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dezembro 16, 2003

Budapeste Sempre ouvi falar super

Budapeste
Sempre ouvi falar super bem do Chico Buarque. De sua inteligência e de suas maravilhosas músicas cheias de sofisticadas construções poéticas. Isso vindo dos mais variados tipos de pessoas. Dos fãs de sertanejo até os intelectuais mais grã-finos. O suficiente pra eu achar um lixo e nutrir um belo preconceito pelo cara. Além do mais que ele me lembra as palavras como "bossa nova", "boêmio", "comunista", "tropicalistas" - que sei que ele não era, etc. O fato é que nunca prestei atenção nas músicas do cara. Devo conhecer várias por ter ouvido na mídia, mas de cabeça agora não lembro de nenhuma. Com um certo orgulho que os ananases sustentam por serem ignorantes. Algo burro demais.

Mas agora pelo menos conheço seu terceiro livro, o recém lançado Budapeste (Companhia das Letras, 174p). O romance que conta a história do escritor anônimo José Costa que vai até Istambul para um congresso de ghost writers. Que é o sujeito que escreve para que outro assinem. Pulando de lugares e em viagens, histórias são contadas. A de sua mulher e filho no Rio, a de sua professora de húngaro que ele acaba tendo um romance, e a sua própria, cheia e sentimentos de estranheza, de fama e esquecimento, e o mais comum de todos que é se sentir um estranho no mundo.

O livro não traz nenhuma grande mensagem. O bom é desde a primeira parte até a última, em pequenas doses, em pequenos trechos e detalhes. E como ele faz isso muito bem, tem uma ótima narrativa. Com um ritmo agradável de ler, um estilo falso-leve, como diz na orelha o Luis Fernando Veríssimo. E vários bons momentos. Adoro quando o José Costa diz aleatoriamente palavras em português só pelo prazer e saudade de pronunciá-las. O final faz com que você passe alguns minutos vivento sobre a finesse narrativa do Chicão. E é uma pena que acaba.

Eu gostei pra caramba. Assim como sua música, o livro parece ter o poder de agradar à todos. Menos àqueles, claro. Uma leitura agradável, falsa-leve e rápida. Matei em quatro dias geralmente lendo antes de dormir. Eis um belo presente pro Natal.
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Posted by parada at dezembro 16, 2003 01:27 AM

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