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julho 21, 2003

Discurso Anti-Druks Hoje de manhã

Discurso Anti-Druks
Hoje de manhã li o jornal de ontem. Tem uma reportagem grande sobre as drogas sintéticas que estão invadindo o Brasil com tudo. Essas coisas novas vinda basicamente da cultura rave. Logo abaixo tem outra matéria sobre o álcool, dizendo que ele continua matando quase 7 vezes mais do que todas as outras drogas juntas. Mas que fortes campanhas contra o álcool não são feitas por causa do fortíssimo lobby das fábricas de cerveja.

Não acredito na sociedade perfeita nem na alternativa, e a luta contra o tráfico de drogas me parece que nunca vai chegar a lugar nenhum. Como se existisse uma campanha contra prostituição. Mas acredito que algo tem que ser feito, mesmo com suas imperfeições. Porém, também não faço a menor idéia do que precisa ser feito. As campanhas anti-drogas são bestas e inúteis. Antes queriam passar medo nos usuários. Agora a nova campanha enfatiza o consumidor como grande culpado pelos problemas gerados pelo tráfico. Quase nada apelativa e hipócrita. Mas dei um crédito pra ela depois de ver um conhecido de infância se acabando nas drogas. E tudo que o cerca hoje. Então essa nova campanha me pareceu um pouco boa. Sabe como é, o emocional (essa coisa tão ingênua) falou mais alto e deu vontade de falar Parém todos de comprar essas coisas e de dar dinheiro pra bancar o tráfico, cacete! O que não deixa de ser verdade, sem uma enorme quantidade de compradores não existiria o tráfico. Então pensei que se a campanha hipócrita e apelativa conseguisse um pouco disso, já seria algo.

Não uso drogas mais por orgulho do que outra coisa. Meu orgulho fala mais alto. Fiquei altamente preocupado quando em certa idade percebi que apenas ficava feliz em festa se usasse algumsa coisas. Quando senti o terror disso no meio da coisa, fui tomado por uma vergonha e constrangimento terrível. Pkôu! E minha cachola já é estranha demais pra precisar dessas coisas pra ficar em um estado alterado de consciência. É o orgulho. Ser associado como maconheiro ou outra coisa me daria vontade de chorar. Igualmente quando chamam a Fabiana amiga do Pinheiro de hippie. Também choraria. Mas não sei mais por que estou falando disso.

Na verdade eu mexo - mesmo que pouco - com qualquer tipo de vinho. E é muito difícil se controlar com certas marcas. Então penso, esse meu consumo de vinho (que contém álcool, que mata sete vezes mais do que todas as outras drogas) seria o mesmo movimento feito pelas pessoas que bancam o tráfico? O meu pequeno discurso anti-drogas seria apenas a mesma hipocrisia de sempre?

Vocês estão assistindo, Renato Parada pensando!

Desisto de querer procurar algum sentido em ti, samsara. Você é vazio de significado. Um maldito lugar onde qualquer onde a maior parte da felicidade é construída sob sofrimento alheio.
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Posted by parada at julho 21, 2003 01:55 PM

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