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maio 31, 2004
Being Dudu Nasi Comentário da
Being Dudu Nasi
Comentário da Barbara sobre o post do despertador:
Naquele email, esqueci de comentar teu comentário sobre despertadores.
Desde que meu celular (o melhor despertador do universo) estragou, minha vida está bem pior mesmo, por causa do jeito como acordo. É realmente o som do fim do mundo, especialmente o alarme do rádio-relógio, que geralmente eu desligo tirando da tomada, de tanto susto.
E eu também geralmente acordo e desligo antes, acho que meu organismo tenta se previnir naturalmente contra aquela agressão. O lado positivo é que não tem jeito de eu voltar a dormir depois que toca. Meu coração fica até palpitando.
A vida inteira, quando morava com a minha familia, era meu pai quem me acordava. Acho que isso é a coisa de que mais sinto falta de morar com os pais.
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Bonita sua Touca Entrei em
Bonita sua Touca
Entrei em cima da hora na segunda aula mas ainda não tinha ninguém na sala. Só uma colega digitava com uma cara péssima diante do computador. Ela não estava bem, dava pra ver. Sentei a duas cadeiras de distância e lendo email percebi que ela ficava mais nervosa e agitada. Olhei pra ela e fiz a relevante pergunta: Tá nervosa hoje, Ana?
Como resposta recebi seu pequeno desabafo, como se eu quase fosse íntimo. Desabafo que só cheguei a ouvi até o "ninguém merece ter o pai que tenho, meu". A touca escura que ela usava era muito interessante. Não conseguia entender aquilo. Parecia um tipo de veludo entrelaçado. Era tão legal que pedia pra ser tocado. Fiquei olhando pra aquela touca sem sequer ouvir uma de suas palavras. Continuava falando quando me levantei e com minha mão inteira apalpei a touca, dando pequenas tapinhas em sua cabeça. Mas que massa é sua touca, heim.
Ela parou de falar na hora. Abriu um sorriso e perguntou Cê gostou? E começou a contar a história daquela touca.
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Dharma Tip Como é bonito
Dharma Tip
Como é bonito esse O Treinamento da Mente em Sete Pontos de Atisha. Curto ficar relendo e relendo.
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maio 30, 2004
Eternal Sunshine of the Spotless
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Jim Carrey já havia me impressionado em "O Show de Truman". Passei a admirá-lo muito mais depois do ótimo "Man on the Moon", onde interpreta de forma impecável o comediante Andy Kaufman. Mas sem dúvida o melhor filme e a melhor atuação de sua carreira estão neste recém lançado Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Até eu que não gostava do Jim Carrey agora estou virando fã. Com esse filme ele conseguiu dar uma boa apagada em sua única imagem estereotipada de comediante de caretas e se mostra um baita ator bastante completo.
Imagino as pessoas vendo o cartaz do filme e escolhendo assistir, imaginando ser uma comédia legal pra ir ver com a namorada, sem fazer a menor idéia de quem está por trás da história é ninguém menos que Charlie Kaufman, de "Adaptation" e "Being John Malkovich". E ao contrário de que a publicidade está dizendo, não encontrei comédia em lugar algum no filme. Achei um filme bem difícil, nem um pouco leve. Desnorteia tão quanto ou mais que "Memento", sem contar que há um romance como ponto central da história.
O filme é sobre memória, bardos, apegos que duram uma vida inteira. Até que ponto você pode esquecer das coisas que mais te fizeram feliz? Até onde isso vai existir em ti? Aquele momento em que a perfeita ilusão de toda felicidade imaginável se reuniu e caiu sobre você, personificada em outra pessoa. Até onde é possível esquecer essas coisas? E se é que há uma mensagem passada, essa é a de não tentar esquecer. Só vai piorar tudo. Mas não há sequer uma mínima apelação pro sentimentalismo. A edição fragmentada e os efeitos não deixam. Brilhante.
Com Jim Carrey e Kate Winsley. Muito bom. Entrou pra minha lista de filmes prediletos. O melhor que assisti em 2004.
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maio 29, 2004
Devendra Rejoicing in the Hands
Devendra
Rejoicing in the Hands is a record concerned with the absolute smallest things in life-- which usually end up being the most important-- helping pass the time when time is the only thing going anywhere. It's unconcerned with the past or the future, and is only too ready to supply songs you could sing after dinner or first thing in the morning. It seems valuable to hear something like "we have a choice, we chose rejoice" coming from a new CD, as if that was the only kind of value music was ever supposed to have.
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Drop it Deixa os fenômenos
Drop it
Deixa os fenômenos fazerem-se de bobos por si próprios.
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The Day After Tomorrow Percebi
The Day After Tomorrow
Percebi que sou um motherfucker mesmo quando antes de aceitar o convite para ver "O dia depois de amanhã", dei uma passadinha no IMDb pra ver se valeria a pena. Os comentários eram escabrosos. Coisas como "Deixe seu cérebro no banheiro antes de entrar no cinema" e "A melhor parte do filme foi os meus dois sacos de pipoca." Mesmo assim, percebendo esse meu movimento antes de simplesmente aceitar o singelo convite, fui.
Não é bom mesmo. Até botei fé por causa do quesito fim do mundo. Tentei me concentrar para que algo batesse mas não deu. Relevei o que tinha que ser relevado e não sobrou muita coisa disso. O pessoal ficou apavorado por ter achado ruim e num momento de tensão alguém da platéia fez piadinha e todo mundo riu. Não era o fim do mundo. Mas não fiquei irritado nem saí do sério durante as longas duras horas de filme. Absolutely no problem.
Como disse o Diego, o que vale mesmo é o antes e depois do filme. Realmente foi divertido ficar falando besteiras, rindo e se contorcendo por causas das rajadas de vento congelantes que há tempos tinha feito deserto o estacionamento do shopping Dom Pedro.
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maio 28, 2004
A Marca Humana Acabei de
A Marca Humana
Acabei de ler há duas semanas meu primeiro livro do Philip Roth, A Marca Humana (Companhia das Letras, 454 págs, tradução de Paulo Henrique Britto). Nunca tinha lido algo em que a variação da narrativa era tão impressionante e sensacional. Milhares de níveis estruturais narrativos, como disse o Nacho. As descrições também não ficam pra trás. A maneira como a história é contada passa um tipo de sabedoria muito peculiar, e por isso mesmo muito liberadora. Mas vou me conter e não comentar sobre isso. Pode estragar a leitura. Fica a dica pra quem está pensando em comprar um livro e não sabe qual. Pode gastar seu dinheiro tranqüilo nesse. Meu próximo vai ser o Pastoral Americana.
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Manteiga Aviação Se tem uma
Manteiga Aviação
Se tem uma coisa que me tira do sério é despertador. Não gosto mesmo. Nem de acordar com o rádio muito menos com o alarme. O alarme do meu despertador é o som que invoca o fim do mundo. Como ser humano em evolução não mereço. Quando preciso coloco o despertador pra previnir, e vou dormir para que dê minhas seis horas de sono tranqüilo. Daí acordo antes e desligo ele. O que resulta num dia completamente diferente. Há dias que acordo antes dele e todo dia é um prazer enorme poder desligá-lo. Eu não preciso acordar cedo todo dia, mas às vezes faço por esporte. É que na verdade gosto de tirar uma soneca à tarde.
Hoje fui comprar pão. Gosto deir comprar pão de manhã. Fui mesmo no frio que tá. Não mudo de roupa, apenas coloco uma blusa de frio e vou andando de chinelo com minhas meias pretas até a padaria. Importante não fazer nada antes disso. Ver email, essas coisas pode. Falo de escovar os dentes ou ajeitar o cabelo arrepiado. Hoje enquanto esperava sem pressa espaço entre os carros para atravessar o balão, via quantos rostos mal humorados passavam dentro dos carros. São os mesmos que ficam perturbados quando você diz só pra irritar "hoje eu não fiz nada".
Mas percebo como sou preguiçoso e desatento quando descubri no supermercado a Manteiga Aviação. Agora posso decretar que margarinas nunca mais. É, eu usava. Lembrei também da existência da geléia de morango, mas isso é pra outro post. Como dizia, ignorância é a fonte de todo sofrimento e não se pode reclamar com ninguém. Ela não é tão boa como a manteiga caseira que minha Vó Maria fazia quando eu era criança, mês passado. Mesmo assim é decente. Lembrar que comia aquela manteiga me faz acreditar que vivi num tipo de paraíso celeste. Mas nem tanto, até medo de escuro eu tinha. E chorava quando tirava nota vermelha na escola.
Mas fico emocionado por ter descoberto uma manteiga boa dentro do supermercado. Um sinal que a sociedade não está de toda perdida. Há focos de bom gosto e paladar em meio a comedores de isopor. Isso tem um significado forte para mim. Você é aquilo que você come, já dizia o koreano. Hoje tive um café da manhã feliz e falador.
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maio 27, 2004
Sky Dancer Mas o que
Sky Dancer
Mas o que mais me marcou na tarde não foi exatamente o filme. Quando os letreiros começaram a subir e a sala ainda estava escura, ouvi alguém soluçar a uma distancia de duas poltronas de mim. As luzes se acenderam e eu não consegui evitar. Olhei tentando ser o mais discreto possível. Não consegui. Uma senhora, do tipo que podia ser minha mãe, se minha mãe ainda estivesse viva, e se ela costumasse ir aos cinemas à tarde sozinha, e se ela tivesse tido a sorte de poder apreciar filmes sobre vidas de poetas. Uma senhora absurdamente linda em sua velhice serena. Ela estava soluçando e enxugando as lágrimas e me viu tentando olhar discretamente. E sorriu pra mim, de um jeito plácido que me desarmou totalmente. Ela não estava tentando disfarçar o choro, não se sentia envergonhada por estar chorando emocionada, mas me pareceu que ela tentava escapar do flagrante como se não gostasse de ser surpreendida e então se defendia sorrindo placidamente. Como se senhoras como ela não pudessem se emocionar com a rica história de uma das maiores poetas do século XX. Sorri de volta constrangido por ter de alguma forma perturbado sua emoção sincera. Me levantei mortalmente constrangido e tentei sair do cinema o mais rápido possível. Quando cheguei lá embaixo, não consegui ir embora. Parei numa cafeteria, pedi um capucino e fiquei esperando. Eu precisava vê-la mais uma vez. E ela passou, protegida dos olhares intrusos. E eu a vi indo embora, plena, com uma serenidade invejável. Tomei meu capucino e sorri sozinho me sentindo cúmplice da felicidade emocionante que testemunhei ao ver uma senhora que poderia ser minha mãe chorando sozinha no cinema em plena quarta-feira à tarde. --Mário Bortolotto
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maio 26, 2004
Domingos Hoje foi o dia
Domingos
Hoje foi o dia que mais fez frio em Campinas no ano. Agora à noite vai piorar melhorar ainda mais. Bom. Segunda fui doar sangue com o Pansani. Não rejeito mais convites do alemão. É bem mais simples e rápido do que imaginava. E não dói. A picadinha com a agulha minúscula na ponta do indicador é até gostosa. Mas hoje fez frio, camisa de lã por baixo e a jaqueta do meu pai por cima. Na volta da faculdade parei pra conversar com o Domingos. Pedreiro de dia e à noite ajuda um amigo a vender cachorro-quente em frente aqui de casa. Sentei e puxei papo, mas ele quase não respondeu. Só me ofereceu um olhar de indiferença. Vi que estava muito cansado e comentei com ele. É, trabalhei pra caramba hoje. Então permiti ele continuar sossegado em sua quietude. É importante perceber quando uma pessoa não quer ouvir outra falando. Pouco antes de pensar em me despedir e ir embora ele comentou, sem alterar a expressão de muito cansado: Mas chegando em casa vai dar pra tirar uma ainda. Ouvi e fiquei quieto, sem alterar a expressão também. Então percebi que não era uma piadinha. Ele tinha falado aquilo sério. Talvez a única vez no dia em que ele falou algo sério pra alguém. Me causou um forte impacto isso. Um forte impacto de bom exemplo.
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Blow Filme que conta a
Blow
Filme que conta a história do traficante George Jung, um dos responsáveis pela invasão da cocaína nos Estados Unidos. Começou do nada vendendo maconha nas praias da Califórnia. Passou a vender cocaína e ficar realmente grande chegando a fazer negócios com Pablo Escobar. Teve uma vida divertida mas quanto mais poderoso ficava mais os problemas tomavam conta de tudo. O filme conta essas etapas de sua vida até os dias de hoje, onde George se encontra preso, delirando e sonhando acordado com as pessoas que ele ama nessa vida e que desde então ele nunca mais as viram - sendo que elas nunca mais o visitaram. Sem culpados. Final bastante triste. Pobre ser humano. A história por si só é bem normalzinha, mas não deixa de ser boa. Só não curti a caracterização dos personagens. As perucas que o Johnny Deep usa são pra lá de Hermes & Renato, juntamente com aquela barriga. Caracterização tosco-perfeita demais. A esposa de George é a Penelope Cruz, linda, mas grita feito louca quando surta. Algo realmente perturbador. O filme vale por mostrar a relação desse homem com seus pais, e dele próprio como pai com sua filha. Essa fascinante relação de valores. Mostra isso de maneira simples, sem abusos, e só por isso valeu acompanhar suas duas horinhas. De 2001.
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maio 25, 2004
Charlotte Sometimes Acho que essa
Charlotte Sometimes
Acho que essa foi a melhor foto que vi no Fotolog hoje. Hoje tomei chuva de guarda-chuva, também.
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maio 21, 2004
Três anotações Pude perceber radiância
Três anotações
Pude perceber radiância de felicidade das meninas da minha sala ao verem as fotos da Juliana Paes antes do Photoshop.
Meu amigo recém-alemão atendeu meu telefonema agora pouco dizendo Faaaala, judeu. Quase morri.
The world is sick sick sick sick sick because of attachment. Very simple, only this. --Lama Ronaldinho.
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Uohoh Melhor expressão de um
Uohoh
Melhor expressão de um leitor. Leu o livro inteiro com essa cara, o velhão amigo.
Outras fotos de gatinhas lendo livros nos arquivos do fabuloso ewolman`s Fotolog.
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maio 20, 2004
A Lua no LCD Sonhei
A Lua no LCD
Sonhei que estava num agradável jantar entre parentes no último andar de um prédio. De repente começou a ficar preto o céu e caiu uma bela duma chuva, daquelas que lavam a cidade. Anoiteceu e apareceu uma lua gigantesca no céu. Às vezes ela sumia pra aparecer mais bonita ainda. Aproveitei e fui pegar a máquina pra guardar aquilo. Achei a máquina no sonho, desliguei o flash, apoiei na porta de vidro e tirei umas belas fotos. Outro parente, o Glauco, pegou a câmera do Gonsalo e saiu correndo pela praça a procura de um ângulo melhor. A conversa estava agradável, dava pra perceber pelo semblante das pessoas. E apesar de não entender nada do que falavam - eram só zumbidos - isso não me perturbou nem soou estranho. Infelizmente não cheguei a provar a comida, que pela tradição do local só poderia ser muito boa. Estávamos no prédio em frente à praça 7 de setembro, familiares. Ainda no sonho, lembrei como é bela e verdadeira aquela frase do Oscar Wilde: "Depois de uma boa refeição, pode perdoar-se a todos, até mesmo aos parentes." E vi todos alí, felizes e conversando. Acordei e só pra completar o ciclo peguei a máquina e procurei as fotos.
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maio 19, 2004
Pega Pega Deve ser divertido
Pega Pega
Deve ser divertido pra caramba jogar esse Pac Manhattan. É assim que esporte deve ser.
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maio 18, 2004
Muito Bondoso Lama Norbu em
Muito Bondoso
Lama Norbu em Campinas. Amanhã, quarta dia 19, às 19:30. Informações (19) 3296-0713 ou 3256-0235.
Irei.
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maio 16, 2004
Meu Bolo de Cenoura Mãe
Meu Bolo de Cenoura
Mãe é mãe. Tinha pedido apenas uma blusa de frio e o tênis cinza que ela gosta de dizer que é verde. Veio três blusas de frio, camisetas, duas meias e uma cueca. E dois tapaweres com bolo de cenoura com cobertura de chocolate que meu pai deve ter pedido pra ela fazer. E em meio às meias uma caixa de Bis. E também queijo mussarela. E um bilhete dizendo Vai um bolo especial pra você. Tudo na mala cinza trazida pelo meu amigo recém-casado André Pansani. Amigos casando. É quase uma novidade do meu ponto de vista. Traz a ilusão de que estamos ficando pra trás, up. Mãe é mãe.
O frio trouxe junto a tristeza. Não foi ele, apenas coincidiu. Ah, a postura da tristeza. Don't do anything. You just walk with it. Mas a gente gosta de ir se divertir com ela. Chafurdar na auto-comiseração. Expressões da liberdade. Incrível que ainda assim dá pra fazer muita coisa. Então como indicou o Nena uma vez fui cantar uns blues, mas não os capengas. Direto pro pastor. Blind Willie Johnson. Apontei pro céu e repeti junto com ele por três minutos Let it shine one me. Let is shine on me. Let your light from the lighthouse shine on me.
Não é fácil entender o blues desses negros. Óleo quente no olho e ainda sim durão. Sendo branco fica ainda mais difícil. Mas não vou medir nem comparar sofrimento. Todo mundo sofre e o melhor mesmo seria se ninguém sofresse.
Eu cantava e ela não passava, mas o shuffle do Winamp me presenteou com a Bye and bye I'm going to see the king. Bye bye cadeira do computador, entra almofada vermelha. E fiquei vendo o Rinpoche mexendo as mãos, coçando os fiapos de barba e rindo. E vendo isso via a tristeza indo. Fiquei vendo ela indo embora. Fica mais, até pedi. Mas ela não tinha como ficar. E lembrei de quando ela ainda não tinha chegado, quando ela chegou e agora estava vendo ela ir embora. Então veio a dedicação.
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What would you do with
What would you do with your resentment?
You don't do anything. You just walk with it. Your resentment is not the problem. The problem is the resentment to the resentment, actually. But your resentment is very fresh. And the [most] fantastic thing that ever occur. The [only] real emotion that ever occur in your life is your resentment. This is fantastic, this is great! But the problem it occurs is when you want to find what to do with your resentment. Those are the shallow, intellectual and psychological approaches we talked about early on. Don't trust any of those kinds of treatment.
Vidhyadhara Chögyam Trungpa Rinpoche no DVD Thus I Have Heard.
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maio 14, 2004
Agnes, queen of sorrow Vídeo-clipe
Agnes, queen of sorrow
Vídeo-clipe em real audio da música "Agnes, queen of sorrow" do Bonnie Prince Billy. É a nova versão country do Greatest Palace Music. Animação bem legal, até. Tosco meigo engraçado.
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Metrô Fotos panorâmicas de estações
Metrô
Fotos panorâmicas de estações de metrô em Paris. Que massa. [via memepool]
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maio 13, 2004
Re-Kerouac Marião Bortolotto vai re-estreiar
Re-Kerouac
Marião Bortolotto vai re-estreiar a peça Kerouac no próximo sábado dia 15 até 27 de junho. Viajei pra ver essa peça e digo que é simplesmente imperdível. Como disse a Fernanda "Pra quem atravessou os Estados Unidos de carona várias vezes uma ida até o Alfredo Mesquita seria muito fácil." Verdade. E valeria a pena. Sábados às 21h30 e domingo às 20h30. O Teatro Alfredo Mesquista fica na Av. Santos Dumont, 1770, Santana. São Paulo, óbvio. Não percam.
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Blanched toca Freak Show Ouvi
Blanched toca Freak Show
Ouvi o novo disco da Blanched ontem no programa Freak Show na Rádio Unisinos. Quase inteiro, só na última música a conexão da rádio caiu e não queria voltar. Já conhecia elas durante as gravações e ouvindo mais um vez ficou claro que o disco tem duas grandes músicas.
Uma é "Cada um", cantada pelo Leonardo com sua voz não boa e tocante. "Cada um sabe a dor que carrega / A minha não é a maior delas". O início da música com a longa parte só com as cordas e a flauta soa muito bem. Não falta nada alí. Execução perfeita. A novidade pra mim é o texto que o Galera lê ao fundo, que dá um ótimo clima. Quase não se entende nada, só algumas palavras, o que só aumenta a vontade de querer entendê-las. Perfeito. Quando entra a distorção e a bateria, ótima é a paradinha pra guitarra começar a varrida e então a música continuar. Dá-lhe, Douglas Dickel. Gostei dos pratos da bateria ressoando no final junto com a flauta.
"Hoje eu to melhor", primeira colaboração do Galera pra banda, parece ser a minha predileta. Originalmente como um angular-folk, com a banda ficou um exemplo digno de post-rock. Notas repetitivas do gênero e o mais importante, tudo no lugar certo. Cada nota é precisa e não vaza, como de costume em bandas do gênero que apenas fazem uma enorme jam session pagodinho. Quando a distorção entra a barulheira é bonita, tocadas com uma levada quase lenta com um ótimo solinho de fundo em meio aquilo tudo. Um dos melhores momentos do disco. Finaliza com o ótimo timbre de um violão de nylon.
A "Um palhaço no campo de concentração" eu não gostei muito da sonoridade dela no disco. Ao mesmo tempo parece que ao vivo poder ficar muito mais poderosa, com suas guitarras que me lembram temas de super heróis. "Casa de descanso" não ouvi inteira, só o começo, ótimo, mas não a segunda parte longa de uma levadinha a lá Sonic Youth. Mas o melhor que esses rapazes conseguiram fazer é juntar tantas pessoas legais numa mesma banda. Quando acabei de ouvir as músicas, a idéia que ficou na minha cabeça é que seria bem interessante ver um show do vivo da Blanched.
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Dispersão Uma coisa que me
Dispersão
Uma coisa que me dispersa completamente da leitura é quando estou lendo deitado na cama, com o livro apoiado no peito, e ainda no fluxo da leitura começo a prestar atenção na beirada do livro. Até que paro a leitura só pra ficar olhando a beirada do livro se mexer sutilmente sincronizada com as batidas do coração alí abaixo. E me presto pra ficar observando isso por um tempo, quase que automaticamente, e com a mesma concentração de minutos atrás. Não gosto quando isso acontece. Não dá pra continuar lendo mais que duas páginas sem se perder na leitura. Mesmo se paro de apoiar o livro no peito. Tudo fica estranho demais pra continuar a ler sem problema algum, com a cabeça vazia. Vou dar mais um tempo aqui pra distrair e depois tento retornar. Ou dormir. Um dia a gente chega lá.
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maio 12, 2004
Meu Pastor --------
Meu Pastor

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Posted by parada at 04:55 PM | Comments (0) | TrackBack
De Passagem Filme de Ricardo
De Passagem
Filme de Ricardo Elias premiado no Festival de Gramado no ano passado. Fui ver porque o professor de impresso fez altos elogios dizendo que é imperdível e que foi a primeira vez que viu um filme sozinho no cinema. Também porque os outros que não tinha visto eram de bruxas e caçadores de lobisomens. Não gosto muito desses.
De Passagem conta a história dos irmãos Jeferson, Washington e do amigo quase irmão Kennedy. Os três cresceram juntos mas seguiram caminhos diferentes. Jeferson está acabando a escola militar enquanto Washington e Jeferson cairam pro mundo do tráfico. Quando a notícia da morte de Washington chega em casa, Jeferson e Kennedy partem para uma viagem cruzando São Paulo para fazerem o reconhecimento o corpo, e na viagem relembram um fato dos três juntos durante a infância.
De início, a transição do presente pro passado é muito bem feita, encaixadinha e criativa. Com o passar do tempo perde bastante o rítmo e a relevância. Às vezes até não se entende por que cortar o bom ritmo do filme pra ilustrar um evento qualquer dos meninos. Mas os guris são bons. Mostram em vários momentos grande naturalidade na atuação e nos diálogos. O que não acontece tanto com os atores maiores, em especial os secundários. Tendo como pior exemplo o atendente do IML, que me deixou puto por manchar um belo momento do filme. Falas totalmente irrelevante e bestas como "Tá feliz agora de ver seu amiguinho morto?" Poderia ter ficado quietinho ao invés de bancar o sadicão do IML. Essas coisas pequenas podem estragar toda uma cena, assim como um gesto mínimo porém forçado.
Em compensação o pai de Jeferson (Estevão Maya-Maya) é muito massa e não diz uma palavra sequer. Jeferson (Sílvio Guindane) às vezes parece um pouco ensaiado demais em seu modo correto de ser - e nisso o Jeferson menino é perfeito. Também parece tentar segurar as emoções ao invés de deixarem elas tomarem conta. Kennedy (Flávio Nepo) é bem mais natural em frente à câmera. Mas os dois mandam bem em geral. Há uma bela cena em que câmera dá um close de aproximadamente 10 segundos no rosto de Jeferson, logo depois que ele viu o corpo "arregaçado". Ele não chora, quase não muda a expressão, apenas o olho brilha um pouco carregando de lágrima. Gostei bastante disso. Gostei também da cena deles no trêm quando a garota começa a olhar pro Jeferson. Que linda aquela menina. Alguém me diz o nome dela. Bela seqüência de olhares e pequenos diálogos engraçados.
O mérito do filme é mostrar a vida de pessoas comuns da favela, ao invés de focalizar apenas na violência gritante. Ir além das aparências e mostrar que mesmo em pessoas que foram para um lado esquerdo da vida tem suas características legais, por mais que isso seja ruim de reconhecer. Nesse sentido o filme é uma bela brisa dentro do cinema nacional. Que muita gente fala mal mas que realmente poderia melhorar bastante. Nesse caso apenas se algumas coisas fossem cortadas - falas inúteis e alguns gestos e expressões a mais. De mais é um bom filme, levinho e bonito, com uma história bem legal.
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maio 11, 2004
Thus I Have Heard Vídeo
Thus I Have Heard
Vídeo com trechos de ensinamentos do Vidhyadhara Chögyam Trungpa Rinpoche. Os grandes rinpoches piscam de uma maneira parecida. Notei isso durante o vídeo. O piscar de olhos deles são bonitos, são também a expressão de gentileza, carinho e bondade básica. O Trungpa além de tudo era um grande cavalheiro. Leva o copo de água à boca com extrema classe. Ele realmente entendia disso. Há infinitos espaços de tempo nesse seu gesto. Bonito também é ver ele vivo durante aqueles anos hippies. Enquanto trazia os ensinamentos para o ocidente, deixando de usar os robes para que as pessoas tenham menos obstáculos para tomar contato com a essência de seus ensinamentos. Ouvindo dele percebi como ele realmente queria isso, que as pessoas tomassem contato com aquela sabedoria além dos conceitos e aparências. Mesmo assim milhões de pessoas nunca chegarão a ouvir alguma palavra qualquer do dharma. Nunca sentirão o alívio que a mínima exposição a elas traz. And you finally began to let go all of your aggression. Enfim, não decidia o que era mais bonito: suas falas ou os segundos de silêncio entre elas.
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maio 10, 2004
Palomaris --------
Palomaris

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Abraçador Jayson Littman oferece abraços
Abraçador
Jayson Littman oferece abraços de graça em Nova Iorque. O NY Times sempre aparece com umas matérias nada a ver do tipo. Assim como aquela linda do monge que foi roubado na cidade. Obviamente são as melhores. Leitura sempre muito agradável. Bastante apropriada para aquela lidinha básica depois do almoço.
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maio 09, 2004
You wanna allow Aquilo é
You wanna allow
Aquilo é perfeito; isto é perfeito
Para fora daquela perfeição emana esta perfeição;
No oceano da perfeição surgem as ondas de perfeição;
Não obstante aquela perfeição nunca é perdida
-Pilla
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maio 07, 2004
Poor me Fazia tempo que
Poor me
Fazia tempo que eu não gostava tanto de uma música de blues quanto essa "Poor me" do Charley Patton.
Update: Um brinde direto das profundezas do bookmarks, Charley Patton by Robert Crumb.
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maio 06, 2004
The Triplets of Belleville Vovó
The Triplets of Belleville
Vovó Souza em busca de seu neto ciclista seqüestrado durante o Tour da França. As primeiras cenas são bem bonitas. O adorável cachorro Bruno filhotinho dentro da caixa de papelão, o ciclista ainda criança, estediado até ganhar sua bicicleta. Bem querido até aí, especialmente por não ter nenhum diálogo, como é o filme todo - depois os sons são tão legais que nem se percebe mais isso.
O ciclista cresce, está treinando pra grande corrida e as caracterizações ficam bizarras demais. A batata da perna gigantesca num corpo palito sendo massageada por um aspirador de pó me causou uma baita aflição. Os ciclistas morrendo de cansaço é horrível de se ver. O próprio cachorro Bruno gordão com as pernas finas que às vezes tremem sozinhas. É o personagem mais legal mesmo. Todas as cenas são bonitas. A cidade, quando o trêm passa, a chuva, no alto mar, muita coisa bonita e bem feita. Mas os estereótipos incomodam, não consegui me soltar durante o filme inteiro. É isso o sensacional do filme, né? E as três irmãs cantoras de Belleville jantando sapos? É um animal que eu ainda preciso fazer amizade e criar empatia.
História cercada de coisas tristes, o olhar do ciclista não muda nunca, nunca parando de pedalar. Por causa de um desconforto agradável é um filme imperdível. Causa uma sensação única, mesmo. Pena que não deu pra ver no cinema. Fui no dia em que tinha saído. Mas não perdi a viagem; trouxe o cartaz pra casa.
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Melhor frase Tem que comer
Melhor frase
Tem que comer muita carniça todo dia pra poder voar daquele jeito.[Philip Roth; A Marca Humana, pág 219]
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maio 05, 2004
I can't get no Mogwai,
I can't get no
Mogwai, Elysée-montmartre, Paris (5th june 2003). Real Audio de 30MB. Qualidade mediana. Baixei e ouvi inteiro. Joy.
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Alpinismo em Pirituba Eduf, me
Alpinismo em Pirituba
Eduf, me dá um sinal dizendo que chegou bem em casa. Depois manda o wallpaper que você fez. Foi bonito, heim. Uau..
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maio 04, 2004
Homem educado Pros leitores ocupados
Homem educado
Pros leitores ocupados que só visitam este blog, aviso que o Galera fez um post imperdível cujo título é Fechado. Parem o que estão fazendo e vão lá ler. Parafraseando o mojo, poucas coisas na vida são mais satisfatórias que sentir orgulho dos amigos. E da minha perspectiva isso é mais legal ainda.
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Posted by parada at 12:54 AM | Comments (0) | TrackBack
maio 01, 2004
Dj Set Amanhã estarei como
Dj Set
Amanhã estarei como convidado no Ninho do Coruja, o melhor progama da Rádio Muda da Unicamp, cujo locutor é o nosso ilustre Delfim. Pretendo afugentar todos os maconheiros ouvintes com os 35 minutos ininterruptos do meu setlist magnífico. Tô brincando, vai ser bunitinho. O Ninho é todo domingo à meia-noite. Dá pra ouvir via internet. Dá-lhe.
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Posted by parada at 08:54 PM | Comments (0) | TrackBack