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Tenho uma grande dificuldade para dormir de dia. Vem desde criança. Quando menino, mal terminava o almoço e era obrigado a fazer a sesta, que consistia invariavelmente no ato de ficar acordado de olhos fechados no meu canto por mais de uma hora enquanto a minha mãe ressonava no quarto. Depois, na adolescência e na idade adulta, a dificuldade se tornou hábito. Se acordar muito cedo, mas já for dia claro não durmo. Nem mesmo trabalhando de madrugada na última Copa do Mundo e chegando em casa apenas no início da tarde, conseguia dormir direito. Era preciso a exaustão completa, a total impossibilidade de manter os olhos abertos, para poder dormir um pouco. Mas logo acordava, o que fez meu sono ao longo daquelas semanas se resumir a não mais do que quatro horas diárias, em dois turnos de duas (o outro era entre meia-noite e duas da manhã). Daí minha completa perplexidade diante da descoberta de que há um momento em que sempre durmo de dia: passei esta tarde pela terceira ressonância magnética dos últimos anos. Para tornar infernal um exame que já é desagradável de qualquer forma, em todas as três vezes o problema se situava acima do ombro, o que me faz ser enfiado inteiro naquele tubo. Meia hora, quarenta minutos imóvel, desconfortável, com o ombro doendo enquanto o ruído do aparelho, altíssimo, faz clec, clec, clec, clec... Pois dentro daquele tubo, com um barulho repetitivo e alto ecoando por todos os lados, pela terceira vez não precisei nem de cinco minutos para dormir. # alexandre rodrigues | 8 de dezembro Comentários (0) | TrackBack (0) |
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