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novembro 05, 2003
Chame-me Pelos Meus Nomes Verdadeiros
Chame-me Pelos Meus Nomes Verdadeiros
Não diga que parto amanhã
porque hoje mesmo ainda chego.
Olhe bem: chego a cada instante
para ser o botão num ramo na primavera,
para ser o pequeno passarinho, de asas ainda frágeis,
aprendendo a cantar o meu novo ninho,
para ser a lagarta no coração da flor,
para ser a jóia que se esconde na pedra.
Chego ainda para rir e para chorar,
para temer e esperar.
O ritmo do meu coração é o nascimento
e a morte de tudo que está vivo.
Sou a efemérida que se metamorfoseia à flor d'água
e sou a ave que , quando vem a primavera,
chega a tempo
de comer a efemérida.
Sou a rã que nada feliz na água limpa de um lago,
e sou a cobra que, em silenciosa
aproximação,
vem se alimentar da rã.
Sou a criança de Uganda, só pele e osso,
com as pernas finas como bambus,
e sou o traficante de armas que vende a
morte para Uganda.
Sou a menina de doze anos, refugiada num
pequeno barco,
que se atira ao mar depois de ser violentada
por um pirata,
e sou o pirata, com o coração ainda incapaz de ver
e de amar.
Sou um membro do politburo, com muito poder nas mãos,
e sou o homem que tem de pagar sua "dívida de sangue"
ao seu próprio povo,
morrendo lentamente num campo de trabalhos forçados.
A minha alegria é como a primavera,
tão doce que faz brotar as flores em todos
os caminhos da vida.
A minha dor é como um rio de lágrimas,
tão forte que enche os quatro oceanos.
Chame-me pelos meus nomes verdadeiros,
por favor,
para que eu possa ouvir de uma só vez todo o meu pranto
e todo o meu riso,
para que eu veja que a minha alegria e a
minha dor
são uma só.
Chame-me pelos meus nomes verdadeiros,
por favor,
para que eu desperte,
e para que a porta do meu coração possa ficar aberta,
a porta da compaixão.
--Thich Nhat Hanh
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Posted by parada at novembro 5, 2003 02:35 AM
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