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Exatamente. A solução é adotar o princípio da informação distributiva e dar às pessoas incentivos para contarem a verdade. Se um marido está traindo a mulher, provavelmente muitas pessoas sabem disso. O marido sabe, a amante sabe. Provavelmente, a secretária do marido também. Os amigos dele. Talvez até os amigos da mulher traída saibam. Muitas pessoas devem suspeitar. Se ela for perguntar: “o meu marido está me traindo?”, muitos vão dizer “ah... não...”. Eles não querem se envolver. Então, ela precisa criar incentivos. Sugeri que ela escrevesse uma carta, como um certificado: “Para quem receber esta carta, pagarei cem dólares se o meu marido for flagrado me traindo durante o próximo ano”. Ela põe a carta à venda no e-Bay e anuncia às pessoas próximas ao casal. Se as pessoas acreditam que o seu marido tem uma amante, haverá compradores. Este é exatamente o princípio de avaliação se uma empresa vai bem ou não através da análise da venda de suas ações. Não gosto de entrevistas em ping-pong. Nunca apreciei fazê-las. Primeiro por ser uma forma medícre de reproduzir o pensamento de alguém. Empilha-se pergunta e resposta sem reflexão ou um texto bem construído, diminuindo o impacto da entrevista. Segundo, é o tipo de relação em que o entrevistado tem imensa vantagem em relação ao entrevistador, pois sabe a verdade enquanto o repórter, mesmo que também saiba, precisa arrancá-la explicitamente, mas em geral só tem sucesso se o outro for imprevidente. Entrevistas em ping-pong descartam o off e usam uma fórmula preguiçosa. Impedem que uma revelação surja aos poucos. Quando aparece uma informação importante, a obrigação de fazer a entrevista ir adiante geralmente desarma o repórter, o faz recorrer a uma pergunta irrelevante, tipo "do que se trata, então?" Este aí em cima é um exemplo claro do negócio. A repórter ficou tão fascinada pela possiblidade de se usar a economia para tratar de um caso de traição que passou à próxima pergunta sem perceber que a resposta de Tim Harford é cheia de falhas. Se a mulher anunciar aos amigos que pôs a tal carta no e-bay, é de se imaginar que, da mesma maneira que ocorre com uma traição, o marido também saberá da carta. Se o marido for inocente, o casamento acabou. Vítima da paranóia da mulher, muito dificilmente poderia aceitar uma atitude destas sem questionar se vale a pena manter a união. A humilhação pública pode muito bem levá-lo a concluir que não. Mas se o marido for culpado, o casamento também acabou. Não vai esperar um ano para ser descoberto.Ganha um grande argumento para deixar o casamento antes do flagrante, alegando que a mulher é uma desequilibrada. O único conforto para a mulher passa a ser a chance de descobri-lo antes, o que também faria o relacionamento chegar ao fim. Ou, numa única boa hipótese, o marido traidor, precavido, desiste da traição e continua ao lado da mulher que, no entanto, vai continuar traída e sem saber da infidelidade. No fim, a resposta mais provável que a economia pode dar à mulher é: você vai se dar mal. # alexandre rodrigues | 9 de dezembro Comentários (0) | TrackBack (0) |
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