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outubro 20, 2003

Trechos da Semana do Saco

Trechos da Semana do Saco Cheio
Não fiquei muito tempo na frente do computador. Acordava cedo e ia nadar. Aproveitando pra ficar vendo moças desfilando de bikini e até conversar com algumas. Ouvir conversas de jovens namorados, tomar sol e guaraná. Ganhar maior ânimo para o resto do dia e dores pelo corpo todo. Foi divertido.

Toda tarde levava minha vó na fisioterapia e depois em qualquer lugar que ela queria. Geralmente ficavamos andando de carro pelas ruas de São Joaquim. Só pra ver o movimento. "Ficar entrando e saindo do carro toda hora é muito sacrificio." Velhice não é fácil. Ainda mais quando de uma hora pra outra não se pode fazer tudo que se fazia antes. Coisas simpes como subir degraus, sentar e levantar agora precisam de um esforço enorme para serem feitas. Você consegue tocar a ponta do seu nariz? Minha vó continua um exemplo mesmo depois do derrame. Ainda nos presenteia com seu ótimo senso de humor e sorriso. Ainda tem a mania de sempre agradecer por tudo. E acho isso bastante incrível. Quando fico doente por uma coisinha de nada, nem converso com as pessoas nem quero vê-las. Paciência e humor zero. Isso é com quase com todo mundo. Já ficar velho é ficar doente o tempo inteiro. E percebi que a maneira como a pessoa levam sua vidas influencia muito em como essa pessoa vai viver sua velhice. Foi legal passar as tardes com ela. Um dia ela quis visitar sua irmã, que tinha caido e quebrado a perna. A outra também estava lá. Recém chegada de São Paulo. Coração. As três conversaram bastante e as duas riram muito de algumas frases da minha vó. Tia Mafalda rindo é muito adorável. Tampa a boca com as mão - e ficava olhando pra mim assim. Na tv passava algum programa evangélico, depois trouxeram água benta. Tomei um golinho. Nesse dia jantamos pastéis. Muito gostoso. Lá da Celina.

Passar essas tardes com minha vó me lembrava da tristeza que impregnou na família quando ela estava internada. Como o clima ficou pesado, terrível. Então, por uma questão de lógica, agora não deveríamos ficar felizes com a mesma intensidade de quanto estávamos tristes? Era o que eu me lembrava às vezes.

Jantar em casa também foi novidade. A pizza do Medalhão está ficando difícil de enjoar. Pizzas tem que dar pra comer com a mão. E a de lá é perfeita pra isso. Prato clássico da janta. Comemos também as esfirras do Hamib. Não Habibs. Hamid. O ex-soldado do exército da Líbia que fugiu de seu país e foi parar na Argentina, onde conheceu uma brasileira de São Joaquim da Barra. Altas histórias. Daria um livro. Belas esfirras abertas que nem lembrava ser tão boas. Uma noite dessas o programa do David Letterman juntou minha família inteira na sala. Mas acho que só eu e meu pai nos divertíamos com as piadas. Computadores, televisão e aparelho de som faz com que todos dentro de uma casa fiquem separados em seus cantos quase o tempo todo. Percebi isso quanto todos nós ficamos impressionados de nos ver reunidos na sala. Vi o Olivie um dia só, pena.

Os livros, revistas e filmes que levei voltaram como foram. Se bem que revi com minha irmã o Annie Hall, Stardust Memories, Everyone Says I Love You e o Being There. Que foi o que mais gostei de rever. Que mais? Muito mais, mas por aqui é só.
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Posted by parada at outubro 20, 2003 03:52 PM

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