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agosto 29, 2004

Edgar Degas --------

Edgar Degas


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agosto 27, 2004

Mas sempre adorei muito isso.

Mas sempre adorei muito isso. É olhar e ficar feliz. Preciso colaborar com esse projeto mundial qualquer anos desses. Só assim passarei para a maioridade. Sim, me emocionei quando vi no Big Fish.
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Só pra não deixar passar

Só pra não deixar passar em branco, hoje tive o sonho mais longo do ano. Raramente tenho sonhos longos. São todos pequenos e rápidos, que não dão tempo pra eu sequer imaginar que é sonho. Esse foi diferente, foi muito longo. Em vários momentos eu desconfiei daquilo tudo, e como um bebê fiz o que sempre faço nos sonhos pra acordar: estalar os dedos ou bater palma. Esse eu estalei e bati palma que nem um panaca. E nada. Não dá pra entender porque a gente acredita naquela palhaçada toda por mais impossível e surreal que ela seja. Nesse meu sonho choveu muito, muito, até que alagou tudo. Alagou uma piscina olímpica e a água que vazava tomava a forma da piscina em pleno ar. Uma enorme quantidade de água em formato quadrado se auto-sustentando no ar. E os mais aventureios entravam, mergulhavam e saiam do outro lado, andando. A chuva era muito pesada, eu estava com uns velhos vendo aquilo tudo debaixo de um teto e todo molhado e com frio por causa da ventania. Coqueiros dançando sempre é bonito de se ver. Eu tava molhado e com frio, e eu tava debaixo do meu edredon quentinho e com a cabeça apoiada no meu travesseiro fofo, e molhado e com frio. O nosso cérebro não é nada mais que uma super maconha. O aspecto pesadelo se deu quando a chuva parou, a grama secou, ficou verde e meu irmão não conseguia me reconhecer. Ficou maluco, querendo bricar de luta mas não sabendo muito bem diferenciar a brincadeira da luta. Eu só conseguia segurar ele e perguntar se ele não sabia quem eu era. É muito aterrorizante quando uma pessoa muita próxima olha pra você como uma expressão que você jamais viu no rosto dela. Ela te mostra aquilo que você nunca viu nela. É como uma garota que apenas lhe tratou de forma carinhosa e absurdamente amável, por mêses a fio, daquela maneira tão amável e mágica que te deixa atordoado, até que algo quebra isso e ela se mostra uma outra pessoa. Não gostanto tanto de você assim. Você olha pra ela e vê então uma desconhecida, mas não dá pra acreditar, não dá pra associar aquela imagem que só é relacionada a coisas ótimas com aqueles sentimentos nos olhos que te vêem. Essa sensação de estranhamento. Nada pessoal, por favor. Mas eu tenho certeza do responsável pelo longo sonho. Eu quase sabia que ia acontecer, e não deu outra. A última coisa que li antes de dormir foi o conto "Homem Armário" do Ian McEwan. Um dos contos do livro Primeiro Amor, Último Sacramento & Entre Lençóis. O McEwan se mostrou muito capaz de me impressionar apenas contando uma história. Muito pavoroso esse conto, mas ao mesmo tempo completo de emoções comuns ao ser humano. Estranhamento é o que acontece ao fazermos essas associações. Acabei de ler e tive que respirar um pouco antes de dormir. Nunca fui de acreditar que aquilo que você faz antes de dormir pode influenciar no sonho, mas isso com livros que tem alguma forma de horror eu estou começando a acreditar. Tudo começou com o Will Self. E agora não sei porque estou escutando essas músicas aterrorizantes do Death in June,a "Bloody Victory". Vou colocar um Super Furry Animals pra balancear. Mas viva a literatura. Hoje tive um ótimo dia. Espero que você tenham um bom dia também, amanhã. Se não tiverem, que ao menos lá no fundo fiquem felizes por estarem tristes. Se é que isso faz sentido pra vocês. Abraço em todo mundo que eu conheço.
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agosto 26, 2004

Acabei de ver meu segundo

Acabei de ver meu segundo jogo das olimpíadas. O primeiro foi Brasil e Itália no vôlei feminino. O segundo foi agora o decepcionante Brasil e Rússia, também no vôlei feminino. A verdade é que odeio acabar tendo que torcer pra algum dos países. Assim o final nunca é feliz. Vejo mais pelo balé e pelo desfile. Rússia e Itália, ahhhh. Não é todo dia que a gente vê tantas modelos juntas em modelitos tão belos. Já o time atual do Brasil não está tão fascinante assim, mas eu curto às ganha o jeitão blasé da Mari. Pena ele ter feito tantas invasões hoje. Pesaram. E é lei universal, quem perde cinco matchpoints nunca ganha. Foi triste, eu torci. Ainda bem que na mesma hora cortaram pro Galvão narrando a final do futebol entre Brasil e Estados Unidos, exatamente quando elas iam começar a chorar.
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Agradável a reportagem da Tania

Agradável a reportagem da Tania Menai pro no mínimo sobre algo que me deixa curioso faz um tempo: o metrô de NY.
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agosto 24, 2004

Esse aí, disse para si

Esse aí, disse para si o principezinho, ao prosseguir a viagem para mais longe, esse aí seria desprezado por todos os outros, o rei, o vaidoso, o beberrão, o homem de negócios. No entanto, é o único que não me parece ridículo. Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio. [O Pequeno Príncipe, pg. 53, edição nº 12]

Com uma dedicatória na primeira página de 42 anos atrás.
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agosto 20, 2004

Colors 58. Quase chorei vendo

Colors 58. Quase chorei vendo as fotos do Cairo, China e Bulgaria. Me senti na caverna fetichista, mojo. (via patricia)
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agosto 19, 2004

O fim da tarde é

O fim da tarde é alguma coisa que falta, que foi embora, sumiu, e ficamos aguardando sem noção alguma do que seja.

Sempre sei quando quero ler o Carpinejar.
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agosto 18, 2004

O Mogwai colocou na seção

O Mogwai colocou na seção audio do site oficial uma versão ao vivo da "Ratts of the capital". Só para os fãs, porque bom mesmo tá o novo do The Cure. AAAAAuuuuuu.
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agosto 16, 2004

O Guilherme "Fozy" Lemos me

O Guilherme "Fozy" Lemos me mandou esse site que tem em mp3 um vinil triplo do Nick Drake entitulado Time has told me. A qualidade é inferior a de um vinil comum. Em uma música ele erra e para sem explicação. Um pouco estranho. Mas que diferença faz, é Nick Drake. "Time has told me", "Hazey Jane I", "Day is done". Tem que ouvir. Imperdível é a versão apenas em piano da "Saturday Sun", a música mais bonita já feita na face da Terra.
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Acabei de ler meu quarto

Acabei de ler meu quarto livro do Philip Roth. Comecei pelo "A Marca Humana", depois "Pastoral Americana", "I Married a Communist" e agora terminei "O Professor do Desejo". São todos muito bons. Os temas não são agradáveis nem fáceis de encarar. É sempre o ser humano em momentos de crise. Mesmo assim dá um enorme prazer em tomar contato com tamanha habilidade literária e maturidade que só um grande escritor com mais se sessenta anos tem o poder de transmitir. Mesmo que perguntas não sejam respondidas, e que a sensação ao terminar o livro nem sempre seja redentora, é um lugar altamente recomendado pra quem ainda faz questão de ter algum tipo de comunicação além das conversações comuns e apressadas do cotidiano. Enquanto existirem os livros, as pessoas terão que se esforçar um bocado pra se sentirem realmente sozinhas. E então compreendeu que a parte mais complicada e difícil ainda nem havia principiado...
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agosto 13, 2004

Some things are pure delight.

Some things are pure delight. Update: Everything is pure delight. No time to complain.
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agosto 11, 2004

Mais tarde, quase no fim

Mais tarde, quase no fim da aula, afastei os olhos do livro A dama do cachorrinho, que lia em voz alta, para colocá-los fixamente no olhar inocente e ainda não corrompido da moça judia, gorda, séria, compassiva, de Beverly Hills, que se sentara na fila da frente, durante todo o período, anotando tudo quanto eu digo. Li para toda a classe o último parágrafo do conto, em que o casal adúltero, abalado ao constatar o quanto se amava, procura em vão "compreender por que ele devia ter uma mulher e ela um marido". "Parecia-lhes, então, que em apenas alguns minutos mais encontrariam uma solução, e que uma vida nova e bela ia começar. Entretanto, ambos sabiam muito bem que o fim ainda estava muito, muito longe, e que a parte mais complicada e difícil estava apenas principiando." Ouço a minha voz falando da enternecedora transparência do final - nada de falsos mistérios, apenas os fatos rígida e diretamente apresentados. Falo da proporção da história humana que Tchékhov consegue incorporar e quinze páginas, de que maneira o ridículo e a ironia, gradativamente cedem lugar, mesmo em tempo tão curto, à tristeza e ao patético, se seu sentimento pelo momento da desilusão e por aqueles processos em que o momento presente aparentemente se apodera até das nossas mais inocentes ilusões, não falando dos grandes sonhos de realizações e aventuras. Falo de seu pessimismo e daquilo que ele denomina "esse negócio de felicidade pessoal", e durante todo o tempo desejo perguntar à roliça garota da primeira fila, que rapidamente passa para o seu caderno tudo quanto digo, se ela quer ser minha filha. Desejo pagar suas roupas e as contas do médico e, quando estiver se sentindo triste ou só, que venha e passe os braços ao redor do meu pescoço. Se apenas tivéssemos sido Helen e eu que a houvéssemos criado assim tão meiga! Mas como poderíamos nós dois criar alguma coisa? [O Professor do Desejo, Philip Roth, pág 64]

...

O controle que exerci sobre mim, desde o desaparecimento de Helen, dissipou-se num instante e eu, então, senti necessidade de virar o rosto, pressionando-o contra a janela obscurecida da sussurante aeronave, que nos está levando de volta à pátria, a fim de completarmos, legal e ordenadamente, o desmembramento de nossas vidas destroçadas. Choro por mim mesmo, choro por Helen, e finalmente, choro mais ainda ao compreender que ainda não foi destruída a última coisa e que, apesar da minha absorvente obsessão com a infelicidade matrimonial e o desejo romântico de chamar meus jovens alunos para virem em meu auxílio, de certo modo tenho de fazer com que essa filha de Veverly Hills, doce, roliça, incólume e ainda sem temores, termine o segundo ano da universidade com a composição de um soturno e belo lamento, que sintetiza o que ela chama "a global filosofia de vida de Anton Tchékhov". Mas será que o professor Kepesh lhe ensinou isso? Como? Como? Estou começando a aprendê-lo nesse vôo! "Nascemos inocentes", a moça escreve, "sofremos terríveis desilusões antes de ganharmos experiência e, depois, tememos a morte. . . e nos são concedidos apenas fragmentos de felicidade para compensar o sofrimento." [pág 80]

O Philip Roth ontem começou a compartilhar umas coisas antigas comigo aqui.
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agosto 10, 2004

Como é bom dormir oito

Como é bom dormir oito horas de sono absolutamente tranqüilo. Há dois meses tenho dormido apenas seis horas. Sempre acordando com a sensação de que não é mais possível ficar na cama, mesmo que ainda haja cansaço ali. Pensei que fosse a marca da velhice dos vinte e três já batendo, juntamente com a herança do dormir pouco de meu pai, sobre a qual ele reclama às vezes, mais nos finais de semana. Mas hoje acordei totalmente descansado, sem ninguém me interromper o sono durante a noite e fazer com que demore pra dormir de novo. Foi um acordar bem feliz, posso dizer. Dei um salto da cama, fiquei de pé parado um pouco, liguei o monitor, coloquei Devendra Banhart, ouvi, cantei junto e quase chorei um pouquinho. Não esqueçam da existência da geléia de morango em sua vidas. Tenham todos um ótimo dia!
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Grande clássico. Passa todos os

Grande clássico. Passa todos os feriados nos Estados Unidos, segundo o Pinha. Acredito que em especial no Natal. Até diria que é de longe o melhor filme de Natal que já vi, apesar de não ser sobre Natal. Deveria passar sempre por aqui também, já que é tão acessível. Me interessei nele vendo a lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos do IMDb. Estando entre os primeiros, com o sumário dizendo "Veja antes de cometer suicídio!"

Imaginei que seria algo bem mais pesado e redentor, mas não bateu tão forte nesse sentido. É bom por mostrar como nossas vidas quebradas, comuns e imperfeitas são cheias de preciosidades e grandes significados. Como os laços que criamos com todas as pessoas é de uma enorme importância. George Bailey, um homem de negócios com as aspirações de ter uma família perfeita, só percebe isso quando seu anjo da guarda sem asas, bem ordinário e engraçado o salva do suicídio. Pulando antes dele da ponte no rio congelante, fazendo com que ele tenha que pular também para o salvar. Da mesma forma que ele fez quando criança com seu irmão. O anjo então cria a ilusão em George fazendo com ele perceba o mundo sem que ele estivesse existido. Como se ele não estivesse nascido, o desejo comum que ele tem quando em desespero. Assim ele vê claramente a gritante importante de todas as conexões que ele fez durante a vida. De como é importante a simples presença dele naquele contexto comum aos olhos do cotidiano.

O legal é que nenhum dos seus problemas que o levaram a querer se suicidar são resolvidos para que ele perceba isso. Os problemas ainda estão todos alí, apenas a maneira que ele os vê é que muda. Algo clichê de se falar, mas muito difícil de vivenciar, como tudo. É engraçado como ele passa a adorar até seu inimigo, aparecendo em sua janela e gritando feliz natal, louco de felicidade. É um filme bem legal por mostrar essa mudança de perspectiva repentina. Porém não é pesado como imaginei, de chorar na poltrona. Pra família ver junto. E não deixem de esquecer: no man is a failure who has friends. De 1946.
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agosto 09, 2004

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agosto 08, 2004

Sábado, oito de agosto de

Sábado, oito de agosto de 2004 foi um dia legal. Só se o alzheimer pegar pesado mesmo pra esquecer.
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Feliz dias dos pais para

Feliz dias dos pais para todos os pais que visitam esse blog! Parabéns por serem pais.
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Quando falo diante de uma

Quando falo diante de uma audiência, ou ao ler trechos de meus livros para ela, estou exercendo o papel da ficção, porque o que tenho para dizer ou ler não é um assunto localizável em discussões estritamente sociais. O que faço nesse caso é um pouco levantar o tapete para apontar o que calamos, muitas vezes sob o medo da pecha da demência e outras inutilidades para a vida cotidiana. (João Gilberto Noll)

Roubado sem remorso lá do rancho.
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agosto 05, 2004

Nunca gostei de café puro.

Nunca gostei de café puro. Eu queria gostar por algum motivo que me foge. Mas era um hotel de cinco estrelas e eu por diversão conversava e tirava fotos mulheres de bikini que tomavam café, algumas conhecidas outras não. Andando pelo local me dou de cara com o chef do hotel, descansando em uma cadeira de tomar sol. Comentei pra ele que não gostava de café, e logo ele respondeu com o rosto como se dissesse espere até tomar o que eu faço. Começou a despejar numa xícara bem grande e quando estava quase pronto um sorriso me chamou e zarpei dalí.

Daí não achei mais o chef, que tinha deixado seu cartão onde havia seu endereço. Achei falta de educação ele ter preparado o café e eu ter sumido. Peguei uma bicicleta preta, sem marcha, de ferros altos e largos, e andei até encontrar sua casa. Encontrei. Antes de bater palmas, olho pro lado e vejo que é uma casa conhecida. Não é possível, penso, até que uma moça de bicicleta vem vindo na direção. Olho de longe e a imagem me lembra a Tainá. A medida que se aproxima dá pra ver com clareza: não é que é ela mesmo. O irmão do chef, idêntico a ele só que com os traços de nordestino mais acentuado, chega trazendo pães e guloseimas de padaria. A Tainá veio me cumprimentar e eu, feliz da vida, dei a idéia de irmos comprar pão pra depois pegarmos o famosíssimo café do chef e fazermos uma surpresa pro meu amigo Daniel.

De início eu ia sozinho. Ela entrou em sua casa e voltou correndo, quase saltitante, muito mais feliz. Não disse nada, mas rimos. Montou na garupa e tratei de mandar força no pedal. Descemos a ladeira pedregosa sem trocar nenhuma palavra, apenas rindo cada vez mais que a bicicleta tremia e pulava por causa dos paralelepípedos. Até que começou a pegar um certo embalo, e para meu desespero, começou a tocar no meu walk-man mental a música "Transmission" do Joy Division. Que não tinha fim, só aumentava a velocidade, assim como a bicicleta. E quanto mais eu ficava tenso, mais ela se divertia, mexendo as pernas e tirando a mão do guidão, levantando pro alto por alguns segundos. Rindo e ao mesmo tempo tenso, tentei de tudo para controlar a bicicleta, mas não deu. Tava muito rápido e capotamos de uma forma horrível.

Foi tão forte o tombo e era tão duro e agressivo o paralelepípedo que não sentia dor. Estava num estranho estado de semi-consciência onde ainda resistia o humor bizarros das risadas idiotas de segundos atrás. Podia sentia que estava prestes a desmaiar, então fiz força pra manter a consciência. Vi os joelhos e canelas da senhora Müller Natal ralados. Olhei pro rosto e vi que tava tudo bem alí, graças ao capacete. Estava deitada aparentemente numa boa, apesar do tombo. Mas também sem constrole sobre seu corpo. Quem já levou tombo feio de bicicleta sabe o que é essa paralisia momentânea. Até que percebi algo de diferente na minha mão. Olhei pra ela e tinha apenas o toquinho do indicador e do dedo médio. Só o toquinho com menos de dois centímetros, com a carne aberta na ponta. Meu dois dedos tinham sido amputados durante o tombo. Só não desesperei muito porque meu estado não permitia. Olhei pro chão e vi os dois dedos jogados. Peguei os dois dedos avulsos e levantei pertinho dos olhos, maravilhado de horror. Com a sensação deles não estarem mais conectados comigo. Apontei os dois pro rosto da minha amiga que nunca conversei e falei "Você precisa me levar pra um hospital senão vou perder meus dois dedos." O que não causou muita comoção. Olhei pro toco de novo e coloquei os dois dedos dentro do meu bolso. Não era boa a sensação de ter eles avulsos no bolso da calça jeans.

Agora já posso dizer que é certo. Ler antes de dormir o "Minha Idéia de Diversão" do Will Self me dá pesadelos.
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Larry Rohter, aquele correspondente do

Larry Rohter, aquele correspondente do NYT no Brasil que falou que o Lula é bebum e que estamos preocupados com isso, escreve sobre o temível mês de agosto para nós brasileiros. Pra dizer a verdade eu nem lembrava mais disso. Os tragédias envolvendo políticos são interessantes de lembrar, juntamente com o dia do Exu. No mais a matéria dá a entender que de fato esse Larry é meio passadinho mesmo, apesar de soar um bom vivã.
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