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2008 - A VIRADA

(23.01.2008)

Fazia muito tempo que não ia pro litoral catarinense, acho que coisa de doze ou treze anos. Esse longo hiato foi quebrado no último Réveillon, quando um pessoal de Canoas alugou uma casa na praia da Ferrugem, pensando em passar a virada lá. Das doze pessoas que iriam pra lá, eu conhecia cinco.

Eu, Renan e Bóris, os três de férias, fomos os primeiros a chegar na casa, no dia 26, logo depois do Natal. A imobiliária, chamada DIEGO IMÓVEIS ou algo assim, parecia um festival de reggae: todo mundo sem camisa, visivelmente muito chapados e respondendo perguntas com delays de dois minutos. Retirar a chave foi uma verdadeira epopéia, mas nada se compara ao momento em que entramos na tal casa.

Alugar imóveis pela internet pode ser um desastre, como provou a empreitada até a Ferrugem. Abrimos a porta e o cenário era tão desolador que em poucos minutos a casa passou a ser carinhosamente chamada de CATIVEIRO. Havia dois quartos, cada um com uma cama de casal e uma de solteiro. Dentro de um deles, um colchão de casal adicional, totalizando oito lugares pra dormir. O estado de tudo beirava o inacreditável - parecia que um cavalo tinha mijado por tudo e que depois os colchões haviam sido deixados no sol por uma tarde, para em seguida serem trancados por dez anos dentro da casa sem luz ou ar. Depois de todo o processo de apodrecimento, lá estamos nós para usufruir do resultado.

Além disso, a casa tinha dois quartos para doze pessoas - que, como descobriríamos dois dias depois, eram na verdade QUATORZE. E UM, só UM banheiro. Quando achavámos que nada podia piorar, apareceram as baratas.

Mas enfim, fora os contratempos com a morada, a Ferrugem é uma bela praia e também um choque pra quem passou tantos verões em Noiva do Mar. Em seis dias na Ferrugem, vi UM velho e UMA criança, enquanto que a praia gaúcha parece ser o resultado de uma creche jogada no liquidificador junto com um asilo. O esporte oficial da Ferrugem é, por causa do público jovem, o surfe, enquanto que em Noiva a bocha predomina. A faixa etária do pessoal da Ferrugem também é a justificativa para a enorme e impressionante nuvem de maconha que cobre a praia durante as vinte e quatro horas do dia. Há também um hábito terrível e unânime de escutar PSY, TRANCE e esses troços insuportáveis num volume intolerável, o que aconteceu ininterruptamente durante minha estada por lá - às dez da manhã, todos os marrentos do lugar estavam sentados na varanda com seus carros tunados bombando batidas irreconhecíveis e gritando "URRU" a cada mínima variação nas músicas, que no geral duravam uns CINQÜENTA minutos cada uma. Nesse sentido, Noiva do Mar é muito superior, pois o cara pode dormir quando realmente precisa.

[É preciso dizer, no entanto, que Noiva do Mar teve um Réveillon agitado este ano. Parece que uns caras de MATO LEITÃO resolveram fazer uma RAVE na casa da esquina da minha rua e o vizinho da frente não gostou muito da idéia. Segundo testemunhas (meu irmão e amigos), a Brigada Militar foi acionada QUATRO vezes durante a noite, duas a pedido do tal vizinho e duas para conter o velho, que ficou em chamas e quase partiu para a violência contra os caras da rave, gritando "seus vagabundos, vocês DESTRUÍRAM MINHA FAMÍLIA!", em um exagero tipicamente italiano.]

Não há qualquer comparação possível entre a beira das duas praias. A Ferrugem é absolutamente linda, com uns rochedos sensacionais e água cristalina; já Noiva do Mar parece um desertão com toque depressivos, em especial quando não está lotada. Dadas as condições da casa, foi um alento e tanto encontrar uma beira tão genial quanto a da Ferrugem. Restou ficar lá oito horas por dia, empinando latas de Bud e dando bombas desajeitadas na água depois de bêbados.

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Se a Bud acabou, que venha a Brahma Extra.


12 ANOS DEPOIS...

(22.01.2008)

Comprei minha primeira e única guitarra elétrica em 1996. O modelo e a marca foram escolhidos de acordo com meu talento musical à época - não sabia nem quantas cordas tinha o instrumento; portanto, nenhum. Foi chegar na loja e falar "me vê a mais barata aí" para ser atendido de forma literal pelo vendedor, que me alcançou uma JENNIFER preta com raios azuis, a segunda guitarra mais constrangedora de todo o mostruário (o primeiro lugar sendo de outra Jennifer, de cor rosa-choque). Na foto abaixo, vemos eu, à direita, com a famigerada Jennifer em ação, no ACQUA, ex-LIQUID, em meados de 2003:

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É importante ignorar meu figurino altamente contestável e também aquilo que parece uma bolsa escrotal gigante pairando sobre o vocalista Zottis e o baixista Eduardo, no alto da foto, para prestar atenção no tamanho dos remendos que tive que colocar na Jennifer para conseguir tocar qualquer coisa sem destruí-la em pedaços.

Bem, os anos passaram, a banda da foto não existe mais e continuo com a guitarra horrível que abafa risos de vendedores, amigos, familiares e animais de estimação toda vez que seu nome é mencionado. E o pior é que a maldita quebrava o galho em estúdio sempre que era plugada em um equipamento decente, coisa que obviamente nunca tive.

Acontece que, de uns dois ou três meses pra cá, fui assolado por uma vontade incontrolável de voltar a ter uma banda e de contar de novo com os efeitos terapêuticos de se espancar uma guitarra bem distorcida - mesmo a minha Jennifer tristonha. Então, em um esforço sem precedentes, comprei a belezura abaixo:

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Esse Marshall de 50w tem pelo menos o dobro do tamanho que eu precisaria pra praticar em casa - colocar o volume no nível 2 de 10 significa ter as janelas do prédio vibrando por uma tarde inteira; no volume 3, eu provavelmente seria esquartejado por velhinhos na próxima reunião de condomínio. O que importa é que a caixa deu outra vida à guitarra péssima e espero que seja o empurrão que me faltava pra voltar a tocar VALENDO. Só escrevi uma única música até o final em toda a minha vida, mas é possível que isso mude logo. Sou limitadíssimo na guitarra e não canto muito bem, mas essas agruras adolescentes que aparecem de vez em quando não vão esperar a vida toda para virarem música.


CATUABA ÀS AVESSAS

(10.01.2008)

Meu irmão disse que viu esse troço à venda em Rainha do Mar.
A princípio não acreditei, mas agora vi que esse concorrente do Keep Cooler existe mesmo. Meu pai deu a conclusão fatal: o nome é de propósito para as pessoas rirem e comprarem pela piada. Fui obrigado a concordar com ele:

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INTER x INTER

(07.01.2008)

Ok que a Dubai Cup não valha nada exceto dois milhões de reais na conta do clube, mas o jogo de hoje à tarde entre o Inter daqui e a Inter de Milão me fez lembrar, e muito, a partida contra o Barcelona, em 2006. Novamente, o adversário era uma seleção do mundo (com quatro desfalques, antes que alguém venha falar), que dez dias atrás havia amassado o Milan do Kaká. A diferença entre o jogo de hoje e aquele contra o time de Ronaldinho é que dessa vez o nosso Inter jogou MUITO mais do que o adversário, e aquele gol de bicicleta do Nilmar no segundo tempo quase me causou uma demissão por justa causa por a) acompanhar jogo durante o expediente e b) pular feito entrecot na chapa por toda a sala de reuniões, que na hora tinha virado sala de tv, faltando apenas cerveja e amendoins para completar o espetáculo.
Pensei em marcar uma consulta imaginária num urologista ou algo mais constrangedor para conseguir o aval e me juntar a bêbados e desempregados em um bar qualquer, ambiente propício para apreciar a coisa toda durante o horário de trabalho, mas sabe, a honestidade sempre fala mais alto por aqui, e acabei vendo tudo na agência mesmo.

Por fim, tatuarei a cara de Guiñazu em tamanho natural sobre meu rosto, depois de ter visto o cara correr umas seis São Silvestres na partida de hoje. maior jogador que já pisou no Beira-Rio.

Nos próximos capítulos, paralelos traçados sobre a Praia da Ferrugem e Noiva do Mar. Stay tuned.


por Cavinato - 5 minute não-design de Gabriel - um blog insanus