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Fora da competição, Olga emociona a platéia na primeira noite do FestivalPor Naira Hofmaister
Olga era, sem a menor dúvida, o filme mais badalado do 32° Festival de Cinema de Gramado. Com um orçamento de R$ 12 milhões, investiu pesado em divulgação e criou uma expectativa insuperável por qualquer outra produção, inclusive as concorrentes ao Kikito. Ajudaram a criar essa atmosfera, o fato de que a maioria da equipe técnica não tinha experiência com longas-metragens ou mesmo com cinema. O diretor, Jayme Monjardim, rodou alguns curtas, mas ganhou destaque nacional com a direção de novelas. Na Manchete, com A Paixão de Ana Raio e Zé Trovão, Pantanal e recentemente, na Rede Globo, com Terra Nostra, Aquarela do Brasil, O Clone e Casa das Sete Mulheres. Rita Buzzar tem sua estréia como produtora, Tiza de Oliveira como diretora de arte no cinema, Ricardo Della Rosa na direção de fotografia de longas-metragens e Camila Morgado, no papel título, aparece nas telonas pela primeira vez. Ela, aliás, é o maior destaque do filme. Sua interpretação é extremamente convincente, carregada de dramaticidade, que terminou por levar às lágrimas a grande maioria dos espectadores que lotaram o Palácio dos Festivais. A ênfase dada à questão dramática é herança das produções televisivas do diretor. Sua opção é clara: garantir o envolvimento do público com a personagem através desse sentimentalismo, o que acaba por deixar em segundo plano a questão política e histórica do enredo. Mais que isso, como ocorre seguidamente em roteiros de ficção que abordam temas históricos, alguns acontecimentos são mal explicados, propositalmente, para dar outra impressão ao espectador. No caso de Olga, a deportação da protagonista, uma judia, para a Alemanha nazista, causa a sensação de que o governo brasileiro (encarcando em Getúlio Vargas) é “insensível” e até mesmo desumano. O caso ganha gravidade, pois além da perseguição de Hitler aos judeus, Olga foi expulsa do País no sétimo mês de gravidez. Isso realmente aconteceu, porém, levando em consideração que ela estava ilegal no Brasil e lutava contra o governo, a atitude era esperada.
O historiador Décio Andriotti concorda com essa visão e acrescenta: “Nos anos 80, ouvi da boca de Luiz Carlos Prestes, durante sua visita a Porto Alegre, que Getúlio Vargas agiu corretamente. Olga tinha entrado no Brasil sem documentação, sem licença e para fazer uma revolução contra o governo. O que eles deveriam fazer? Prender e extraditar!” Décio ainda alerta para a caricaturização de alguns personagens, como Filinto Muller, o oficial do exército vivido por Floriano Peixoto. Outro aspecto que chamou a atenção para o lado negativo é uma certa confusão do roteiro no início da história. Flashbacks dentro de flashbacks, seqüências históricas extremamente rápidas e os diálogos absurdos falados em alemão e português, simultaneamente, acabam confundindo o público. Fora isso, o filme conta com diversos pontos positivos. A direção de arte de Tiza de Oliveira e a fotografia de Ricardo Della Rosa são belíssimas. O filme se passa em três países diferentes – Brasil, Rússia e Alemanha - mas foi totalmente rodado no Rio de Janeiro. A ambientação e a escolha das locações nos transporta através da história, de forma quase imperceptível. “Para as cenas na Rússia, escolhemos espaços grandes, com o pé direito alto. Para a Alemanha, construções pesadas, de pedra”, diz Tiza. Apesar de ser uma película em cores, o filme se torna quase monocromático, sempre em tons de cinza, o que ajuda a criar o ambiente sombrio e triste pretendido por Monjardim. A atuação de Camila Morgado surpreende e demonstra o talento da artista. Ela fez treinamento militar e estudou a vida de Olga profundamente para entrar no papel. A transformação física da atriz durante o decorrer do filme obrigou Camila a emagrecer sete quilos para encarnar a protagonista nos campos de concentração. Durante a entrevista coletiva, Camila disse que após terminaram as gravações, ela entrou em depressão por ter que se despedir da personagem. Também merece destaque a atuação de Caco Ciocler, como Luiz Carlos Prestes, e Fernanda Montenegro, como a mãe, Dona Leocádia. Olga tem estréia nacional na sexta feira, dia 20 e é uma boa opção para o público em geral. Emociona, entretém e possibilita ao espectador conhecer um pouco da história brasileira dos anos 30, II Guerra Mundial e personagens muito importantes para a identidade nacional. Fotos: Alexandra Duarte |
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