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novembro 25, 2003
Casamento do Nathan Nesse final
Casamento do Nathan
Nesse final de semana que passou fui ao casamento do Nathan Moore, meu melhor amigo lá dos quinze anos. Virou meu vizinho sete anos atrás. Quando seu pai se mudou para o Brasil como missionário de uma igreja batista americana. Lá onde a maioria é batista. O nome dele é pastor Daniel, e com certeza o pastor mais legal que conheci e conhecerei. Contava histórias de sua juventude como chefe de gangues e de brigas feias com correntes, mostrava cicatrizes e tal. Isso sentado na calçada à noite, na rua tranqüila que quase não passava carro, quando eu e o Nathan estávamos exaustor de tanto jogar basquete o dia inteiro. Mas não lembro como ele se converteu e virou pastor. Seria por causa da mulher dele, que é muito bonita? Talvez, não lembro. Mas o cara é muito legal e bondoso. Só me chamou umas duas vezes pra freqüentar a igreja. Que ele ajudou a construir com os próprios braços. Eu agradecia e dava alguma desculpa pra não ir, e ele não chamava mais. Isso sem problema algum, continuava frequentava direto sua casa. E onde já se viu, eu era fã de Bad Religion na época. O Nathan me chamava pra ir lá quando ia ter churrasco, porque sabia que eu ia. Churrasco de hamburguer, salsicha, bacon, etc. O pastor Daniel faz ótimos hamburguers, usa diferentes tipos de carne moída para montar um, maldito americano. Comia a tarde inteira e só ouvia uns vinte minutos de pregação, tranqüilinho. Fiquei amigo do Nathan mais por causa do basquete, eramos totalmente fissurados. Tinhamos umas quinze VHS cada de jogos e especiais da NBA, que viamos e reviamos até a exaustão. Comemoravamos com o mesmo lance umas vinte vezes. Era como gravar um jogo de futebol e gritar gol toda vez que se revia o dito. Estúpido, mas a gente se divertia horrores. Com a igreja já estabelecida, a família dele voltou aos Estados Unidos. Além dos amigos, o Nathan deixou pra trás sua namorada, muito bonita. Depois disso das poucas vezes que conversei com ele pelo telefone ele dizia "Aqui nos Estados Unidos as meninas bonitas usam bermudão de rapper, o resto são gordas. Acho que não existe um lugar com tanta mulher bonita quanto no Brasil". Eu ria e acreditava nele fácil.
Então nesse final de semana, depois de pequenas visitas do Brasil, ele voltou pra casar com a Thalita. Na Igreja Batista Independente de São Joaquim da Barra. Fui convidado, claro, e esperava um casamento comum, chato, com todos os clichês que fazem parte da cerimônia. Mas acabou sendo o casamento mais legal que já fui (sim, eu vou em alguns). Pra começar a música ambiente era agradável. Piano, violão, violino, clarinete e flauta doce. Sem louvores verbais. Só música. Num ritmo quase country. Às vezes eu ficava encarando a jovem alta do violino, tentando extrair dalí algum tipo de diversão a mais. A igreja é simples mas bonita, não tem imagens nas paredes, estava lotada de fiéis.
A cerimônia começa com o pastor local entrando segurando a bíblia na altura do peito, com a face que mistura seriedade e sobriedade. A cena d'O Homem da Bíblia. Massa. Nesse momento alguém atrás de mim falou Esse é meu pastor, foi engraçado. Padrinhos, parentes e o noivo no altar que esperou a porta fechar e abrir pra ver a noiva finalmente entrar. Logo no começo deu pra perceber que não era algo tão formal, o pastor fala com naturalidade, sem aquele distanciamento do padre com os noivos da igreja católica, já que esses fazem até cinco casamentos por dia. Lá os dois eram queridos de todos. O pastor citou alguns trechos da bíblia e deu conselhos, alguns com exemplos estranhos. "Terá dia que você chegará em casa, irmão Nathan, e encontrará ela chorando, sem motivo algum aparente. Irá querer saber o que aconteceu, mas ela não terá explicação. Apenas quer chorar. E nesses momentos você terá que ter paciência com ela e entender." O Nathan está mais nervoso, ela mais calma, até cantou uma música pra ele. Que de diferente só fez algumas brincadeiras durante como dizer que não ia cantar, algumas caretas de nervoso e o enxugar o suposo suor na testa quando ela disse o "sim." Na hora do beijo, um selinho rápido fez com que seu pai dissesse "Mas só isso?" Comprimentos sinceros no final e outro convite pra ir visitar eles lá, a casa dele está de portas abertas quando eu quiser. Pessoas diferentes e legais.
Tempos atrás era impossível eu imaginar indo em algo do tipo tranquilamente, tamanha a arrogância que me acompanhava aonde eu ia. Algo que muitas pessoas inteligentes são fiéis em praticar. Até achei bonito em alguns momentos, como quando o pastor Daniel agradeceu a Deus por tudo que ele tem dado de bom pra sua família e quando fez aspirações que o mesmo aconteça pro seu filho e agora sua esposa. Com muita simplicidade e sinceridade, algo do coração. A sensação de estranheza ficou mesmo pra quando eu vi o irmão menor do Nathan, o Daniel. Fazia muito tempo que não o via. Da última vez ele ainda era pequeno e ficava o dia todo ao redor da gente andando de skate e patins, tomando tombos incríveis pra levantar e tomar outros tombos incríveis, pra só acalmar quando algum desse o fizesse chorar. Ele tá alto, nem preciso me curvar tanto pra dar um abraço nele, e nem dá mais pra levantar ele com um braço só. Estranho ficar olhando pra cara dele e lembrar da pessoa que ele era na infância. Ele continua legal, queria ter conversado mais com ele. Falei pro pastor residente de São Joca que foi muito bonito e ele agradeceu, sem me convidar pra aparecer lá. Bom senso. Pena que tinha que ir embora no dia seguinte, não deu pra conversar mais com eles. Talvez os encontre outra vez. O pastor Daniel já marcou da próxima de aparecer lá em casa.
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Posted by parada at novembro 25, 2003 01:27 PM
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