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fevereiro 12, 2004
Lost in Translation Bonito, bonito,
Lost in Translation
Bonito, bonito, bonito, bonito, bonito, é o Encontros e Desencontros. Posso dizer que a Sofia Copolla conseguiu fazer um filme que eu queria muito ver no cinema, mas pouco imaginava possível sua produção. Pois ela fez, brilhantemente. Desde Manhattan do Woody Allen eu não saia tão satisfeito e feliz do cinema, só que agora sem ficar deslumbrado nem neurótico.
O filme se passa na caótica cidade de Tóquio. Bob Harris (Bill Murray) é um ator de hollywood decadente que está no Japão para gravar um comercial de whisky. Charlotte (Scarlett Johansson) é a esposa de um famoso fotógrafo e está apenas acompanhando seu marido viciado em trabalho e em coisas medíocres. Bob e Charlotte começam a se sentir completamente deslogados daquilo tudo e uma solidão avassaladora começam a tomar conta deles. Ao se verem, e se conhecerem através de pequenos diálogos, passam a ver um no outro a chance de uma boa companhia para fugirem daquilo tudo.
O que normalmente seria uma comédia romântica vira então uma obra-prima nas mãos de Sofia Copolla. Ao contrário do mais provável, ambos não caem em joguinhos e disputas de quem irá avançar primeiro, ou qualquer coisa do tipo. O simples fato de estarem próximos já passa a ser um alívio, é bom, é refrescante. Até diria que o filme é uma bela história de amor (não um romance), mas antes de tudo é uma história de uma amizade - ou sei lá como chamar aquilo.
A sensação de alívio e felicidade de ambos juntos contrasta com uma certa falta de habilidade para expressarem o que sentem um pelo outro. Assim com as palavras soa contraditório, mas essa leve tensão deliciosa é a comunicação. Esse não saber o que fazer é a comunicação, sendo que na verdade nem é preciso falar ou dizer coisa alguma. De certa forma já está bem assim. Já está completo. E isso é mostrado através de pequenos gestos ao longo do filme - tendo o melhor momento pra mim quando estão na cama. Isso é comunicação, um quase contentamento, algo extremamente raro mas que marca horrores. Sem deixar espaço para muita tristeza mesmo quando acaba - o sujeito se sente felizardo demais por aquilo.
Soou romântico, mas não é nem um pouco. Não precisa. Sofia Copolla não deixa nenhum tipo de apelo romanticão acontecer. Ela é maestral. O que é de se estranhar que tanta gente esteja gostando do filme (estão?). Que soe elitista, mas a verdade é que hoje em dia quase todo mundo é parecido com o marido fotógrado da Charlotte.
Bill Murray é espetacular. Primeira vez depois desde o Caças Fantasmas que vejo ele em filme. Faz dupla perfeita com a linda Scarlett Johansson (fonte e refúgio de beleza, classe, inteligência e, obviamente, elegância desse planeta. (c)Bruno Galera). Murray ótimo e muito engraçado em várias cenas. Quero ver o Mojo imitando a mulher que fica esperniando no chão e agarrando ele dizendo "Me solta". Muitas dessas cenas usam as coisas engraçadas do Japão, mas de forma alguma pareceu que aquilo era tirando sarro da cultura e do povo japonês. Em qualquer lugar do mundo as pessoas são engraçadas, a televisão é horrível, etc.
Todas as cenas são bonitas. O caos luminoso de Tóquio, a multidão, os video-games, a árvore dos papéis, o trânsito, tudo. Tem que ver na telona. Não é a toa que tá concorrendo em melhor fotogragia. Acompanhando no mesmo nível está a trilha sonora. Marcante a escolha da "Sometimes" do My Bloody Valentine.
Mas qualquer resenha que fale desse filme irá distorcer todo o seu bom gosto. Tem que ver. E não seria nada ruim de rever, rever e rever. De 2003.

Posted by parada at fevereiro 12, 2004 01:10 AM
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