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Blog não é literatura. Literatura não é blog. E também não é blog e nem literatura o pior prato do mundo, preparado numa infeliz ocasião, em 1987, por Vdrak, cozinheiro albanês que um dia, de passagem por Trieste, soube de um navio que partia para o Brasil, ponto em que se inicia uma série de desventuras que não vem ao caso citar, sendo que no fim, variando as receitas, chegou ele a um caldo de cor fujona onde se misturam óleo de porco, gordura, especiarias, quiabo, cebola, abóbora, miúdos de cabrito e gumo, cuja única forma que vale a pena só pode ser encontrada em um minúsculo restaurante do Mississipi, com um quartinho nos fundos onde vive um negro chamado Jackson. O negro chamado Jackson, a propósito, vem a ser parente distante de um outro negro chamado Jackson, que era amigo do ex-presidente Abraham Lincoln e se masturbava doze vezes por dia, fazendo grande sucesso nas feiras de aberrações e fatos inusitados. Já o dito prato foi servido numa festa de casamento em Garanhuns, onde o padre era italiano e sabia rezar uma missa inteira em latim, língua que, aliás, dizem morta, como mortos estão todos os que comeram a infeliz refeição, afinal era o sertão de Pernambuco e, como já foi dito, o único gumo que vale a pena é o do Mississipi, não esta coisa que Vdrak acreditou ser um bom substituto e além de tudo estragou, pois também era dia de reis, ocasião em que o sol sempre brilha mais valente até o cair da noite. # alexandre rodrigues | 4 de julho Comentários (0) | TrackBack (0) |
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