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SAI U.S. ROBOTICS, ENTRA D-LINK

(23.07.2007)

Quase perdi os sentidos quando vi o cartaz deste filme aí, chamado - atenção para o baque - THE AMAZING MR. NO LEGS. Se simplemente digitar "THE AMAZING MR. NO LEGS" sem gargalhar é tarefa quase impossível, pior ainda é tentar conseguir imaginar a quantidade de demência que deve ter uma tralha dessas. Basta ler a TAGLINE fatal na capa: BUT NO ONE WANTS TO MEET HIM FACE TO FACE.

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BOM DIA A TODOS

O que nos leva ao título deste post. O novo modem do meu computador é um lixo; não há JESUS que faça a internet funcionar em certos dias, coisa que não acontecia com o modem antigo. Porém, a vantagem real deste são os filmes absurdos que ando baixando via torrent. Um deles é esse THE AMAZING MR. NO LEGS, que, até onde vai minha memória, jamais saiu no Brasil. Logo que assistir, comento por aqui. Se sobreviver ao filme, claro.


O QUE VIRÁ EM SEGUIDA?

(19.07.2007)

Eu voltava pra casa na última terça-feira com a Rádio Gaúcha enlouquecida nos alto-falantes do carro, alternando hipóteses sobre as causas do horrível acidente no aeroporto de Congonhas com boatos sobre quem estava no tal vôo. Pouco depois de passar na frente de um Aeroporto Salgado Filho já tomado por parentes das vítimas, ouço o depoimento emocionado de um diretor da Vinícola Aurora. A Aurora é cliente da agência de propaganda onde trabalho e foi um choque saber que dois diretores da empresa estavam no maldito avião.

Um deles era o Caio. Não conheci o Caio pessoalmente, mas no dia 15 de junho eu e mais três colegas da agência fomos pro estúdio de uma produtora gravar uma música de aniversário para mandar a ele de presente - na verdade, tratava-se de uma versão adaptada do hino do Inter feita especialmente para ele, colorado fanático. Na nova letra, troquei o "orgulho do Brasil" por "orgulho do BARRIL", numa desajeitada brincadeira-referência à vinícola, entre muitas outras alterações.

E nessa quarta-feira, um mês depois do convite ter sido enviado, encontro na minha mesa uma nota de falecimento com o nome dele e do outro colega que estava junto no vôo da TAM. Tive que revisar aquilo sem pensar muito.

Meus sinceros pesares aos que perderem parentes, amigos ou conhecidos nesse acidente estúpido.

E ah, sobre culpados, não sei o que pode vir do pessoal do RELAXA E GOZA agora, já que nem isso dá para fazer mais sem correr o risco de explodir. Só espero que não esperem novos desastre absurdos para que alguém tome providências nesse lixo todo. Que inferno, caras.


O DISCO QUE VEIO NA HORA CERTA

(17.07.2007)

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Este homem lê mentes.

O novo trabalho do Ben Weasel, THESE ONES ARE BITTER, é seríssimo candidato a melhor álbum do ano. Tenho escutado direto desde que finalmente consegui baixar o disco e não há como chegar a outra conclusão.

Para começo de conversa, Weasel rapidamente conquistou o posto de compositor favorito por aqui desde que conheci sua antiga e finada banda, Screeching Weasel, lá por 1999. É o tipo de sujeito que faz parte de um grupo de AUTORES musicais, talvez uma categoria que fique acima do mero compositor; é aquele que consegue fazer de cada disco um tijolinho para uma obra maior. Entre os autores que mais admiro, temos o Robert Pollard, do Guided By Voices, o Leonard Cohen, Joey e Dee Dee Ramone, Brian Wilson e Joe Strummer.

Mas nenhum desses me nocauteia tanto quanto o velho Weasel. Mesmo fazendo parte de um gênero que quase nunca é levado a sério (muito por causa da imensa quantidade de lixo que emana desse rótulo), o punk rock, Ben Weasel gravou uma rajada de discos brilhantes à frente do Screeching Weasel durante toda a década de 90. Não tenho muita paciência com bandas punk ultimamente, porque nunca me identifiquei com as malditas letras de um modo geral. Aí é que mora o grande trunfo do Weasel: em vez de escrever músicas sobre coqueteis molotov, brigas de rua e gritarias contra o governo Bush ou o diabo a quatro, o negócio aqui são letras intimistas, irônicas, sobre o que ele próprio chama de "as pequenas coisas da vida". THRIFT STORE GIRL, por exemplo, é uma canção que fala sobre a relação de um cara com uma garota que trabalha numa loja de coisas de segunda mão. E esse cara conta, entre outras coisas, que ela troca as etiquetas de preço pra ele pagar mais barato, simplesmente porque ela gosta dele. Devo andar enfiado na pieguice desde 99, mas toda vez que escuto esse "She'll switch price tags for me", eu derreto por completo. A música tá lá, na obra-prima ANTHEM FOR A NEW TOMORROW, de 1993.

Eis que chegamos a THESE ONES ARE BITTER. Sem os antigos companheiros, Weasel optou por chamar músicos convidados, incluindo o guitarrista e o baterista do All American Rejects, uma dessas bandas DE FRANJA, o que me deixou um pouco preocupado. Isso até ouvir o disco todo. TUDO o que sempre permeou a obra do Weasel está lá, acrescido de uma produção (a cargo do Mike Kennerty, guitar do AAR) que coloca no chinelo toda a discografia antiga do cara. Não há mais um paredão de guitarras, e sim um monte de camadas que deixaram o som muito mais elaborado. A temática das letras é a usual - amor, relacionamentos falidos, estados de espírito confusos -, alternado com melodias e refrões grudentos pra cacete. A letra da música de abertura, LET FREEDOM RING, acaba COM TUDO nos primeiros versos, IN A FEW DAYS tentraria pela porta da frente na programação de TODAS as rádios rock em um mundo perfeito, GOT MY NUMBER é o single dos sonhos de qualquer banda do gênero e AFFECTED BY YOU é um verdadeiro revival e mostra o que seria o Screeching Weasel hoje em dia. E isso, pombas, são só quatro das quatorze músicas.

Ainda sobre a produção do disco, basta ouvir o backing vocal que rola aos 1min10s da baladona GIVE IT TIME; enquanto um cínico diria que os BACKSTREET BOYS invadiram o estúdio, alguém com menos maldade verá influências de Weezer na história. Cada um com suas conclusões. O fato é que mesmo quem tem aversão a pop punk deve dar uma chance a isso aqui. THESE ONES ARE BITTER é um belíssimo de um disco, e um dos tijolos mais brilhantes da obra do Ben Weasel.

Ah, para ouvir IN A FEW DAYS, clique aqui; há um player no final da resenha. Para ouvir GOT MY NUMBER, clique aqui. E para baixar GIVE IT TIME, tente aqui.


BAURU COM ARTE EM CHAMAS - DUELO

(16.07.2007)

Existe uma lanchonete em Porto Alegre chamada Bauru com Arte. Obviamente, associar arte a um sanduíche de bife no pão é algo ridículo de tão pretensioso, mas o que interessa é que eu e Menezes pedimos dois desses por telefone num dia chovoso de almoço na agência e o resultado disso foi um duelo violento de trocadilhos via e-mail, todos envolvendo o surreal nome do estabelecimento. Aqui, a compilação de todos os que mandei pro Menezes, sem filtrar o lixo e com toda a ausência de sentido que o tema exige:

Sabores: De contrafilé, De filé, De frango, Di Cavalcanti.

Não sei porque, mas o bauru com arte é muito mais bonito na tela.

Bauru com Arte não vem com tons pastéis.

Eles trabalham muito com natureza morta: alface e tomate.

O bauru com arte é mais barato que os outros.
O Di FIlé foi avaliado em R$ 6,50.

Quem come bauru com arte todo dia fica com um corpo escultural.

Dizem que a arte dura pra sempre.
Experimenta pendurar o bauru na parede...

Isso que eu chamo de apreciar a obra: mordendo.

Quando chega o bauru com arte, a telefonista me liga e diz:
- Pintou o bauru!

O Bauru Baby é bem menor. Viva a arte minimalista.

Tem o Bauru com Arte Versão Integral, que é aquele sem cortes.

Gosto desse OVO SOBRE BIFE.

Vou pedir meu próximo Bauru com Arte com MAGENTA DUPLO.

Tem que ser muito faminto pra chegar até a sétima arte.

Tava morrendo de fome e comi o bauru com arte.
Um bauru renascentista.

O cara da cozinha é um maestro: toca tudo na chapa.

Num leilão de bauru com arte, eles batem o martelo no bife.

Foda quando o atendente não decora o texto e erra o pedido.

Quando o bauru com arte chega e tu tá pelado, sem grana pra pagar, é o que chamamos de NU ARTÍSTICO.

Bauru com arte não é o tipo de obra que leva milhões. Nem ervilhões.

***

Apresentada a minha parte do lixo atômico, fique com os trocadilhos do Menezes clicando no nome dele.


COMO COMPRAR MP3 - PARTE UM

(04.07.2007)

Pela primeira vez em toda minha vida, resolvi pagar pelo download de um disco. Alguém aí já fez isso? Antes que seja tachado de idiota, cabe salientar que 1) o álbum foi lançado no fim do mês passado somente por meio digital - ou seja, não sairá em um CD, digamos, "físico" - e 2) trata-se do primeiro disco lançado pelo genial sujeito chamado Ben Weasel nos últimos cinco anos; um cara cuja banda, projetos parelelos e carreira solo já me consumiram uns quinhentos reais em CDs importados e provavelmente o único artista capaz de me fazer pagar por algo que eu posso conseguir de graça num emule da vida, tendo ainda que imprimir capinha e encarte com as letras e tudo mais.

Enfim, sendo essa a única solução, puxei o cartão de crédito e fui à luta, abrir a mão, liberar os dez dólares pelas quatorze músicas do "These Ones Are Bitter" e matar de vez a expectativa em torno do disco que tou esperando faz uma cacetada de tempo pra ouvir. Eis que, pra minha surpresa, NENHUM dos cinco sites que vendem os arquivos mp3 (incluindo grandões como iTunes e Napster) aceita cartões que não sejam dos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão. Ou seja, mesmo depois de preencher uns três cadastros em sites diferentes, me ferrei retumbantemente e nada foi possível pra conseguir as músicas.

Claro que isso me autoriza a procurar "These Ones Are Bitter" por meios alternativos e gratuitos, sem qualquer remorso - eu TENTEI comprar, ora, e as porcarias dos sites não aceitam meu cartão, então vou gastar os dez dólares em outra coisa e era isso. Acontece que baixar o disco de maneira escusa tem sido uma tarefa hercúlea; não sei o que Mr. Weasel fez, mas tenho a impressão de que tá rolando um filtro pesado que impede downloads via emule, Soulseek, torrents e os programas de sempre. Achei UM arquivo com o álbum, mas depois de baixar quase tudo, travou para sempre e não se mexe mais. Sigo na busca há três dias, e continuo.

Enquanto isso, ouço as cinco músicas que o próprio Ben Weasel lançou na rede pra promover o disco. Não vou comentar nada sobre elas até conseguir todas as quatorze canções do "These Ones Are Bitter", mas certamente isso voltará à pauta por aqui. Por ora, fico pensando se vai pegar pra valer esse negócio de comprar arquivos, e não CDs, e se vou passar por essa agonia em todos os novos trabalhos de artistas que eu gosto. Ainda prefiro de longe comprar meus discos e escutar na cama com o encarte nas mãos.

UPDATE: "These Ones Are Bitter" já tá na mão, de graça. Que o BOM PAI proteja o Rapidshare com todas as forças. Agradeço pelas dicas nos comentários deste post; agora vou escutar GIVE IT TIME no repeat até meus tímpanos chorarem vinho. Adeus.


EU = DDA

(02.07.2007)

Tava lendo a matéria que o Cardoso escreveu na última Void, sobre psicopatologias que assolam a juventude, e me apavorei quando cheguei na parte dos sintomas de DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção). Diz o texto:

SINTOMAS RELACIONADOS A DDA:

- Não prestar atenção a detalhes
- Ter dificuldades para concentrar-se
- Não prestar atenção no que lhe é dito
- Ter dificuldade em seguir regras e instruções
- Desviar a atenção com outras atividades
- Não terminar o que começa
- Ser desorganizado
- Evitar atividades que exijam um esforço mental continuado
- Perder coisas importantes
- Distrair-se facilmente com coisas alheias ao que está fazendo
- Esquecer compromissos e tarefas
- Não lembrar de sua refeição da manhã

Quando acabei de ler isso, fechei a revista. Desde O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO eu não me identificava tanto com uma descrição como isso aí em cima. Tirando a parte da refeição da manhã (que não me deixa claro se é lembrar do que comeu pela manhã ou se é algo sobre ESQUECER de comer) e dos detalhes (na real, freqüentemente me apego a UM detalhe e esqueço todo o resto; creio que isso seja um problema também), concluí que sou um caso fatal de DDA ambulante. Não sei o quanto devo me preocupar com isso ou se é só um detalhe que - adivinhe - não prestarei atenção.


por Cavinato - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus