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agosto 22, 2003
Parada Standup Comic Descobri a
Parada Standup Comic
Descobri a fragilidade das mulheres muito cedo. Bem, durante o colegial. Quando numa gincana da escola, eu estava sentando em um bando e vi um amigo enorme e forte conversando com uma menina bem magrinha na minha frente. Até que ele fez alguma piada qualquer comigo, o que só me chamou mais atenção da cena dos dois alí. Quando eles se voltaram pra mim mais uma vez, resolvi fazer um comentário engraçadinho porém cheio de ingenuidade. Disse algo como: Engraçado ver vocês dois conversando. Me lembrou quando o Brutos e a Olivia Palito se encontram. E quando percebi a moça já estava iniciando uma crise de choro e então saiu correndo. Fiquei chocado e fui atrás da menina. Precisava fazer alguma coisa. A encontrei no fundo de uma sala, chorando. Tentei dizer algo e ela só tentou xingar no intervalo dos soluços então fui embora. Ela ficou lá, cercada pelas amigas. Mais tarde fiquei sabendo que ela ficou sem participar de uma prova da gincana, porque era uma dança e se usava saia para a apresentação. Essa história já ficou mais deprimente do que engraçado, tudo bem. O fato é que nunca participei dessas gincanas escolares. Coisa que me fez famoso por ser o único aluno a fazer isso. Lembro das professoras preocupadas comigo. Mas sempre me pareceu muito ridículo ficar correndo, suando e gastando energia para cumprir provas ridículas como achar a maior abóbora em tantos minutos. Nessa época eu preferia gastar força pra colocar uma bola dentro de um cesto alto. Mas eu sempre passava na escola pra ver a movimentação. Um vez fui quando estava quase acabando e começaram a fazer uma homenagem pro Julinho, um cara muito querido por todos (especialmente pelas gatas) que morreu em um acidente de carro, por causa de uma capivara na pista. A mãe dele tava lá no palco e no final das contas quase todo mundo estava chorando e quando foi anunciado o vencedor da Gincoc (lembrei do nome da gincana) fui aquela alegria besta. Lembrei disso poucas linhas atrás, que coisa. E, porra, eu ia escrever algo engraçado, juro. Até perdi o clima, agora. Mas o fato é que a menina magrinha chorou muito aquele dia e eu fiquei baita constrangido e sem graça. Acho que esse fato foi crucial para que no futuro todas as mulheres decidirem descobrir quais eram todas as minhas fragilidades. Ok, acabou e isso não ficou nada engraçado. Isso que dá inventar de fazer a digestão no computador. E olha que cheguei a colocar o título de primeira. Pensando bem, é preciso de uma realização extra pra ficar postando coisas desse tipo. Um serviço a comunidade de humildade pública.
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Posted by parada at agosto 22, 2003 02:07 PM
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