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janeiro 30, 2004

Blackout em São Joaquim São

Blackout em São Joaquim
São Joaquim da Barra inteira ficou no escuro durante três horas, hoje à noite. Das oito às onze. Tava na sauna com meu pai quando caiu um pé d'água violento e em seguida a energia. Todo mundo preso lá. Até que o Roberto pegou um guarda-sol gigante que sergiu pra gente ir correr até a portaria, e depois até o carro. Tentei pular a enchurrada mas só depois que afundei o primeiro pé no asfalto percebi ela era a rua inteira. A cidade já estava toda escura.

Cheguei em casa e já tinham desligado o computador, amén. Usamos o celular e a digimax como lanterna, até achar a de verdade. Não tinham velas. Todo mundo - bem, só três de nós cinco - na sala a espera da energia. Nem chegou a acontecer de todo mundo parar de fazer suas coisas em seus cantos pra se reunirem num mesmo cômodo. Brinquei um pouco com a Judy de tacar seu canguru no corredor escuro. Ela nem teve grandes dificuldades. Fui na rua e o céu tava abrindo. Os vizinhos tavam numa risarada só, se divertindo horrores por algum motivo que desconheço.

O interessante de quando acaba a energia é que a gente começa a ficar perturbado por não ter o que fazer nem saber pra onde ir. Com a desculpa de ir buscar minha irmã, saí com o carro pelo escurideu da cidade.

Sempre me empolgo com a visão da cidade diferente. Ficava apagando o farol só pra sentir o breu. As poucas pessoas surgindo nas calçadas deixava a cidade mais zumbi ainda. Até que percebi a quantidade de carros que tinha na avenida. Todos não tinham o que fazer e tiveram a mesma idéia que eu: andar de carro. Ao passar nas costas da igreja, vi a Rosinha em frente sua casa. Pensei que ela nem iria me ver, então nem buzinei. Mas ela me viu e até chamou. Dei a volta no quarteirão, desci do carro e ficamos trocando papo furado. Me disse que estava ficando louca sem ter o que fazer. "Sem televisão, videocassete, som, computador", enumerou se mexendo toda. Enquanto isso passou um travesti andando na outra calçada. E então uma família inteira. Com pais, filhos, cachorro e lanterna. Percebi que o blackout já tinha virado atração na cidade. A Rosa queria que queria andar de moto, mas tava com pouca gasolina. Então chamei pra andar de carro.

Foi ela entrar pra que em poucos quarteirões a luz voltar. Pediu pra voltar pra casa e refez seu pedido pra eu ir andar de moto com ela, mas, brilhantemente, não fui. E só até marcar o ponto final da última frase que percebi o quanto é ridículo eu agora estar aqui, escrevendo.
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Posted by parada at janeiro 30, 2004 12:45 AM

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