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Bona fide Acorda, bebe duas xícaras de café e começa a resolver burocracias pendentes, falar com bancos, acertar entrega de documentos, etc. Sai de casa, caminha até um cartório no centro, pega mais documentos, entra no ônibus, tenta ler e não consegue, desembarca antes do ponto, pois, ansioso, não consegue mais esperar a hora de descer, anda duas quadras, vai a um banco, a outro e então põe 88 vezes seu nome nos papéis que duas funcionárias lhe empurram assim que percebem que você terminou a pilha anterior. Tendo descoberto que os impostos que deveriam ser pagos na segunda-feira devem ser pagos hoje mesmo e já passa das quatro, o banco fechou, suspira um pouco mais, vai a outro andar, até a rua, até o outro banco, imprime um talão de cheques, volta ao banco onde estava antes e paga toda a sua renda de um mês em impostos e taxas. Devolve os papéis à funcionária e finalmente recebe a notícia oficial: Você comprou um apartamento. Vai embora com uma sensação muito esquisita, caminhando devagar, sentindo a vista meio turvada. O tempo, medido até aquele momento em tarefas e obrigações, simplesmente mudou de rotação. Senta-se em um café, porém mal toca o expresso. Caminha um pouco mais, decide dar a volta na quadra - e também na outra. Tem a impressão de que não vai conseguir chegar em casa. Suas pernas simplesmente vão falhar. Mas, em vez disso, compra pão francês de verdade para comemorar. Lembra-se da cena de E aí, meu irmão, cadê você?, quando George Clooney tenta convencer a filha de que é ele e não o namorado da mãe o chefe da família e a menininha replica: He's bona fide. What are you? Aquele navio ali foi tomado pelos piratas. A bandeira no mastro agora é a sua. # alexandre rodrigues | 16 de maio Comentários (0) | TrackBack (0)Ainda não estou realmente convencido da real importância deste tipo de evento para a literatura, mas não consigo deixar de admirar a programação do Guardian Hay Festival, promovido todos os anos numa cidadezinha inglesa. Começa em 22 de maio, vai durar 10 dias e terá Jimmy Carter (falando sobre resolução de conflitos e direitos humanos), Garry Kasparov (sobre Putin), Spassky (sobre xadrez) e no que interessa: Salman Rushdie, Gore Vidal, Julian Barnes, Ian Mcewan, Martin Amis e Will Self (lançando The Boot). Até Jools Holland (que fará show) e Kathleen Turner (falando sobre a própria carreira) estão na programação. E mais Ariel Dorfman (uma das estrelas este ano), Margaret Atwood, Joseph Stiglitz e Christopher Hitchens # alexandre rodrigues | 13 de maio Comentários (0) | TrackBack (0)
Marcos é o único ruivo e também o único careca. Gosta de falar com a televisão, que fica ligada o tempo todo enquanto trabalha (**). Como chefe, o único que tem a chave do cofre onde ficam as carteiras de identidade em branco. Quando precisamos de uma, buscamos na pilha no fundo do cofre e quase ao mesmo tempo Marcos corre para anotar em um grande caderno de capa preta o nome de cada um e um sinal correspondente ao lado. No fim do expediente, soma as anotações e compara com o número de carteiras no cofre e sua numeração e o número de carteiras nos envelopes, prontas para serem enviadas ao Instituto, que cola a parte da carteira que mandamos – a da frente – com aquela que eles mesmos fazem – a de trás. Não é que as pessoas não gostem dele, nem nada assim. Não é do tipo que perturba o clima, nem persegue os outros. Trata os subordinados, assim como é tratado, com suave indiferença e mesmo que seja o primeiro a chegar e o último a sair, não exige que ninguém mais faça o mesmo. Quando a maioria de nós vai embora, geralmente continua no mesmo lugar, na mesa, o cofre com as carteiras aberto a seu lado. Então chega a noite, sexta-feira, em que o expediente já terminou e eu continuo no supermercado por causa dessa funcionária do balcão de frios, que tem as mãos pequenas e muito femininas, brancas e também não usa perfume e nem pinta as unhas, cujo horário não demora a terminar. Faltando dez minutos, vou para a saída esperá-la, mas antes, passando ao lado, vejo que ainda há gente no posto. O posto é um cubículo envidraçado, encaixotado entre a agência de turismo e o balcão de perfumaria. Do lado de dentro, Marcos – vejo me aproximando um pouco mais – está de costas para a vitrine, abaixado e meio na penumbra, só com uma das luzes acesas. Tira uma pilha de carteiras e põe em cima da mesa. Começa a desfazê-la e depois, com as mãos trêmulas, a acariciá-la(***). Manuseia o papel experimentando-o um pouco com a ponta dos dedos. Esfrega-o depois no rosto. Quando sente o cheiro de novo, mesmo um pouco distante, posso jurar que geme. (*) Essa é uma segunda versão. ![]() No Goodreads, me deparei com essa capa para o Retrato de um artista quando jovem cão, de Dylan Thomas, que é realmente bonita e melhor do que o livro, que tem uns contos bem chatinhos. # alexandre rodrigues | 6 de maio Comentários (1) | TrackBack (0)
A cobertura recebida pela Marcha da Maconha abriu os olhos da nação para um flagelo cuja urgência já não pode mais ser ignorada: a alta incidência de frases e informações esdrúxulas em reportagens. Alarmado, o país agora se pergunta se há uma epidemia em curso depois que no espaço de apenas algumas horas foram registrados os seguintes casos: "Fumar maconha ou levar a droga até o local é proibido..." "O sargento Valdeci abordou carros da imprensa, inclusive o do Correio, que estavam próximos ao local. Ele recolheu os nomes dos profissionais e recomendou responsabilidade na produção das matérias". "Pernambuco não tem vergonha, legaliza a maconha". "Os manifestantes chegaram a se dispersar e voltar depois gritando a palavra "maconha" repetidas vezes". (...) "... puxaram gritos como "ei, polícia, maconha é uma delícia", apenas observados pelas autoridades". "Eu fumo cigarro, mas não fico tonta, nem faço loucuras". "A cadela que carregava uma placa com os dizeres "a estupidez é a essência do preconceito. Legalize a Cannabis"". # alexandre rodrigues | 4 de maio Comentários (0) | TrackBack (0)Ok, um pouco de egolatria Com grande atraso, a página d´Os Massa, grupo/banda/coletivo do qual faço parte, no Myspace, que está no ar há meses. E a página dos mesmos na Last FM. E no site do Diego estão para baixar , em três partes, as gravações de fevereiro. Desta vez o nome foi Desgraçados do Ritmo devido à rarefeita presença dos integrantes – até porque era carnaval. Também participa Domênico Lancelotti (+ 2, Orquestra Imperial). # alexandre rodrigues | 2 de maio Comentários (0) | TrackBack (0)Por absoluta falta do que dizer a respeito, estava passando em branco por aqui o aniversário de um ano da morte de Vonnegut, no último dia 12. Mas então teve esse post de Sérgio Rodrigues a respeito de Armageddon in retrospect, coletânea póstuma lançada nos Estados Unidos. A Cássia, tradutora dele para a L&PM, aproveitou e fez uma breve retrospectiva do que escreveu sobre ele. Mais coisas então: 15 coisas que Vonnegut disse melhor do que qualquer outro, a última entrevista, um documentário em oito partes sobre ele no Youtube, a coletânea de suas colunas na In These Times e ainda "Oito regras para escrever ficção" por quem escrevia ficção como ninguém. # alexandre rodrigues | 29 de abril Comentários (0) | TrackBack (0)Veja se você responde a essa pergunta Neste ponto o maníaco psicótico observa meio catatônico o mousse de amendoim devorado pela metade e a xícara quase vazia de café frio, colocados sobre a mesa diante de si, com um tampo redondo e transparente, através da qual pode ver as próprias pernas cruzadas, enfiadas em jeans sujos, e os próprios pés, cujos tênis, também imundos, não são um bom cartão de visita sobre o próprio asseio. Ele não se importa, já que a esta altura cuidar da higiene pessoal não é uma questão relevante, há assuntos mais prementes como a submetralhadora uzi que guardou na mochila, pousada nas costas da cadeira que, a propósito, em nada combina com o restante do mobiliário da cafeteria. Este homem, cujos pensamentos, ao invés de confusos, como sugere a psicologia convencional, são cristalinamente claros, se distrai com um exemplar de Paulo Coelho, levantando os olhos ocasionalmente para observar os outros presentes, que não são mais do que seis, sendo o elemento mais agressivamente destacado a criança de uns cinco ou seis anos que corre entre as mesas vestida de Robin enquanto os pais não se dão ao trabalho de discipliná-la, demonstrando que também são participantes do grupo de progenitores irresponsáveis que envenena os bons ambientes nas sociedades contemporâneas e, além de tudo, pelo modo de vestir, retardados que, ultrapassados os quarenta, tentam a todo custo se agarrar à imagem e à persona que mantinham aos vinte, sendo esta, a busca pela juventude eterna, um mal que aflige não apenas uns poucos, como se pode imaginar. Um outro é o homem de músculos salientes e cabelos salpicados de louro e pernas também cruzadas, cuja calça xadrez sugere algum tipo de jogador de golfe, mas que apenas segue a moda mais recente, que prefere camisetas apertadas que possam ressaltar sua forma, como esta, preta, que tem no peito e nas costas os mesmos dizeres: PILATES. E ainda é digno de alguma atenção o casal, ele com os óculos modernos e grandes tatuagens cobrindo os braços, cabelo pintado de marrom escuro, um piercing de argola no nariz, que às vezes o deixa com a aparência de um javali, sugerindo um publicitário, um DJ, um redator, qualquer coisa que combine com o visual, ela acima do peso, rugas e um rosco vincado, os olhos cansados, a aparência de que perdeu algo, jogou fora alguma coisa, sofreu uma derrota irremediável, não sendo possível saber à distância o que se passa entre ambos, silenciosos, cada um dentro de si, próximos da rua, de vez em quando negando um trocado aos pedintes que não param de passar, pois este também é um tormento cada vez mais presente nos dias de hoje. E ainda a mulher idosa, como as antigas avós das latas de farinha de trigo, de leite condensado e de outros produtos alimentícios, uma lembrança quase remota. Tem os cabelos brancos, que penteia de uma maneira assustadora, e pergunta à atendente se ainda demora para aparecer o guarda que costuma verificar o parquímetro em frente, pois estacionou o carro sem pagar, razão pela qual, diante da resposta, desiste do pão de queijo, recém-servido, e beberica o capuccino apressada, tirando da bolsa uma nota de dez que põe em cima da mesa antes de se levantar. A pergunta: quando ele apanhar a submetralhadora na mochila, em quem vai atirar primeiro? # alexandre rodrigues | 28 de abril Comentários (1) | TrackBack (0)Se baila en mi Paraguay E então tem esse artigo, meu, no caderno Cultura, da Zero Hora. Agora vou ali dançar uma guarânia. # alexandre rodrigues | 26 de abril Comentários (0) | TrackBack (0)Dei uma entrevista a um estudante de jornalismo a respeito de nosso país favorito nos últimos dias. A bem dizer: 1 - O Paraguai não tem direito de querer renegociar Itaipu, mas se o Brasil resolver esperar 2023, quando o Tratado perde a validade, estas negociações serão muito dolorosas para o nosso lado. 2 - O Paraguai tem alguma razão em reclamar, já que o tratado foi acertado entre duas ditaduras com a transparência na negociação e interesses imorais de governos do gênero. 3 - O Paraguai pode reclamar, mas não chamar o Brasil de imperialista. Somos imperialistas do pior tipo: que abre as pernas o tempo todo para não ser chamado de imperialista. 4 - Ah, sim, isso porque a negociação do Tratado e as relações entre Brasil e Paraguai são meu métier. A entrevista aqui. # alexandre rodrigues | 25 de abril Comentários (2) | TrackBack (0)![]() Mais um post - o último - sobre David Foster Wallace. Mojo há tempos dizia que o melhor dele não é a ficção, mas os ensaios de não-ficção. Mesmo discordando diante dos motivos já citados, os ensaios são realmente excelentes. É a fronteira final do jornalismo: esgotando um assunto, não se envergonhando de usar de notas de rodapé ou ter opinião e ao mesmo tendo o cuidado de não fazer quem escreve mais importante do que o assunto - erro muitas vezes cometidos pelo jornalismo gonzo, que, atrasado em décadas, está virando uma praga nas revistas brasileiras. Os ensaios: Consider the lobster - Em 2004, ele foi ao Maine cobrir o festival da lagosta para a revista Gourmet. Para desconforto dos editores, produziu um texto CONTRA o evento. A premissa básica: é certo cozinhar uma criatura viva, causando-lhe um sofrimento terrível, apenas em nome do prazer de comê-la? David Lynch keeps his head - Da visita de Foster Wallace ao set de filme de "A estrada perdida" resulta este belo ensaio em 13 partes sobre a importância de David Lynch para o cinema, publicado pela edição americana da revista Premiere. Passagem monumental: "The first time I lay actual eyes on the real David Lynch on the set of his movie, he's peeing on a tree. This is on 8 January in L.A.'s Griffith Park, where some of Lost Highway's exteriors and driving scenes are being shot. He is standing in the bristly underbrush off the dirt road between the base camp's trailers and the set, peeing on a stunted pine. Mr. David Lynch, a prodigious coffee drinker, apparently pees hard and often, and neither he nor the production can afford the time it'd take to run down the base camp's long line of trailers to the trailer where the bathrooms are every time he needs to pee. So my first (and generally representative) sight of Lynch is from the back, and (understandably) from a distance. Lost Highway's cast and crew pretty much ignore Lynch's urinating in public,2 and they ignore it in a relaxed rather than a tense or uncomfortable way, sort of the way you'd ignore a child's alfresco peeing". Shipping out - Reflexões insanas de Foster Wallace junto aos passageiros de um cruzeiro pelo Caribe. O texto, também de 1996, saiu na Harper´s Magazine, que só libera acesso a assinantes. Esta versão não tem as notas de pé de página. Os três estão incluídos em duas coletâneas: Consider the lobster e A Supposedly fun thing I'll never do again. # alexandre rodrigues | 24 de abril Comentários (1) | TrackBack (0)O futuro já foi mais otimista Domingo passou "O mundo em 100 anos", documentário do Discovery sobre como a vida será no início do século XXII. O cenário catastrófico não difere do noticiário normal dos últimos anos: florestas transformadas em deserto, a amazônica junto, elevação do nível dos oceanos, fome e doenças generalizadas, um calor insuportável, etc. Cheio de fatalismo, mas com o mérito de usar um tom sóbrio e o recurso de encenar cada desgraça que em tese nos aguarda por causa do aquecimento global. Curioso o que quatro décadas foram capazes de fazer com o otimismo da humanidade. O contraste é realmente chocante se considerado este livro, cuja existência descobri na semana passada. Em 1963, a empresa General Dynamics perguntou a astronautas, políticos, comandantes militares e cientistas como achavam que seria o cenário em 2063. Em vez do pessimismo atual, o tom era daquela esperança típica dos anos 60. Colônias espaciais, cem mil pessoas vivendo na lua, exploração de Marte, viagens a pontos longínquos do sistema solar, fim das doenças, paz mundial, ainda que assegurada pelo equilíbrio bélico, teleporte, praticamente nada parecia impossível. Tempos mais inocentes. # alexandre rodrigues | 23 de abril Comentários (0) | TrackBack (0)Ok, breve retorno: a Rússia tropical. # alexandre rodrigues | 20 de abril Comentários (0) | TrackBack (0)Pandas são bonitos e simpáticos. Mas a natureza não quer que sobrevivam. Segundo um documentário que vi outro dia, um panda se alimenta de bambu, mas há tão pouco tempo – evolutivamente falando – que só consegue absorver 17% do que come. Precisa comer muito, quase o tempo todo, para continuar vivo. E não é só. Uma fêmea, se não ocorrer nada de errado, só terá dois filhotes ao longo da vida. Pandas vivem numa região específica da China. Uma vez por ano as fêmeas vão para o topo de uma montanha com dois quilômetros de altitude. É uma caminhada lenta. Os machos a seguem depois. Há muito menos fêmeas do que machos, que, caso se encontrem no caminho, lutam ferozmente, às vezes até a morte, pelo direito de procriar. Alguns desistem, outros seguem. Então, quando o panda chega ao alto da montanha, o que acontece? Descobre que a fêmea está em cima de uma árvore. Não se sabe o porquê, mas ela pode não simpatizar com ele e continuar lá em cima. Foi o que aconteceu no documentário. O panda macho, que havia passado o diabo para chegar ao topo da montanha, enfrentado outro macho, comido todo o bambu possível, aguardou, aguardou, argumentou, se lamentou, mas ela não desceu. Acabou indo embora frustrado. Um panda a menos no mundo. Se a natureza não quisesse o panda extinto teria mudado alguma coisa, não? Pois é. Tibetanos são a versão humana e atual dos pandas. São simpáticos, todo mundo gosta deles. Agora mesmo sou bombardeado quase todos os dias por spams sobre o Tibet. Me mandam imprimir confetes escrito "Free Tibet" e atirar na tocha olímpica. Me dão sites do governo da China para protestar. Me pedem para participar de abaixo-assinados. Às vezes me tentam vender adesivos e camisetas. Como os pandas, os tibetanos resolveram viver nas alturas. O noticiário das últimas semana nos dá a impressão que são todos como o Dalai Lama: sorridentes, simpáticos, do bem. Embora não vivam de comer bambu, são indefesos diante dos horríveis e opressores que, como as fêmeas pandas em cima da árvore, impedem que façam o que mais gostam, no caso serem budistas. Isso é uma conveniência histórica. Gary Brecher lembra aqui: no tempo em que podiam enfrentar os chineses, os tibetanos carregavam em sacos as orelhas dos inimigos mortos. Não eram menos cruéis do que qualquer conquistador. Agora são pandas. Que pandas queiram viver como pandas eu compreendo, mas não é mesma coisa quando se trata de um país (1). Parte das pessoas que vejo defender o Tibet é sincera nos bons sentimentos. Muita gente ama causas nobres. É confortável, como também lembra Gary Brecher, aliviar a própria consciência e esquecer que o mundo é complexo tendo apenas o trabalho de colar "Free Tibet" no vidro do carro. Outra parte dos defensores do Tibet é meio incongruente: anda indignada porque o governo brasileiro quer dar um pedaço do território aos índios... do Brasil. Não admite que estes formem "nações", seja lá a conspiração que vejam nessa palavra, mas querem isso na China. A lógica do bom selvagem vale para orientais, mas não aqui. O Brasil – argumentam – tem direito a fazer o que achar necessário para defender o próprio território, mas se chineses o fazem, ah, estes comunistas cruéis. Um bom exemplo de vergonha na cara nacional é olhar o que os chineses estão fazendo. O mundo grita, pede boicote às olimpíadas, a China não está nem aí, responde: experimenta boicotar! É até suave com os tibetanos. Mais uma vez citando Brecher: é só olhar o que os ingleses fizeram um século atrás no próprio Tibet. Mas agora os ingleses, já que não podem mais ter um império, também são bonzinhos. A China está certa em fazer o que é preciso para manter o próprio território. É para isso que Estados desfrutam do tal monopólio da violência. Se aqui o usassem mais, a violência nas cidades não teria chegado aonde chegou. Quem discordar, jogue um confete. Devido à ausência recente de idéias, este blog ficará inativo por um mês. Vou aproveitar para ler, me mudar, tomar café, ver os amigos, cuidar da minha vida que não depende de Internet. Um abraço a quem fica. (1) Podem conseguir, é só ver o exemplo do Kosovo, um lugar onde o Ocidente sempre quis ficar do lado dos caras maus só porque tinha outros interesses. # alexandre rodrigues | 18 de abril Comentários (0) | TrackBack (0)De volta a David Foster Wallace. O que achei sensacional foi a capacidade dele de estender a digressão a um ponto em que cada conto não é mais uma história, não é mais refém de um acontecido, da ação, mas, sim, é a própria digressão. Não se faz isso sem segurança a respeito do próprio estilo e também se desmontar, tópico por tópico, lição por lição, o método tradicional de escrever. Imagino que o establishment não goste muito de seus livros. # alexandre rodrigues | 11 de abril Comentários (0) | TrackBack (0) |
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