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outubro 11, 2003

O Sósia do Cony Ainda

O Sósia do Cony
Ainda sentado na horripilante rodoviária de Campinas, quando o ônibus chegou, avistei pela janela um senhor de nariz grande e um bigode curto como o do Hitler. Pensei na hora Caralho, é o Carlos Heitor Cony no ônibus indo pro interior. Com uma ponta de dúvida se era ele mesmo. Entrei por último no ônibus e o único lugar vazio era ao lado dele. Que era o meu assento 28. Iría ter que descobrir se era mesmo o Cony. Ao me sentar, disse com ênfase Boa noite. Ele ficou olhando pra mim com aquele ar blasé e não disse nada. Hah, é o Cony mesmo. E quase até sair da cidade fiquei quieto na minha. Então sem mais nem menos ele diz “Você também tem esse problema com as pernas?” “Sim, é ruim. Ainda mais que sou alto.” “Eu também sou alto, tenho um e noventa”. Hm, o Cony que eu conheci era bem mais baixo. Tá indo pra onde... desculpe, qual o nome do senhor? Carlos. Tô indo pra Ituverava. Ainda não sabia se era o cara. Mas puxei alguns assuntos e percebi que o intelecto dele não batia muito. Nem era tão ranzinza. “Faz o que em São Paulo?” “Sou aposentado, já.” Ih, nem é. Então comentei de sua incrível aparência com o Carlos Heitor Cony. Ele não expressou reação alguma e disse que ouve muito a CBN e que um dia na tevê viu o Cony e ficou pasmo. “Eu quase achei que eu tinha um irmão gêmeo de verdade. Parece muito, né.” E soltou uma risada inglesa. “Já comentaram isso com o senhor?” “Nunca, mas eu vi ele num canal de televisão que não lembro qual é, viu, e achei que era meu irmão.” Horas se passaram, o ônibus parando no posto, eu acordando com a cara de perdido e o seu Carlos “Mas olha que você parece o Kaká.” Barbaridade que cheguei a ouvir algumas quatro vezes vinda de mulheres. O que não foi nada menos absurdo quando o Monty, Mari e sua turma encanaram que eu sou igual ao Anakin Skywalker (sobe BG risadas). Até hoje desconfio que seja piada dessas pessoas, que ainda não entendi. Mas vim bem, consegui dormi, ao contrário do seu Carlos, que ficava colocando a blusa de lã em cima de sua leve calvice devido ao vento do ar condicionada que escapava lá de cima. Pessoa agradável e engraçada. Desci e peguei carona com o Danijapa que não via há anos. Carona que rendeu poucos metros, quando vi a cabeça do meu pai se mexendo dentro do carro a me procurar.
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Posted by parada at outubro 11, 2003 04:31 PM

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