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dezembro 09, 2003
A Criança no Tempo Eu
A Criança no Tempo
Eu nem cheguei a gostar tanto de O Jardim de Cimento. Ficção violenta demais não me atrai tanto, mesmo ela sendo uma obra-prima. Mas lembrando da pegada do autor e imaginando ela em A Criança no Tempo (Ed. Rocco, 250p.) acabei comprando mais um livro de Ian McEwan.
Logo no início da narrativa, Stephen, um escritor de livros infantis, perde sua filha na fila do supermercado e não a encontra mais. De cara McEwan mostra seu poder com as palavras e sua falta de educação. Ele não pede licença pra causar uma forte apreensão no leitor, nem sequer nos prepara pra isso. Teme-se o livro continuar assim pra pior, mas não é o que acontece. A história segue com num ritmo bem dosado de emoções. Sorte nossa.
Ao invés de usar todo seu poderio com as palavras, McEwan usa um tipo de silêncio pra ilustrar o sofrimento de Stephen e sua esposa. O livro segue mostrando como ambos lidam com a relação tempo-espaço com a memória da filha. De quando esquecemos que aquilo que nos deixa mais feliz é aquilo que também pode dilacerar nossas vidas. Entre isso há algumas críticas às instituições - Stephen faz parte de uma comissão que discute educação infantil (puericultura), algo que apenas lhe dá sono e tédio - que aumenta o volume do livro numa narrativa não-linear.
Mesmo sendo forte, A Criança no Tempo não é um livro perverso. Uma imagem que acompanha o autor e que eu mesmo tive de seu primeiro livro. É só então o retrato do sofrimento de uma família adorável que perde sua preciosa filha. O que acontece durante os anos e o que eles fazem para se curarem disso, ou melhor, para continuar vivendo com isso. Li em uma semana. Bom livro.
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Posted by parada at dezembro 9, 2003 02:04 PM
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