« Munha virou Negro Fotos do | Main | Otimismo Ao receber excremento de »
dezembro 22, 2003
Vidas Passadas, ontem Ontem, fazendo
Vidas Passadas, ontem
Ontem, fazendo caminhada na avenida (não há necessidade de nome já que é a única da cidade) achei que estava na hora de voltar quando o cheiro de bosta de vaca e as próprias nos acompanhavam pelo trajeto. A Flávia até desejou ter uma câmera pra tirar uma foto minha andando com a vaca de fundo. Descendo pra casa resolvemos passar na praça pra prestigiarmos nossas panças na festa beneficiente do Lion's Clube, a famigerada Festa da Pizza. A praça tava muito lotada. Não tinha nenhuma mesa vazia sob a enorme tenda armada em frente a escadaria da igreja matricial. A Flávia até tentou correr pra pegar uma, mas outras pessoas foram mais rápidas. A salvação foi que eu vi umas amigas dela e sentamos na mesma mesa pra descansar as pernas duras e nos preparar pra comer.
A fome estava grande e as pizzas bonitas. Não pedimos de cara, só pra fome aumentar e então o prazer de comer. Passou o tempo e pedimos ao garçom engraçado a clássica de calabreza. E dá-lhe espera. Até que chamei o mulato sorridente e questionei sobre o paradeiro da minha pizza. Ele apenas me perguntou de volta se não tinham me entregado, o engraçadinho. Ele foi buscar mas voltou com as mãos vazias, e primeiro deu a notícia para a família ao lado. E depois pra gente, que as pizzas tinham acabado. O sorriso que ele sustentava me deixou com uma certeza enorme de que era piada dele. Só depois que perguntei umas nove vezes fui acreditar em sua notícia. Não era pegadinha. Me senti muito mal, desanimado e humilhado. Não aceitando a situação fui até o balcão choramingar. De tanto falar educadamente a moça me disse baixinho Arranja uma ficha com algum garçom que eu te dou a pizza. Procurei pelo mulato sorridente e consegui a ficha. Peguei a pizza de calabreza e a Flávia lá de longe esperava com um sorriso no rosto. Tava muito boa.
Enquanto a gente comia dava pra escutar o grave do trombone marcando o tempo da banda do coreto. Conhecidos ficavam em dúvida se me comprimentavam ou não, aquela coisa. Tinha muita criança com seus pais. Eu mastigava a calabreza tostadinha vendo o vendedor de balões encher vários e fazer nós para usar como enfeites no balão. Modernidade. Cometei dos balões com a Flávia e ela disse Olha pra trás. Tinha uma mesa enorme cheia de crianças com seus pais e cada uma delas segurando o barbante de seus balões de hélio. Tinha uns seis, enormes e sofisticados. Um cara salvou o balão no teto de um menino e todos bateram palma. A Flávia então lembrou de quando éramos crianças e nossos balões escapavam de nossas mãos e iam parar no teto da sala. Incrível como essa cena estava fresca em minha memória. Lembrei de como parecia alto o teto, um absurdo de alto. Foi muito surreal lembrar disso, sendo que hoje quase relo a mão no teto sem pular.
Depois da pizza comemos churros de sobremesa e voltamos pra casa andando. Foi bem legal. E como a Flávia ri...
--------
Posted by parada at dezembro 22, 2003 10:43 PM
Trackback Pings
TrackBack URL for this entry:
http://www.insanus.org/mt/mt-tb.cgi/6739