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abril 12, 2004
Zeca na Cova Andando de
Zeca na Cova
Andando de carro ontem à noite, ao passar pela horda, tive a idéia - Quer saber de uma coisa, vou visitar meu amigo Zequinha. Quem é leitor antigo do blog já ouvi falar sobre o metaleiro filósofo artísta plástico pedreiro mahasiddha joaquinense. Eis então que ontem fico sabendo de seu apogeu na carreira de enciclopédia e exemplo do metal. Passando no concurso em primeiro lugar, Zequinha agora faz parte do time dos quatro coveiros do cemitério de São Joaquim.
Quando me contou isso, levantou os braços e começou a gritar baixo coveeeeiro, a seguir de uma risada macabra. Depois começou a rir. Até então não sabia que coveiro é considerado um serviço insalubre; isto é, muito arriscado pra saúde física da pessoa. Tudo por causa do ar venenoso que se cria dentro das casinhas dos caixões. Se alguém respirar aquilo diretamente, é ir direto pro hospital. Disse que os pulmões vão pro saco. Até então anda desfazendo caixões de túmulos póstumos e guardando os restos em sacos de lixo preto. A madeira dos caixões quase se desfazem por inteiro com o tempo, precisam ser retiradas e incineradas. "Fiquei sabendo agora de onde veio a expressão foi pro saco. No final do final o cidadão vai é pro saco de lixo."
O serviço não é tão puxado. A média é um enterro por dia, mas chega a passar três dias sem morrer ninguém em São Joaquim. Daí é varrer o chão. Pra então no outro dia encarar quatro enterros. Mesmo assim não é muito trabalho pesado. É um pouco desgastante por ter que ficar descendo os caixões enquando as pessoas ficam do lado chorando. É inevitável ficar um pouco alterado passando o dia inteiro lá dentro. Ao menos agora no começo. Mas é bom, ele disse, dá pra gastar o tempo pensando num monte de coisas. E fortalece a lenda e o respeito. "Mas deve ser só no começo isso, não tem problema, normal." Zeca sempre igual.
Mas agora ele pretende modernizar. Não deixar mais barba grande nem usar muita roupa preta. Diz ele que tá uma moda de banda horríveis terem barbas desenhadas só usar camiseta preta. Tá com vergonha de ser reconhecido com os hereges. Comentei da moda gótica atual, vejo sempre pelas praças e até acho bonitinha as meninas. Até lembrar que é essa a moda da tarja preta por causa do sucrilhos murcho. Nada é perfeito. Mas a tendência agora, depois do apogeu, é ao menos estudar pra algum outro concurso melhor. Procurar a estabilidade. Fui embora até com o número de seu telefone anotado num papel cheio de poemas velhos. "Freedom Bondage".
No dia seguinte, hoje no caso, teria aniversário do primeiro aninho do filho do Clebinho. Cinco caixas de cerveja. Toda a gangue iria se reencontrar. Pena que não deu pra ir. Mas mandei entregar meu abraço.
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Posted by parada at abril 12, 2004 12:04 AM
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