« Decora Well you are in | Main | Aniversário do Chedid Depois da »

dezembro 28, 2003

Bacalhoada no Tio Mauro Que

Bacalhoada no Tio Mauro
Que balada o quê. Ficar bebendo litros de cerveja entre outros tipo de bebidas ruins. Ou então comendo carne dura com pão e vinagrete e dá-lhe litros de cerveja que só servem pro sujeito passar o dia seguinte reclamando da ressaca, da dor de cabeça, da caganeira, e tem o remorso também, meu deus, que horror. Um bando de gente junta assim no mesmo estado, vish. Coisa de pobre, e sendo assim, merece desprezo.

Mas pensando bem eu é que tenho sorte de poder participar de uma jantar com poucas pessoas da família e a comida ser digna dos melhores restaurantes do Brasil. Nem toda família tem um chef de primeira classe à disposição - ele pode abrir seu restaurante em São Paulo que vai dar certo fácil. Bem, ontem teve bacalhoada no tio Mauro. Que por si só já comanda na cozinha e tem a manha de fazer até de cachorro-quente um prato fino. Ele ajudou na bacalhoada, mas o chef principal foi seu genro, o Mazinho. Que filha duma mãe, o Mazinho.

Nem sou fã de bacalhoada. Geralmente não como quando feito por qualquer um. Só pego umas batatas e pronto. Mas a de ontem era especial, já sabiamos disse antes de sair de casa. Que delícia. Não é a toa que o Mazinho é um estudioso. Já leu vários livros. Disse que conhece mais de quarenta receitas de bacalhoada e que pegou vários detalhes de cada uma pra compor aquela. Lê revistas, se intera do assunto. É um mestre. Cozinha com paciência e no caso é de importância máxima - pra desalgar os filés. Tempero perfeito. Filha da mãe. Repitam, família - Filho da mãe. Nunca comi uma bacalhoada tão boa e nem consigo imaginar uma melhor.

Além do prato principal, outra parte importante no jantar foi a escolha do vinho. Cada um adequado para cada tipo de prato. Eu que até então não gostava muito de beber junto com a comida entendi que realmente, vinho é feito pra servir como acompanhamento de um prato. No caso, vinho tinto verde, que está sendo chamado de novo vinho pois não passa por todo aquele longo processo, era o apropriado. Antes tomei um tinto normal, que é delírio mas bastante encorpado para uma bacalhoada. O tinto verde tem uma textura que lembra um pouco champagne, bastante diferente e bom. A combinação estava tão boa que eu quase começava a rir do nada e a ter impulsos para dizer xingamentos ao realizador da façanha. Uma boa cena foi a do meu pai comendo e o Tio Mauro perguntando o que ele tava achando da horrível orquestra espanhola que tocava na vitrola da lavanderia. "Muito bonito, muito bonito" dizia olhando para o prato e com a boca cheia. Muito bonito, muito bonito...

E tudo naquela mesa bem feita, com copos e pratos bonitos, de dar gosto. Esse pessoal de meia-idade sabe mesmo o que é se divertir. Não se gastou muito e foi algo digno de reis. E depois pode continuar bebendo o vinho até o fim dos tempos que a barriga está forrada e nunca vai fazer mal. E no dia seguinte, como agora, você estará bem e feliz.
--------

Posted by parada at dezembro 28, 2003 02:08 PM

Trackback Pings

TrackBack URL for this entry:
http://www.insanus.org/mt/mt-tb.cgi/6726

Comments

Post a comment




Remember Me?

(you may use HTML tags for style)