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(Idéias: Alexandre Rodrigues. Idéias e digitação: Luzia Lindenbaum)

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Certa vez eu tive a idéia de escrever O Grande Livro das Citações Óbvias, compêndio destinado a coletar o que há de mais banal no pensamento célebre. A primeira coisa a fazer foi procurar saber se havia tal título. O Google me informou que não, assim como alguns conhecidos. Por curiosidade, procurei também se existia algum livro a respeito de citações pobres ou banais. Nada. Embora a maioria das citações seja óbvia, pobre ou banal, parece feio no mercado editorial que se assumam como o que realmente são.

Não seria assim, é lógico, com o Grande Livro das Citações Óbvias, cujo título já seria um enunciado de sua absoluta previsibilidade. Ou não porque, além de óbvias, todas as citações seriam mentirosas. Chega de ouvir falar da frase de Goebbels, aquela sobre a mentira repetida a infinitum virando verdade, etc. Muito mais impacto causaria se alguém, no meio de uma conversa, fizesse uma breve pausa e depois dissesse algo assim:

– Como diria Goebbels, um carneiro não é uma torradeira.

Haveria uma certa perplexidade em volta, todos se perguntando o que, afinal de contas, Goebbels, o Malvado Goebbels, o Sujo Goebbels, o Infame Goebbels, queria dizer com aquilo. Ainda mais que a frase passara a pender sobre a mesa do bar no momento alguém tentava discutir o atual Big Brother. Mas ele, enigmático, sacaria outra citação, desta vez de Albert Einstein:

– Cof-cof.

– Ele tossiu?

– Acho que é alemão.

– Ah.

Seria a chance de desancar intelectuais que citam Arendt ou Foulcaut em qualquer ocasião. Deixem eles com a Hannah e o Michel. Quando viessem com uma citação de Hannah Arendt, qualquer um poderia, com uma rápida pesquisa, rebater-lhe nas fuças:

– Mas tem aquela outra dela. Entre Toddy e Nescau, prefiro um Danoninho.

Hannah Arendt falou isso mesmo? Está aqui, ó – diria o interlocutor, mostrando a frase impressa. Por força do hábito, o intelectual não se daria por vencido. Provavelmente se recostaria, com um olhar desprezível.

– De fato...

Haveria uma penca de frases mentirosas atribuídas a Dumas, Voltaire, Balzac, Joyce, Fante, Kafka, Dylan Thomas, Baudelaire, dezenas delas para Shakespeare. Algumas inusitadas. Oscar Wilde teria dito:

– Todo homem gosta de uma chaleira.

Hemingway:

– A tourada é o teatro dos bigodudos.

Churchill e Roosevelt:

Em coro: – Os justos preferem as cebolas.

Para dar um toque nacional, seriam coletados alguns representantes brasileiros. Poucos. Não temos tanta relevância. Rui Barbosa, o Marechal Hermes ("Bicicleta é coisa de comunista!"), Dom Pedro I ("Venha cá, minha mucaminha" – se bem que essa provavelmente ele disse mesmo), Washington Luís, o Machado, Lima Barreto. O único contemporâneo seria Rubem Fonseca:

– O Rio é um cocô sujo de bosta.

E Bandeira finalmente teria a "Passárgada" esquecida.

– Vou embora para Nova Iguaçu. Lá tem um bairro chamado Cabuçu.

Eu sei, é uma péssima rima.

# alexandre rodrigues | 29 de novembro Comentários (4) | TrackBack (0)


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