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junho 16, 2003

Novidade é Ver TV Estava

Novidade é Ver TV
Estava completamente por fora do que se passava na telinha. Só agora que vim pra casa comecei a assistir um pouco de tevê. Até Jornal Nacional virou novidade, ao invés de apenas ser um pano de fundo pra comer, pra falta do que fazer ou para "descansar" jogado no sofá. Absurdo achar que quando está cansado fazer isso é a melhor escolha. É preciso aprender a fazer nada. Mas estava alí na frente da telinha querendo ver as novidades.

Fui trocando de canal até cair no programa Cidade Alerta na Record, apresentado pelo já ilustre Datena. Já conhecia a coisa, Datenão largando o verbo nos bandidos e fazendo papel de quem realmente estava muito indignado com a bandidagem. Transmitiam duas matérias ao mesmo tempo. Tudo ao vivo. Uma de um sujeito com problema psíquicos que ameaçava explodir a casa. Segurava um botijão de gás aberto e na outra mão um isqueiro. Um carro da polícia e um do corpo de bombeiro no local. E pelos ares o helicóptero do Cidade Alerta, ajudando a cobrir a matéria. A outra matéria era sobre um estuprador que foi encontrado e reconhecido por três das vítimas. Outro repórter estava na delegacia e fazia perguntas totalmente inúteis ao delegado e ao estuprador. Cobriam essas duas matérias por um bom tempo. Mudei de canal.

Caiu no programa Brasil Urgente na Band, apresentado pelo Milton Neves. Até então só sabia que ele era apresentador de programa esportivo. E estava lá o Miltão largando o verbo nos bandidos e fazendo papel de que realmente estava muito indignado com a bandidagem. Transmitiam duas matérias ao mesmo tempo. Tudo ao vivo. Uma de um sujeito com problema psíquicos que ameaçava explodir a casa. Segurava um botijão de gás aberto e na outra mão um isqueiro. Um carro da polícia e um do corpo de bombeiro no local. Um repórter no local acompanhava tudo de perto. A outra matéria era sobre um estuprador que foi encontrado e reconhecido por três das vítimas. Outro repórter estava na delegacia e fazia perguntas totalmente inúteis ao delegado e ao estuprador. Cobriam essas duas matérias por um bom tempo. Achei o máximo.

Os dois programas estavam transmitindo as mesmas coisa em total sincronia! Quando um mudava entre uma das duas notícias, o outro mudava. Fiquei pulando entre os canais e achando incrível. Até que na delegacia o delegado saiu e ambos os repórters correram atrás. Ele não tinha nenhuma informação pra dar, mandou os dois irem ler os papéis que estavam à disposição de todos. O cara estava de saco cheio com aquelas perguntas inúteis. Eram realmente inúteis. Só tinham esses dois repórters por lá, mais nenhum. Indo atrás do delegado eles se cruzavam, os câmeras se esbarravam, o fio dos microfones se enroscavam e as imagens dos dois repórters sempre apareciam em ambos os canais.

Todo num alarmismo ridículo. Como se fosse um locutor de futebol da rádio narrando um partida de golfe. Depois pensei que relevância aquelas duas notícias tinham pras pessoas, pra ficarem tanto tempo cobrindo. No quisito telejornalismo foi a coisa mais estranha que cheguei a ver. Fiquei sem entender qual é a sensação do momento.
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Posted by parada at junho 16, 2003 12:19 PM

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