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junho 20, 2004

Há menos agressividade e mentira

Há menos agressividade e mentira entre inimigos que entre amantes. Quem te ama deveria te ajudar a ser livre, mas ocorre o contrário: o amor é uma das formas mais desprezíveis de sentimento. Nem sequer como estratégia contra a saudade nos serve porque estamos mais sós do que nunca. Não é raro um homem ter um diálogo mais íntimo com um aquecedor quebrado do que com sua mulher. Quando o amor revela fastio e o sexo é mecânico, a televisão se transforma em Deus.

[Efraim Medina Reyes, escritor colombiano em entrevista ao Estadão desse domingo]

Ok, não que seja uma mentira, mas essa onda de escritores que denunciam a hipocrisia da classe média cada vez mais me soa constrangedor. Fica parecendo que a vida até então não foi muito legal com o sujeito, e por isso ele escreve sobre essas coisas. O que o aproxima de seu próprio objeto de crítica, num plano mais sutil. Não falo do Reyes, que nunca li.

Mas entendo, dá raiva mesmo ver como as pessoas legais hoje tem de tudo para se darem mal. Precisam botar muita energia e contar com sorte para encontrarem alguma felicidade nesse mundinho capenga. E ainda me considero afortunado por ter nascido nos anos 80. Imagine os mais novos. Mas só é legal ter raiva, arrogância, e todos esses sentimentos quando temos a noção ou a lembrança de que na base disso tudo está a compaixão. Que é o único sentimento que pode ser sustentado que vale a pena. É o elemento transcendente. Caso contrário é apenas oferecer reclamações e denúncias elaboradas da grande merda. O Bukowski não fazia só isso.
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Posted by parada at junho 20, 2004 10:21 PM

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