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novembro 26, 2003
Capinador de Palavras (...) Eu
Capinador de Palavras
(...) Eu deito em seu colo e ele faz carinho na cabeça. Sinto responsabilidade no jeito como enrola meus poucos cabelos. A mão pequena e, ao mesmo tempo, enorme. É como se não houvesse nada tão importante no mundo do que aquilo. Eu não sei desistir porque a vida se aproxima com intimidade e conhece o que está dentro do nome. Ele grita cada vez que o trem parte da estação. Aponta o dedo e diz "trem", sua primeira palavra pronunciada, destino e estação. Bate três vezes nas costas em todo abraço. O que mais gosta de receber é um par de sandálias. Solta uma ladainha de batismo dos pés. Dança com desenvoltura, mexendo os quadris e dando voltas e giros, como alguém que poda a planta do vento para crescer mais. Escolhe os próprios cds que pretende ouvir. Prefere assistir MTV do que desenhos. Os passeios começam com a visita ao cão preto do bairro, adormecido no carpete da padaria. Quando está com fome, desenha círculos nas folhas. Quando está com sono, coloca os pés sobre os meus, uma escada. Meus ouvidos se ajoelham para erguê-lo.
É agradável ler o poeta Fabrício Carpinejar. O trecho acima é é de um post sobre seu filho pequeno. Chega a dar vontade de estar no lugar dele. Vejam só o poder das palavras.
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Posted by parada at novembro 26, 2003 12:56 AM
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