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outubro 31, 2003

Mágicos e Viajantes Dundop é

Mágicos e Viajantes
Dundop é um funcionário do governo de uma pequena cidade no Butão que sonha ir pros Estados Unidos. Onde imagina ganhar bastante dinheiro e conhecer mulheres bonitas. Não suporta a idéia de viver na sua entediante cidade. Pra fazer essa viagem, ele tem que pegar um ônibus até a capitão do Butão, só que ônibus praqueles lados só passam uma vez por semana. E ele perde o ônibus, mas continua na tentativa de arranjar carona. E assim vai encontrando pessoas, entre elas um monge, que fica sabendo do sonho de Dundop e então passa a contar uma fábula pro tempo passar mais rápido. A fábula vai sendo contada em partes durante todo o filme, que sustenta a história sempre interessante. É uma história muito bem contada.

Sem dúvida a beleza do filme está na sua simplicidade. Uma simplicidade que não estamos acostumados de ver no cinema. Geralmente quando um filme é bom, saimos perturbados seja por alegria ou de tristeza, ou qualquer outra coisa massa. Mas isso não acontece vendo o Travellers and Magicians. E por isso mesmo é muito bom. Ao invés de sair meio zonzo, você fica mais leve. Talvez isso aconteça pela própria moral da história e pelo sempre presente leve senso de humor. Retratados pelos hábitos engraçados dos butaneses entre outras cenas ótimas como um bando de pessoas carregando e depois erguento até o topo de um templo uma enorme estatueta de um pênis.

Ao contrário do que li em alguns jornais, o filme não tem nada a ver com não ter sonhos. Mas sim na idéia de que aquilo que sonhamos ser o melhor pra gente nem sempre o é. E que os lugares que nos deixam entediados contém muita beleza e pode ser se tranformar na própria ilha-dos-sonhos que desejamos. Mulheres geralmente tem esse poder.

Em comparação ao The Cup, o Travellers and Magicians é muito superior. Mostra que o Dzongsar Khyentse andou aprendendo coisas sobre cinema. As paisagens do Butão são uma beleza a parte. O efeito usado nas cenas que ilustram a história que o monge conta é muito bonito, um filtro meio preto-e-branco amarelado. A fotografia é excelente. Tem até efeito especial com as águas de um riacho.

As atuações também são boas, principalmente a do Dundop. Gostei do cara. O velhinho vendedor de maçã é uma figura. O único que não atuou, já que não conseguia entender que se tratava de um filme. Ficou muito bom. E emociona ao lembrar que ele negou em receber seu cache, apenas pediu para que Dzongsar Khyentse fizesse orações para ele quando moresse. O bêbado também ficou bem feito.

Um filme bastante singelo mas sem cair na idéia de bonitinho e piegas. Filmes assim parecem ganhar um elemento extra num mundo que hoje nos tira a vida perante tantos fazeres e informações. Toca naquilo que naturalmente já temos de bom como seres humanos. Naquilo que não precisamos nos esforçar para apreciarmos as coisas belas que temos em volta de nós mas que geralmente não percebemos. E que a beleza das coisas está nelas serem temporárias.

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Posted by parada at outubro 31, 2003 12:53 PM

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