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maio 29, 2003

Darkness Uma nuvem negra estacionou

Darkness
Uma nuvem negra estacionou aqui dentro da minha cabeça. Não quer sair. Escureceu tudo. Medo. Até que ponto isso pode se intensificar? Fico observando. Olhar fixo, deixando ela contaminar tudo. Como ela realmente é boa nisso. De uma criatividade infinita. Ao mesmo tempo faz frio pra caralho e o vento que passa pelos furos na janela gela minha mão direita. A nuvem fica mais carregada e ir lá fora tomar vento gelado parece ser uma boa idéia. Venta forte aqui no bairro, sempre. Até que fico gelado e volto pro quarto. Lembro que me mexi, pra ir lá fora no vento. Foi o medo, o cansaço também. E ela nem se moveu. Nem um pouquinho só. Volto a ficar parado, olhando fixamente nela, como se a visse. Algumas músicas tocam e intensificam esse estranho exercício. Há um tipo de conforto nisso. Mas sei bem que não é nem um pouco agradável. Lágrimas e mais lágrimas são derramadas. Desabamentos. Lágrimas que encheriam um oceano inteiro, se todas as vidas fossem contadas. Lembranças, enganos, hábitos que perduram desde muito tempo atrás. Velhos conhecidos. Vamos lá, vamos ver, continuo olhando pra ela. Foram dias. E mesmo contaminado consigo por um instante lembrar que ela vai passar. Eu consigo lembrar, isso já aconteceu várias vezes, eu lembro. De todas as belíssimas canções que aquelas pessoas com senso estético e que juntam belas palavras já fizeram. Foram muitas, muitas. Dos pensamentos legais, das risadas no telefone, dos momentos incríveis, dos longos abraços, dos beijos bonitos, dos momentos maravilhosos, dos adjetivos. E o sombrio sempre irá voltar, assim, de novo e de novo, ãhn. Juntamente com as as tentativas de escapar, assim e assado. Alalá, faces da mesma moeda. Quantas histórias, quantas mágoas, quanta solidão esse pagode já produziu. Além da imaginação. Insuportável. E o céu lá. Sempre lá. Não muda nunca. Da mesma forma que escrever ou ler isso não muda nada. Pois é. E era uma vez numa praia nos Estados Unidos um velhinho engraçado que segurando sua cerveja fez um pequeno poema. "Eu vim com garras nas asas / Para estraçalhar a esperança e o medo."

E diz a lenda que o mundo inteiro tremeu.
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Posted by parada at maio 29, 2003 01:54 AM

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