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dezembro 19, 2003
Churras nos Waldevino Eu tinha
Churras nos Waldevino
Eu tinha quase certeza que em pleno meio-dia, quando cheguei em Campinas ontem, o Walter estaria dormindo e não rolaria uma refeição merecedora. Eu teria que almoçar em algum lugar como a padaria, mesmo. Mas não. Liguei lá e recebi de cara um "Tá afim dum churras?" Sempre. "Então desce aí." Tô indo!
Desci os duzentos metros pensando que ou iríamos a um rodízio ou a casa do Walter estaria cheia de jovens filósofos e um cineasta. Nenhuma das alternativas. O churrasco seria lá mesmo, na churrasqueira ao lado do ar-condicionado. Só que os convidados seriam nada menos que a Família Waldevino. Diretamente da viagem de dois dias de carro do Nordeste até Campinas. Nunca tinha tido a sensação de honra por participar de um churrasco.
Só pela presença eu já estaria satisfeito, mas ainda tinham as comidas. De início petiscos de pizza e queijo. O tempero extra da pizza estava ótimo. Me senti comendo camarão num restaurante bom do nordeste. Tempero é tudo. Enquanto isso Walter espetava toras de carne e lingüiças. Nas poucas conversas entre eu e meu amigo, a história de um escocês que foi ao Sul e ficou chocado com o tamanho das peças de carne que a gente coloca pra assar. Nunca tinha visto. Tirou fotos, etc, o comedor de batata.
Com todos já na mesa mandando ver, permanecia em pé, ao lado da churrasqueira, em frente o ar-condicionado, em respeito ao Walter que trabalhava nas carnes. Mas logo percebi que ele não ia se sentar muito cedo e decidi fazer companhia pra Kátia na mesa. Salada com aquele tempero, farofa com aquele tempero, arroz com aquele tempero, feijão preto com aquele tempero, bolinho de espinafre que é demais, e as lascas de carne que o Walter ia tacando em meu prato e dizendo baixo Essa tá boa. Só não experimentei o suco de açaí que tinha laranja, limão, abacaxi, manga, e mais uns cinco tipos de frutas. A mãe do Walter deu uma bicada, olhou pra mim e com sua fala calma e imperturbável disse baixinho: Ai que horrível. Por isso não experimentei, mesmo com a insistência da irmã do seu Waldevino. Como os pais do Walter são legais.
Como ninguém mais pegava as carnes que repousavam no pratão escrito "churrasco", continuei. Comi bastante. O Walter comeu pouco. Beliscou, e depois ficou dizendo que comeu horrores, o sulista. Mas esse não é um momento para críticas, é de agradecimento. Depois na sobremesa ele comeu umas sete tacinhas de mousse de macarujá com sorvete de manga feito em casa. O mouse tava tão bom que eu nem quis experimentar o sorvete. Melhor mouse do mundo. Uma delícia, eu repetia mentalmente com o sotaque de francês.
Depois fomos descansar e o Walter ficou dizendo no colchão com a Kátia: "Ai, amor, que sensação ruim. Ai, amor, como dói meu estomago". E a gente ficou falando coisas e às vezes rindo até seis da tarde. Me despedi e dissemos Até fevereiro. Acho que dessa vez não vai ter como não passar em Porto Alegre. Mas tá longe demais, fevereiro ainda é algo muito improvável. Foi muito bom o churrasco. Belo presente pela viagem besta. Fiquei honrado. E até pude marcar na conta os R$ 100,00.
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Posted by parada at dezembro 19, 2003 12:44 PM
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