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maio 12, 2004
De Passagem Filme de Ricardo
De Passagem
Filme de Ricardo Elias premiado no Festival de Gramado no ano passado. Fui ver porque o professor de impresso fez altos elogios dizendo que é imperdível e que foi a primeira vez que viu um filme sozinho no cinema. Também porque os outros que não tinha visto eram de bruxas e caçadores de lobisomens. Não gosto muito desses.
De Passagem conta a história dos irmãos Jeferson, Washington e do amigo quase irmão Kennedy. Os três cresceram juntos mas seguiram caminhos diferentes. Jeferson está acabando a escola militar enquanto Washington e Jeferson cairam pro mundo do tráfico. Quando a notícia da morte de Washington chega em casa, Jeferson e Kennedy partem para uma viagem cruzando São Paulo para fazerem o reconhecimento o corpo, e na viagem relembram um fato dos três juntos durante a infância.
De início, a transição do presente pro passado é muito bem feita, encaixadinha e criativa. Com o passar do tempo perde bastante o rítmo e a relevância. Às vezes até não se entende por que cortar o bom ritmo do filme pra ilustrar um evento qualquer dos meninos. Mas os guris são bons. Mostram em vários momentos grande naturalidade na atuação e nos diálogos. O que não acontece tanto com os atores maiores, em especial os secundários. Tendo como pior exemplo o atendente do IML, que me deixou puto por manchar um belo momento do filme. Falas totalmente irrelevante e bestas como "Tá feliz agora de ver seu amiguinho morto?" Poderia ter ficado quietinho ao invés de bancar o sadicão do IML. Essas coisas pequenas podem estragar toda uma cena, assim como um gesto mínimo porém forçado.
Em compensação o pai de Jeferson (Estevão Maya-Maya) é muito massa e não diz uma palavra sequer. Jeferson (Sílvio Guindane) às vezes parece um pouco ensaiado demais em seu modo correto de ser - e nisso o Jeferson menino é perfeito. Também parece tentar segurar as emoções ao invés de deixarem elas tomarem conta. Kennedy (Flávio Nepo) é bem mais natural em frente à câmera. Mas os dois mandam bem em geral. Há uma bela cena em que câmera dá um close de aproximadamente 10 segundos no rosto de Jeferson, logo depois que ele viu o corpo "arregaçado". Ele não chora, quase não muda a expressão, apenas o olho brilha um pouco carregando de lágrima. Gostei bastante disso. Gostei também da cena deles no trêm quando a garota começa a olhar pro Jeferson. Que linda aquela menina. Alguém me diz o nome dela. Bela seqüência de olhares e pequenos diálogos engraçados.
O mérito do filme é mostrar a vida de pessoas comuns da favela, ao invés de focalizar apenas na violência gritante. Ir além das aparências e mostrar que mesmo em pessoas que foram para um lado esquerdo da vida tem suas características legais, por mais que isso seja ruim de reconhecer. Nesse sentido o filme é uma bela brisa dentro do cinema nacional. Que muita gente fala mal mas que realmente poderia melhorar bastante. Nesse caso apenas se algumas coisas fossem cortadas - falas inúteis e alguns gestos e expressões a mais. De mais é um bom filme, levinho e bonito, com uma história bem legal.
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Posted by parada at maio 12, 2004 04:10 PM
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