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HELP ME, I´M POSSESSED, FINALMENTE!
(27.06.2007) "Façamos uma viagem no tempo até o verão de 2003. Lembro direitinho do dia em que abri o jornal e me deparei com uma notícia no mínimo esquisita: um diretor de cinema belga chamado Charles Nizet havia sido assassinado ns cidade de Flores da Cunha por motivos obscuros - a reportagem dizia que ele estava tentando juntar grana e patrocínio para abrir um parque de diversões, se não me engano. Bem, a história seria suficientemente bizarra se fosse só isso, mas a Zero Hora completou e colocou fotos de dois cartazes de filmes de terror dirigidos pelo cara nos Estados Unidos. Saquem os títulos: HELP ME, I´M POSSESSED e VOODOO HEARTBEAT. Os nomes eram geniais. Os posters, mais ainda. E estava instituída aí o que talvez seja a maior curiosidade cinematográfica-obscura da minha vida: o cinema de Charles Nizet. Já li alguma coisa sobre as fitas e, ao que parece, o cara era muito, muito ruim. Alguns diretores compensam a falta de grana com criatividade e inovação, mas não devia ser o caso de Nizet. Enfim, lixo ou não, o estrago estava feito, e até hoje tou aqui MORRENDO pra ver os tais filmes que aparentemente NENHUM colecionador do Brasil tem e que NUNCA saíram em DVD em lugar algum do mundo. O pior é que o sujeito também fez filme de guerra e outras tranqueiras fora do terror, e isso só agrava minha curiosidade. Vamos de novo: filmes de terror obscuros e perdidos no tempo, dirigidos por um diretor com jeito de picareta que foi ASSASSINADO EM FLORES DA CUNHA ao NEGOCIAR DINHEIRO para abrir UM PARQUE DE DIVERSÕES. Sejamos realistas, senhores, isso não tem como ser menos do que genial. Dou um carro* para quem me conseguir os filmes de Charles Nizet. *mentira." Postei isso aí ano passado no UM OSCAR PARA KEVIN BACON, sem qualquer esperança de encontrar alguma coisa do tal Nizet. Até que o Foguinho, genial colega e amigo, me mandou o link do BOIZEBU, um blog com absolutamente TODOS os filmes B do mundo disponíveis para download via torrent. Isso inclui, é claro, HELP, I´M POSSESSED, que já tá pronto pra ser baixado aqui. Que os céus abençoem o Foguinho, o BOIZEBU e o Charles Nizet. E ah, vale a pena dar uma fuçada no site, tomando cuidado pra não perder o emprego ao abrir no escritório as galerias de musas peladas que aparecem ali entre um filme e outro. 00:49 | comentários (12)
CAVALO, ALGUÉM? (19.06.2007)
Esse simpático porquinho-da-índia aparece aí em cima simplesmente para atenuar o teor BAGACEIROSO do post de hoje. Feitas as honras, vamos ao que interessa. Minha predileção por filmes B sempre acaba me levando às prateleiras mais obscuras de locadoras, sebos e afins. Ultimamente, essas são as seções das fitas VHS, fadadas aos montes de pó, ao bolor e às teias de aranha com a supremacia arrogante dos DVDs. Faz algum tempo que, por causa das poucas locações e da falta de espaço, a maioria das locadoras passou a torrar fitas do acervo por preços convidativos. Ou seja, pretexto certeiro pra levar pra casa - e pro resto da vida - uma cacetada de tranqueiras por poucas pratas. Sabendo que uma das minhas locadoras favoritas havia colocado todos os seus VHS à venda - incluindo PILHAS de filmes nacionais inacreditáveis e raríssimos -, fui até lá na última sexta-feira pra fazer um rancho. Cheguei meio tarde; boa parte das coisas que eu queria comprar já estava vendida. Isso inclui o glorioso PERDIDOS NO VALE DOS DINOSSAUROS (um dos filmes mais esquizofrênicos já feitos em território nacional; o vilão da fita, talvez o melhor do cinema brasileiro em todos os tempos, é um seringueiro chamado China), O OUTRO LADO DO CRIME (com GIL GOMES atuando), A FILHA DE CALÍGULA (de Ody Fraga, um dos mais dementes diretores da Boca do Lixo), SHOCK (terror oitentista que tem Taumaturgo Ferreira sendo estrangulado com uma meia) e A TARA DAS COCOTAS NA ILHA DO PECADO (além do título genial, a sinopse é a derrota completa do bom senso: grupo de mulheres seqüestra um roqueiro que tem um mapa de tesouro tatuado na bunda). Mesmo assim, ainda consegui trazer pra casa oito exemplares do bom e velho cinema esquisito, a começar por SEDUZIDAS PELO DEMÔNIO, o pior e mais ridículo filme envolvendo possessões demoníacas já feito por aqui - o personagem possuído é um gordo de bigode, e o filme NÃO É uma comédia (pelo menos NÃO ERA PRA SER). No mesmo pacote, veio TRÁFICO DE FÊMEAS, um filme de prisão de mulheres chinelésimo estrelado por Tony Tornado. Não vi isso ainda, mas a pinta de vagabundagem da coisa toda promete uma bomba venenosa com muito tiro e peitos de fora. Ainda digno de nota, achei o raríssimo O ESTRIPADOR DE MULHERES, filme de suspense de estréia do diretor Juan Bajon, nome que muito já havia ouvido falar, sempre associado à Boca do Lixo. Esse comprei no reflexo; quando cheguei em casa, fui pesquisar sobre a obra do cara e me deparei com uma filmografia que beira o surrealismo. Pra começar, esse O ESTRIPADOR DE MULHERES aparentemente é o único dos trinta e três filmes do sujeito que não é pornozeira fatal. Até aí tudo bem. O que impressiona é a quantidade de fitas ligadas ao mesmo tema: cavalos. De 1985 a 1988, Bajon rodou SEXO A CAVALO, Enfim, difícil imaginar que o cara não tenha conseguido meter um cavalo nesse filme do estripador. Se for o caso, espero ao menos que aqui alguém monte no bicho, e não o contrário. RESENHISMO EM CHAMAS (12.06.2007) Saiu a última edição da revista Noize, editorada, entre outros, pelo meu comparsa Gustavo Correa. Nesse número, uma resenha que escrevi sobre o show dos Buzzcocks em Porto Alegre. Dê uma olhada lá e aproveite pra ficar sabendo como foi o show dos Mutantes e quais são os lançamentos do mês em cd que valem a pena, entre outras coisas legais. Tivemos quase nada sobre os Buzzcocks por aqui, mas o show foi tão bom que me deixou constrangido em comparação a outros sujeitos que tocaram em Porto Alegre na mesma época: Pennywise. Bem, se até agora a apresentação do Pennywise não tinha merecido uma mísera linha, eis o porquê: som horrível, músicas que soavam todas iguais (até pra quem gosta de pelo menos dez ou quinze delas, como eu), banda sem nenhuma empolgação, tocando como se estivesse batendo cartão numa terça-feira em uma madereira ou numa malharia de Nova Petrópolis e, pra completar, uma platéia que parecia uma sauna gay, 96% composta por um bando de brutamontes suados e sem camisa se roçando durante todo o show. Nada tenho contra rodas e moshs - passei uns 10 anos da minha vida fazendo isso e até hoje tenho recaídas -, mas tinha horas em que eu me sentia no RECTUM, e acho que só isso já resume o ambiente. No mais, o "Ah, eu sou gaúcho!" entonado pela platéia no show do NOFX mantém-se como o momento mais patético que já presenciei nesse tipo de evento. Pelo menos daquela vez a banda foi bem, apesar do som lamentável, de novo. Fiquei com saudades dos Buzzcocks só em ter escrevido isso aí. NOTAS ESTILO COLUNISTA DA ZH (10.06.2007) Algumas considerações sobre a vida nos últimos dias (atrasadas, por sinal): - O Internacional lavrou o Pachuca por quatro a zero no Beira-Rio e é campeão da Recopa. Os mais de cinqüenta mil presentes colocaram o estádio em chamas toda a partida; a resposta do time em campo foi à altura da barulheira dos colorados. Espero que o time engrene e mantenha esse ritmo daqui para a frente. No mais, bela vitória e título muito bem-vindo - ainda que "Tríplice Coroa" me soe como nome de vacina. - Fui num aniversário no Sierra Maestra, um bar cubano que fica em Porto Alegre, e saí absolutamente defumado do lugar, culpa dos charutos de UM REAL que acendemos lá. Nosso colega Beto achou ritualístico que todos fumassem charutos para comemorar; chegou numa tabacaria e pediu o mais barato. A mulher puxou um e perguntou se era pra macumba. Não entendo nada de charuto, mas o material era de péssima qualidade; a sensação era a de estar fumando merda seca de cavalo. Minha roupa ficou tão impregnada que parecia impossível, ao final da noite, imaginar que eu estava num bar, e não numa queimada clandestina ou algo parecido. No mais, um bar com as paredes cobertas de referências ao país comunista cobrando ONZE reais por um mojito só pode ironia extrema do dono do troço. - DARKLANDS, do Jesus and Mary Chain, é provavelmente o melhor disco do mundo para ouvir dirigindo na chuva. - Minhas tentativas frustradas de fazer downloads de filmes via torrent me colocou a procurar DVDs importados para compra, de novo. Fora o fato de absolutamente não conseguir baixar nada aqui - não sei se o problema é com a máquina ou comigo -, a idéia de assistir filmes no computador me dá calafrios. Claro, é possível gravar tudo e ver no dvd player, mas sou fresco e gosto de ter encartes e capinhas originais. O diabo é que mesmo com o dólar lá embaixo, os preços dos importados seguem lá em cima nas lojas daqui. Aliás, falando em CDs e DVDs ORIGINAIS...
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