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EMPILHANDO FILMES

(04.10.07)

Porto Alegre é mesmo uma coisa de louco. Passa-se meses inteiros no limbo e quando finalmente aparece algo imperdível, uma avalanche de outras coisas imperdíveis surge ao mesmo tempo. É o caso da rajada composta pelo FANTASPOA + Cassavetes + extras como a Bienal, todos no ápice da emoção durante as duas últimas semanas.

Como comentei no post anterior, quase tive um AVC tentando conciliar as programações do último final de semana. Além disso, compromissos profissionais fizeram com que eu falhasse fervorosamente na intenção de cobrir diariamente as atrações do FANTASPOA. Sem mais delongas, vamos a breves linhas sobre os filmes vistos até então:

- FACES, de John Cassavetes (28.09): o terceiro filme da mostra do genial diretor foi o que menos me impressionou até agora. O ritmo é ainda mais arrastado do que UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA e a sensação de que nada acontece é inevitável. Entre a falação praticamente ininterrupta entre os personagens da fita, sobram algumas cenas BRILHANTES, do nível das obras-primas do cara. FACES é considerado um dos melhores filmes do Cassavetes, mas achei cansativo demais para qualquer avaliação coerente. Enfim, o homem tem muito crédito por aqui e a chance de eu rever o filme até o final da mostra é bem considerável.

- ZOMBIE 3, de Lucio Fulci, Bruno Mattei e Claudio Fragasso (29.09): minha estréia no FANTASPOA deste ano foi com essa bomba atômica vista no sábado à tarde. A história é quase padrão: vírus que transforma cadáveres em mortos-vivos canibais gera o caos entre os vivos. Exemplar fatal dos filmes “tão ruim que é bom”, foi uma das sessões mais divertidas até agora, incluíndo PÁSSAROS ZUMBIS lavrando uma galera dentro de um furgão em movimento. Há tantas situações absurdas que levaria uns dez dias para cobrir tudo. Essencial. E ah, pobre Fulci, que brigou com os produtores e abandonou o filme no meio; os caras chamaram o terrível Mattei pra tocar a fita adiante e o resultado não podia ter sido outro...

- RATOS - A NOITE DO TERROR e PREDADORES DA NOITE, de Bruno Mattei (29.09): sim, TRÊS filmes de Bruno Mattei, o pior diretor italiano de filmes de terror em todos os tempos, no MESMO dia. Esses dois eu já tinha visto em vídeo anos atrás, mas uma sessão dupla disso não tinha como perder. RATOS é aterrador de tão ruim; basta imaginar um bando de mercenários armados até os dentes com medo de um punhado de raos que parecem estar nem aí para os caras. Em dado momento, um dos sujeitos, preocupado com o cerco feito pelos roedores, que rondam o grupo mas não atacam ninguém, exclama: “ELES DEVEM ESTAR BLEFANDO”. Ratos BLEFANDO. Não é difícil imaginar a quantidade de gargalhadas em chamas da platéia durante essa coisa. Coisa semelhante aconteceu durante a projeção de PREDADORES DA NOITE, o pior filme de zumbis feito pelo “mago”. Além dos péssimos diálogos, temos cenas roubadas de documentários do National Geographic e picotadas no meio do filme, sem nenhum critério ou sentido. Outro ponto positivo é uma criança zumbi sendo metralhada contra um carro de polícia. Genial demais.

BUBBA HO-TEP, de Don Coscarelli (30.09): Elvis não morreu e mora em um asilo nos dias de hoje. Aí uma múmia egípcia começa a matar os velhos do lugar e o próprio Rei precisa enfrentá-la. A sinopse é espetacular; soma-se a isso o diretor Coscarelli (que fez FANTASMA, um dos melhores filmes de terror dos anos 70) e temos uma expectativa lá em cima. E o filme é mesmo uma comédia de primeira, com uma atuação inacreditável de Bruce Campbell no papel de Elvis. Sério, é uma das performances mais flamejantes que vi nos últimos anos e ter sido ignorado pelo Oscar (falo sério) é uma falha tenebrosa da Academia. Quem não viu, veja e tire suas próprias conclusões.

MONSTROS, de Tod Browning (30.09): Não imaginava que um filme rodado em 1932 poderia ser tão atual e impressionante nos dias de hoje. Sensacional e ponto.

SANGUE DE PANTERA, de Jacques Tourneur (30.09): o último visto no domingo. Filme de monstro rodado sem grana e sem monstro em 1942, mas que compensa isso com muito CLIMA, coisa que as produções de terror de hoje em dia ignoram. Bom filme, mas nada que mude a vida de alguém. Na verdade, achei mais legal o debate com a Laura Cánepa antes e depois da projeção do que a própria fita.

Escrevo mais na seqüência, porque há pelo menos mais oito filmes pra ver no último final de semana do FANTASPOA. Stay tuned.

por Chiquinha - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus