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junho 24, 2003

Sem Sono Uma e cinquenta.

Sem Sono
Uma e cinquenta. Tentei dormir mas fiquei de olho aberto pro escuro. Deitar sem estar com sono é muito chato. Dormir chega a ser meio chato. Aquele sono pesado e profundo, tipo morte. Sem sonhos. TV tá um lixo, vim pro computador. Li uns blogs, cansei logo. Fui pra sala, pra cozinha, geladeira. Muita coisa, mas a barriga ainda tá cheia do xis tudo cavalo. Vinho, é lógico. Bebendo. O download já chegou? Ouvir música. Ambulance Blues, Neil Young. É realmente bom, Natas. Obrigado por ir dormir com o barulho do computador ligado. Uma semaninha pra ir pro Sul. Um pouco ansioso. Ainda não me acostumei com a coisa. Ainda não sei se fico algum dia em Porto Alegre. Sempre é interessante. Hmmmm. Fui ver minha outra vó. Conversamos sobre quando ela morava na fazenda. Matava galinha e até porco. Ovelha nunca, nem come carne, olho brilhou de pena quando falou das ovelhas. Ela me disse que de uns 20 anos pra cá o tempo parece estar passando muito rápido. Perguntei se era a televisão, ela disse que não, que não sabia o que era. Mas o tempo estava correndo muito depresa. Concordei com ela, estou com essa sensação também, e cada vez mais isso me dá vontade de parar pra ver as coisas mais em câmera lenta. É uma correria tremenda a vida hoje. Mesmo a de seres vagabundos. E eu quero ver ela passar. Um dia, uma vida. Preciso usar menos o computador, ler menos livros, falar menos futilidades e mandar ver nas coisas que aumentam o tempo e aumetam a satisfação. Ouvir histórias de conhecidos e ficar imaginando cada história de cada pessoa. Como as pessoas vão construindo suas histórias. Ouvir histórias alguém que vi crescendo se afundando nas drogas. Ficar lembrando do cara criança e então crescendo e ser subjulgado pelos pactos de mediocridade que o cercam. A família do sujeito, a mãe. Rezar. A vida é a prática, a prática é a vida. Acordar cedo sem ter dormido bem é um lixo. Às vezes parece que só quando esgotado consigo pensar com alguma lucidez. Ou é apenas baixar todas as armas pesadas de se carregar? Sem essa agora. Vinho vai melhorando com o passar das bicadinhas. Estou feliz. A gente é sempre mais feliz do que imagina, isso pode ser verdade. Se for sempre balanceado com a vontade de sempre superar os falsos contentamentos enraizados, os conhecidos e os secretos. Ir adiante sem nunca sair do lugar, maravilha. Duas e quinze. Secou o copo. Ah. O fundo branco do WordPad deu uma cansadinha nos olhos. Tentar dormir. Poderia só fechar isso aqui, mas vou postar no blog, cru assim, sem motivo algum. Como muitas coisas acontecem. Boa noite.
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Posted by parada at junho 24, 2003 02:30 AM

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