
| home. arquivos: fevereiro08. janeiro08. dezembro07. novembro07. outubro07. setembro07. agosto07. julho07. junho07. maio07. abril07. março07. fevereiro07. janeiro07. dezembro06. novembro06. outubro06. setembro06. agosto06. | |
|
« 12 ANOS DEPOIS... | Home | TATTOO ME » 2008 - A VIRADA(23.01.2008) Fazia muito tempo que não ia pro litoral catarinense, acho que coisa de doze ou treze anos. Esse longo hiato foi quebrado no último Réveillon, quando um pessoal de Canoas alugou uma casa na praia da Ferrugem, pensando em passar a virada lá. Das doze pessoas que iriam pra lá, eu conhecia cinco. Eu, Renan e Bóris, os três de férias, fomos os primeiros a chegar na casa, no dia 26, logo depois do Natal. A imobiliária, chamada DIEGO IMÓVEIS ou algo assim, parecia um festival de reggae: todo mundo sem camisa, visivelmente muito chapados e respondendo perguntas com delays de dois minutos. Retirar a chave foi uma verdadeira epopéia, mas nada se compara ao momento em que entramos na tal casa. Alugar imóveis pela internet pode ser um desastre, como provou a empreitada até a Ferrugem. Abrimos a porta e o cenário era tão desolador que em poucos minutos a casa passou a ser carinhosamente chamada de CATIVEIRO. Havia dois quartos, cada um com uma cama de casal e uma de solteiro. Dentro de um deles, um colchão de casal adicional, totalizando oito lugares pra dormir. O estado de tudo beirava o inacreditável - parecia que um cavalo tinha mijado por tudo e que depois os colchões haviam sido deixados no sol por uma tarde, para em seguida serem trancados por dez anos dentro da casa sem luz ou ar. Depois de todo o processo de apodrecimento, lá estamos nós para usufruir do resultado. Além disso, a casa tinha dois quartos para doze pessoas - que, como descobriríamos dois dias depois, eram na verdade QUATORZE. E UM, só UM banheiro. Quando achavámos que nada podia piorar, apareceram as baratas. Mas enfim, fora os contratempos com a morada, a Ferrugem é uma bela praia e também um choque pra quem passou tantos verões em Noiva do Mar. Em seis dias na Ferrugem, vi UM velho e UMA criança, enquanto que a praia gaúcha parece ser o resultado de uma creche jogada no liquidificador junto com um asilo. O esporte oficial da Ferrugem é, por causa do público jovem, o surfe, enquanto que em Noiva a bocha predomina. A faixa etária do pessoal da Ferrugem também é a justificativa para a enorme e impressionante nuvem de maconha que cobre a praia durante as vinte e quatro horas do dia. Há também um hábito terrível e unânime de escutar PSY, TRANCE e esses troços insuportáveis num volume intolerável, o que aconteceu ininterruptamente durante minha estada por lá - às dez da manhã, todos os marrentos do lugar estavam sentados na varanda com seus carros tunados bombando batidas irreconhecíveis e gritando "URRU" a cada mínima variação nas músicas, que no geral duravam uns CINQÜENTA minutos cada uma. Nesse sentido, Noiva do Mar é muito superior, pois o cara pode dormir quando realmente precisa. [É preciso dizer, no entanto, que Noiva do Mar teve um Réveillon agitado este ano. Parece que uns caras de MATO LEITÃO resolveram fazer uma RAVE na casa da esquina da minha rua e o vizinho da frente não gostou muito da idéia. Segundo testemunhas (meu irmão e amigos), a Brigada Militar foi acionada QUATRO vezes durante a noite, duas a pedido do tal vizinho e duas para conter o velho, que ficou em chamas e quase partiu para a violência contra os caras da rave, gritando "seus vagabundos, vocês DESTRUÍRAM MINHA FAMÍLIA!", em um exagero tipicamente italiano.] Não há qualquer comparação possível entre a beira das duas praias. A Ferrugem é absolutamente linda, com uns rochedos sensacionais e água cristalina; já Noiva do Mar parece um desertão com toque depressivos, em especial quando não está lotada. Dadas as condições da casa, foi um alento e tanto encontrar uma beira tão genial quanto a da Ferrugem. Restou ficar lá oito horas por dia, empinando latas de Bud e dando bombas desajeitadas na água depois de bêbados.
21:01 | comentários (12)
| |