "ficção" ou gêneros assim; em vez disso, havia uma seção de SLASHERS, outra de NAZI EXPLOITATION, uma de SPAGHETTI WESTERN, outra de ANIMAIS ASSASSINOS e por aí vai. Sério, havia todo o tipo de absurdos que se pudesse imaginar, e só de ter entrado numa locadora com uma seção só com filmes de PRISÃO DE MULHERES já fazia minha vida valer a pena. Ainda enxugava as lágrimas quando apareceram as seções dos diretores. Tinha ali Dario Argento, Lucio Fulci, Mario Bava, John Carpenter, Romero, enfim, tudo de todos os maiores caras do cinema de terror.

Pra completar o pacote, tinha ali uma das coisas mais assustadoras que já vi de perto: uma série de simuladores de SNUFF MOVIES* divididas em vários volumes, de acordo com O TIPO DE MORTE apresentada. Então era tipo assim: um VHS intitulado SNUFF vol.2 - Morte por Estrangulamento, e uma foto de uma garota nua sendo estrangulada com cara de desespero; outro com SNUFF vol. 6 - Afogamento, e daí pra fora. As capas passavam um aspecto de amadorismo e clandestidade à coisa toda, o que me deixou com receio de simplesmente pegá-las nas mãos. Terrível.

Enfim, fora isso, essa MONDO MACABRO é um paraíso pra quem curte cinema de terror, filmes B e vagabundagens afim, além de ser parada obrigatória pra todo mundo que conhecer Buenos Aires. Aí vai o endereço: Av. Corrientes 1248, Galería Taurus (local 63/73).

*Snuff é um filme pornô onde um ou mais membros do elenco são mortos de verdade em frente às câmeras. Na real, isso é uma lenda urbana, mas a idéia de existir uma merda dessas me dá calafrios. 8mm, do Joel Schumacher e com Nicholas Cage, é um dos filmes que fala sobre o tema; é bem fraquinho, mas dá pra ter uma vaga noção do que é o troço.


FIM DOS PROBLEMAS URBANOS

(08.05.2007)

Pelo menos uma vez por ano a Zero Hora faz uma reportagem sobre batedores de carteira no centro de Porto Alegre. Na edição de hoje, temos uma seqüência de fotos que mostram um grupo de garotas abrindo mochilas de passantes desprecavidos. As mesmas larápias aparecem rindo e contando maços de dinheiro, sem qualquer ação da polícia, obviamente. Meu irmão viu as imagens e disse que socaria a cara da guria se visse ela fazendo aquilo. Atitude extremamente amadora; por mais que se tratasse de uma ladra, seria impossível esmurrar uma mulher no centro sem ter doze mil taxistas chutando tua cabeça segundos depois. Tenho uma sugestão melhor: ao andar de mochila naquela zona da cidade, basta tirar dinheiro, documentos e talões de cheque dos bolsos menores e substituí-los por um escorpião. A morte da meliante será discreta, incrível e digna de contar para os netos (se ela já não estivesse morta).

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Oi


QUINTA-FEIRA PASSADA

(06.05.2007)

Sem exageros, o melhor show que já vi em Porto Alegre e um dos melhores que já vi na vida. De chorar no canto. Mesmo.


por Cavinato - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus