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abril 30, 2004

Gripe e Coberta Para ser

Gripe e Coberta

Para ser cavaleiro ou herói, é preciso andar de armadura, e o que Coleman sente agora é o prazer de não precisar de armadura.
[Philip Roth; A Marca Humana, pág 176]
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abril 29, 2004

Tashi Delek! Sairam as fotos

Tashi Delek!
Sairam as fotos do druptchen de vajrakilaya 2004 no site do Chagdud Gonpa Brasil. O Edu é bom, mesmo. Ficaram muito boas. Suas escapadas da louça do café da manhã valeram a pena. via Bruno
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Kill Bill - Vol. 1

Kill Bill - Vol. 1
É contagiante perceber o entusiasmo de Quentin Tarantino com o cinema. "Kill Bill" é uma grande brincadeira que ele resolveu montar homenageando as várias referências que misturam filmes orientais de lutas até faroeste. Muita tosqueira, cheios de clichês, mas algo que ele consegue fazer de maneira sensacional.

Depois da primeira cena curtinha, em que a Noiva (Thurman) aparece toda destruída, aparecem os créditos iniciais. "O Quarto Filme de Quentin Tarantino". Como se quisesse lembrar mais uma vez o espectador. Um cara todo contente do meu lado chegou a dizer "Pronto, já valeu." É por aí.

A história é bem simples. A Noiva é a única sobrevivente de um massacre que ocorreu no seu próprio casamento. Depois de 4 anos em coma, ela acorda pronta para se vingar dos assassinos. Os integrantes do grupo Víboras Mortais, do qual ela fazia parte. Black Mamba, como era chamada na gangue, vai então atrás dessas pessoas, onde Bill é o chefe delas.

O mais legal é a combinação de todos os estilos num mesmo filme. Diverte muito, sendo ao mesmo tempo extremamente cativante. Tudo na maior perfeição estilosa na qual o Tarantino é perito. É uma mistura de seriados japoneses (Jaspion, etc) com westerns e filmes gore que não tem explicação. Misturam-se a cultura, vestimentas, trilha, é uma festa. Tudo isso enquanto uma carnificina come solta. Uma enxurrada de sangue e membros decepados, mas não chega a chocar. Há sempre um caráter cômico, às vezes em formas de gemidos, outras vezes nos chafarizes de sangue, é hilário. A única cena de violência que não contém isso é na parte em que o filme se transforma num anime, aqueles desenhos japoneses. Um dos poucos trechos que deixa o público quieto. Tem uma belíssima trilha sonora.

Há cenas bonitas também. A da Black Mamba na taberna do mestre em fazer katanas. Os diálogos daqueles dois japoneses me causou uma crise de riso, só falam gritando. A Thurman também tá linda nessa cena. Outra boa cena só que bem mais espetácular é da luta da Black Mamba com os capagas de O-Ren, as penumbras no fundo azul. Depois dessa cena, quando a tropa de guarda-costas de O-Ren é destroçada, Black Mamba bate no bumbum do único que sobrou e manda ele voltar pra casa junto com a mãmãe dele.

Apesar de toda beleza estética, a grande atração do filme pra mim foi a trilha sonora. Acho que ela foi a responsável pela perfeita mistura de referências. Todas as músicas muito boas. Às vezes com temas que lembram westerns, canções japonesas, temas curtos de James Bonds, de filmes de terror, jazz e funk. Maravilhoso.

É entretenimento de primeira. As pessoas gostam de poder dar risadas assistindo cenas de matança, muito sangue e desmembramentos. Eu também gostei disso. Pelo que parece, o Volume 2 também vai demorar uns 6 meses pra sair aqui no Brasil. Muito massa. Não verei antes.
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Oferenda do Habibs Esqueci de

Oferenda do Habibs
Esqueci de contar. Ontem depois que vi "Kill Bill - Vol. 1" com o koreano, fomos no Habibs comparar umas esfirras. Tava fechando já, a porta meio encostada e quase ninguém lá dentro. Pulamos rápido pra dentro e pedimos 30 esfiras. E acabamos ganhando 40! Só porque estavam fechando já, e possivelmente jogariam foras aquelas esfirras. Ficamos felizes. Mas nada comparável quando eles estavam inaugurando o forno do Habibs do centro e oferecendo esfirras para toda população.
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Cabeixa Presenciei uma cena forte

Cabeixa
Presenciei uma cena forte ontem. Foi durante um trabalho em grupo que acontecia na sala de aula na faculdade. Eu estava ditando a resposta para o escolhido daquele dia a ser o escrivão do grupo. Até que na frase do texto que lia tinha a palavra "cabeça". Então falei a frase junto com a palavra "cabeça" para o escrivão e olhei pra folha vendo ele escrever. Até que então ele escreveu sem ninguém ver "cabeixa". Fiquei paralisado, até acordar com ele me chamando e dizendo pra eu continuar ditanto o resto do texto. Ainda meio perdido procurei o trecho e continuei. Me acompanhou por um bons minutos uma sensação horrível e imaginei o sofrimento dos queridos leitores desse blog.
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abril 28, 2004

Bootleg shittalking What? Do you

Bootleg shittalking
What? Do you wanna sit down?

Yeah...

Take a sit on the stairs. What's wrong, man?

I don't know... i'm just too high.

So take a seat and relax.

I'm sorry, guys.

Take it easy. No problem.

Ya, mate, sit back, relax...

Ok, man. Ahn, can you... get me a Sprite?

(De um live recording do Mogwai, finalzinho de ‘Hunted by a freak’. Ficou um belo sample)
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Nêgo Jorge Também não consigo

Nêgo Jorge
Também não consigo parar de ouvir os discos do Jorge Ben de até 1972. Que bela descoberta musical. O cara é um gênio. Um samba extremamente original e adorável; brasileiro sem ser malandrão. Dessa época não tem nada parecido com os seus grandes sucessos. É muito melhor.

Estou com 7 discos dele aqui, mas os que não saem do repeat e já recorei as letras são o Negro é lindo e A Tábua de esmeralda. O primeiro tem construções de frases loucas, fora do tempo, parece improviso feito na hora de tão despreocupado. Como acontece em "Porque e proibido pisar na grama". Preciso falar com alguém / Que precise de alguém prá falar também / Preciso mandar um cartão postal para o exterior para meu amigo Big Joney. Em "Cassius Marcelus Clay"; Cassius Marcelo Clay herói do século vinte sucessor de Batman / Sucessor de Batman, Capitão América e Super Man. São frases simples e engraçadas que cantadas pelo Nêgo Jorge ficam carregadas de sentimentos. É totalmente grudante. Em "Negro é Lindo" isso chega ao ápice. Levada lentinha e carinhosa. Único. Cantada por outra pessoa seria uma música horrível.

No "A Tábua de Esmeralda" fica ainda mais claro que uma simplicidade infantil e pureza ligados ao samba dá um resultado extremante prazeiroso, divertido e romântico. Esse disco é muito singelo. Até a faixa 7 todas são sensacionais. Nem dá pra acreditar. Começa com a viagem de "Os alquimixtas extão chegando", passando para a sensacional "O homem da gravata florida". De emocionar em trechos como Que gravata sensacional / Olha os detalhes da gravataaaaa / Que combinação de cores / Que perfeição tropicaaal." Em seguida "Errare humanum est" supera toda a beleza numa música sobre a fragilidade humana. Uma das minhas favoritas. Depois ainda tem a a mag-mag, "Maguinólia". Nada mais divertido que ouvir as brincadeiras sutis que ele vai fazendo faz com a voz enquanto canta.

Mas ainda tem Ben é samba bom, a engraçada "Gabriela" que ele começa a chorar. Tem O Bidu - Silêncio no Brooklin com a "Canção de uma fã". É muita coisa boa. Ouvindo todos esses discos dá pra perceber a influência dele em várias bandas atuais, mais explicitamente no Mundo Livre S/A. Minha frágil memória não consegue lembrar de discos tão criativos e espontâneos quanto esses.
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When the day is done

When the day is done
Ando pensando seriamente em chorar toda a mortalidade de minhas pessoas queridas antes que elas morram. Talvez isso ajude bastante a me acostumar com a idéia desde já. Talvez não sirva pra nada. Provavelmente. Só a compaixão salva. Let our mind be embraced by the lama's ultimate kindness. Only compassion is reliable.
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Bedhead Bandinha legal. Nada de

Bedhead
Bandinha legal. Nada de espetacular. Rock com leves pitadas de simplicidade, repetição e distorção de post-rock. Vocal sussurrado e agradável. É um ótimo nome de disco esse What Fun Life Was.
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abril 27, 2004

Palestra Quinta-feira agora, dia 29,

Palestra
Quinta-feira agora, dia 29, às 19h30, a Lama Tsering vai dar uma palestra sobre obstáculos na vida cotidiana aqui em Campinas. Vai ser no Hotel Ermitage, Av. Aquidabã, 280, Centro. O valor é de R$ 10,00. Tem estacionamento grátis no local. Pra saber mais alguma coisa é só falar com a Dirce pelos telefones (19) 3296.0713 / 3256.0235
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Socialite Post Gastei toda a

Socialite Post
Gastei toda a tarde de hoje indo fazer as unhas do pé. Tirar pelinhas do canto das unhas, lixar o casco, acertar as beradas, tentar conversar melhor com a jovem Patrícia, foliar Caras antigas e tentar não julgar as pessoas que posavam para a revista. Fiquei uns dez minutos na página em que tinha fotos da Babi. Que sorriso tem a Patrícia.

Cheguei um pouco atrasado e aproveitei para caminhar pelo centro. Era talvez a única pessoa que tava de andada por alí. Desci, subi, atravessei a avenida larga curtindo a sensação de ser um fantasma. Fui até um sebo e notei que já tinha vários daqueles livros. Mas nada de interessante. É boa a sensação de não ter o que fazer nem pra onde ir estando no meio da multidão no centro. É a pura expressão onírica. Mas não podia me dispersar, eu tinha um compromisso, fazer as unhas dos pés.

O serviço completo tem de tudo, desde lixar até creme hidratante. Conversamos sobre o CD do Caetano, ela ainda não ouviu. Indiquei, explicando antes que não gosto de Caetano. Prefiro Jorge Ben das antigas. "Que legal", mas sorriu, que bom. Por trás das luvas cirúrgicas eu consegui ver uma aliança no seu dedo da mão esquerda, mas parecia um anel de plástico cor-de-rosa, não consegui saber direito. Então pela tive um insight sobre a utilidade da aliança.

Ter os pés feitos é como cortar o cabelo. Paguei, agredeci e recebi o puxão de orelha que não era pra ficar longe muito tempo. Logo que saí dei de cara com meu ônibis preso na rua engarrafada. Sorte, pulei dentro. Na volta percebi que me alegro quando motoristas de ônibus se comprimentam com uma buzinada.
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abril 26, 2004

Monk Post Hoje cheguei a

Monk Post
Hoje cheguei a conclusão de que nenhum ser vivo é capaz de causar maior fedor do que um ser humano. Já passei ao lado de vaca morta com urubus dentro da barriga, já vi gambá de perto, certos amigos sem banho, muita coisa que cheira mal mesmo. Mas nada jamais será comparado com o que senti hoje.

Geralmente não consigo dormir em ônibus. Hoje que consegui um pouco durante a viagem de quatro horas de volta à Campinas. E bem hoje sou acordado de forma trágica pelo maior fedor da face da terra que já senti em toda minha vida. Pensei que alguém tinha tacado excrementos em cima de mim, ou que tinha morrido e acordado em algum inferno. Assombroso a intensidade do fedor que vinha do banheiro. Fiz questão de não mexer o rosto pra não dar de cara com o autor daquilo, tive medo de ver a personificação daquilo. Acordei e todos já estavam inquietos correndo pra frente do ônibus, apavorados, tampando o nariz, dizendo palavrões baixinho, sem nenhum sinal de riso. Tampei meu nariz com a camiseta e fiquei quieto, concentrando para suportar aquilo e temendo alguma intoxicação de verdade. Alguma coisa de ruim ia acontecer, não era possível.

Além de tudo o ônibus da Real Expresso é lacrado, não tem janelas, a única conexão entre o ar de dentro e de fora é o ar-condicionado. Alguém ia passar mal, alguém ia morrer ali. Comecei a ficar com muito medo de aquilo não passar. O que faríamos? Mas até que alguém descobriu a existência de uma janela de emergência dentro do banheiro, que prontamente foi escancarada e, milagre na Terra, começou a dissipar o horror. Só de escrever estou começando a sentir mal. Então foi diminuindo de intensidade até passar por completo. Inacreditável aquilo ter sido obra de um ser humano. Nunca mais vou sentir um cheiro tão grotesco em toda minha vida. Como aquilo não traspassava toda sua carne, ossos e sangue?
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abril 24, 2004

Capitão Haddock Meu irmão é

Capitão Haddock
Meu irmão é engraçado. Veio perguntar se a Livros do Mal tem página na internet. Ele comentou com o professor de literatura sobre a editora e o cara ficou interessado. Entrei no site e mostrei pra ele. Fui nas fotinhas pra rir um pouco. De repente ele aponta pra um thumbnail e diz "Entra nessa, entra nessa. O capitão do Tim tim." Hshs, genial. O Marçal Aquino é mesmo igual ao Capitão Haddock.
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abril 23, 2004

Calvin & Hobbes Todas as

Calvin & Hobbes
Todas as tirinhas diárias feitas por Bill Waterson entre 1985 e 1995. Que maravilha. via solon
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Nurse Acho que Sonic Youth

Nurse
Acho que Sonic Youth é única banda que escuto desde os 16. Às vezes eu olho meus CDs da época e fico achando tudo meio ingênuo demais. Não dá pra compactuar com aquilo mais. Muito borocoxo, pra usar um termo familiar. Sonic Youth eu ouço as mesmas coisas até hoje e acho bom. Até descubro coisas antigas ótimas, como o disco Sisters de 1987, que tem as clássicas “Schizophrenia” e “White Cross”, juntamente com os melhores batuques feitos pela banda. Tom e caixa, já era. "Stereo Sancity". Os timbres todos muito sujos e com uma antiguidade maravilhosa. Demais esse Sisters.

Em 2002 eles voltaram a impressionar muita gente com o Murray Street, um dos discos mais acessíveis da banda. Um disco pop mas Sonic Youth. Ganhou um 9.0 da Pitckfork. Todas músicas boas.

Agora em 2004 eles lançaram o Nurse, que é absurdamente bom. E estou mais uma vez ouvindo muito essa banda que tem mais de 20 anos. Ficou um disco muito consciente e sem enrolação, apesar das músicas terem em média 6 minutos. Timbres crus, pegadas fortes, noises sensacionais. Confesso que estou enjoado um pouco da voz da Kim Gordon. Mas só. De resto tá excelente. As predilétas até agora são a “Pattern Recognition”, que abre o disco e de cara mostra que não estão pra frescura, é rock n roll. Ah, é a Kim Gordon que canta essa. Ok, nessa a voz tá perfeita. “Paper Cup Exit” é a do Lee Ranaldo. É sempre ótimo quando aparece uma música no meio do disco que é ele quem canta. Dá um efeito ótimo e a música é sempre boa. Com essa não é diferente. Mas minha prediléta fica mesmo com o Thurtom em “Peace Attack”. Como o próprio nome diz, uma música pacífica, agradavelmente calma, baladinha que não deixa de ter seus barulhinhos.

Sonic Youth é conhecido também por ser uma banda que muita gente de gostos musicais diferentes adoram. Esse disco, assim como o Murray Street, é pra todas essas pessoas.
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La Vita è Bella Achei

La Vita è Bella
Achei uma obra-prima esse filme do Roberto Benigni. De cara desperta o espectador com uma seqüência de fatos que parecem ter sido tirados de um desenho animado. Incrível as mudanças de cenários, os encontros e diálogos nonsenses, é igual a um sonho maluco. Calibra o espectador pro belo filme.

Guido (Benigni) é um judeu que sonha em ter uma livraria, vai pra Itália com um amigo poeta e acaba se apaixonando por Dora (Nicoletta Braschi, a própria mulher do Benigni), professora prestes a casa com um político facista. Guido, com sua imaginação e disposição sem fim, faz de tudo pra conquistá-la. Consegue fácil. A maneira de atuar do Benigni me lembrou o Woody Allen. Parece que tem muito do próprio Benigni alí e que as pessoas podem gostar ou não por causa dessa personalidade. Voltando, o filme tem duas partes bem distintas. A primeira é recheada de um humor leve que não cansa nunca. Piadas com ovos, troca de chapéus e vasos caindo na cabeça, bobeiras bem legais. Mas já se encontra temas como anti-semitismo e facismo, que se completa na segunda parte do filme. É ótimo o exemplo da superioridade racial pelo lóbulo da orelha e pelo umbigo.

Em um belo efeito de entrar e sair da porta, Guido já está casado com Dora e tem um filho pequeno, Giosué. Guido e Giousé são mandados para um campo de concentração nazista, e Dora acaba indo junto. É nessa situação que surge toda a beleza do filme. Guido tentando proteger seu filho da situação que se encontram, usando toda sua gigantesca imaginação e pensamento positivo. Faz com que Giosué acredite que aquilo tudo é apenas um jogo, uma brincadeira, e que se suportarem até o final ganharão o prêmio máximo que é um tanque de guerra. Um sonho do garoto. Comentei com amigos na faculdade sobre o filme e muitos disseram que não gostaram, que é um péssimo retrato do holocausto. Mas o filme não é sobre o holocausto, é sobre imaginação e sobre uma boa história.

Giosué é a personificação de um filho pequeno aos olhos dos pais. Tão frágil recém-chegado ao mundo e insuportavelmente amável. Que gurizinho mais querido.

É brilhante como Benigni consegue passar as sensações do filme. Deixa o sujeito confuso, sem saber se fica triste com aquilo ou se dá risadas. Se bem que a segunda parte é bem triste, mas há um equilíbrio ótimo em passar essa tristeza. Meigo. Um filme ótimo e feito pras massas, onde se mostra a importância do amor, da família e do poder da imaginação.
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As Árvores Pois somos como

As Árvores
Pois somos como troncos de árvores na neve. Aparentemente eles jazem soltos na superfície e com um pequeno empurrão deveria ser possível afastá-los do caminho. Não, não é possível, pois estão firmamente ligados ao solo. Mas veja, até isso é só aparente.

Kafka, Contemplações.
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abril 22, 2004

O Rei voltou O inferno,

O Rei voltou
O inferno, me parece, é um eterno ensaio de peça na qual os condenados representam que estão no céu. --Soraressilva

E legal ler o Fabrício Carpinejar curtindo o feriado do corpo.

Minha avó dizia: para ser feliz, a gente não precisa sair do lugar, a gente tem que ser o lugar.
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abril 21, 2004

Sad Bikes Lindo o fotolog

Sad Bikes
Lindo o fotolog Sad Bikes. Bicicletas abandonadas, destuídas e parcialmente roubadas. Pra quem ama bicicletas.
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abril 20, 2004

Giro Boy Hello Rat Fans!

Giro Boy
Hello Rat Fans! Roland Rat here in the first instance of the guest writers on the front page of the Mogwai website. No, bugger that, it's just me, Barry.

Hahahahhhaahahgs...
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abril 19, 2004

Hot Lunch Caramba, os posters

Hot Lunch
Caramba, os posters filme adultos dos anos 60-70 eram verdadeiras obras de arte. Tem uma influência de ficção científica, creio eu. O último da lista até parece uma capa do Smiths. Lindo. Felizes foram os jovens daquela época.
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Arise Therefore Tava faltando na

Arise Therefore
Tava faltando na minha coleção do Will Oldham. Disco tímido, homogênico, as músicas se parecem muito com a percussão eletrônica em looping, violão tocado levíssimo e detalhes de piano. Parece que foi feito pra nenhuma música em específico chamar atenção. Ele pode. Mas isso falha um pouco na "No Gold Digger" que tem um ritmo lento muito viciantes, parece que dá pra ficar 20 minutos ouvindo aquilo. E a melhor música do disco, "The Weaker Soldier". Em algumas músicas ele solta uns gruninhos muito engraçado nos finais das palavras. Dá vontade de cantar e fazer igual, leve e divertido. Não é um ótimo disco, mas isso é quase um alívio quando se trata de Will Oldham. Não suportamos viver com tanta coisa sublime o tempo todo. E ele não consegue fazer algo ruim. "How could one ever think anything's permanent" é a frase que abre disco em "Stablemaker". "The Weaker Soldier". Melhor backing vocal. Um disco adorável. Ótimo pra não ouvir também, pra deixar como música ambiente. Tem que ter todos os discos do Will Oldham.
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Fotógrafo Profissional No ar o

Fotógrafo Profissional
No ar o ótimo fotopage do Elton Mello, o primo da Sheila, também conhecido como Sr. Dharmanet.
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Se eu começar a me

Se eu começar a me justificar, atire
Se precisamos provar algo a nosso respeito, flertamos com a escravidão. Devemos ser auto-suficientes e nobres, sem traço algum de arrogância. É a arrogância que está sempre buscando provar alguma coisa e fornecer justificativas. A nobreza não oferece justificativa alguma, é intrinsecamente correta.

Se alguém questionar nossas atitudes, não devemos tentar nos explicar. Outra pessoa nunca poderá realmente compreender-nos pelo mesmo viés que usamos. Não devemos responder a tais questionamentos com justificativas, mas com gentileza. Sem fazer alarde, a gentileza demonstra que não somos medíocres, ao mesmo tempo em que impede a manifestação de qualquer traço de mediocridade exterior.

Edward Pine, do post Hypocrisy and the Value of Energy, traduzido por Daniel Pellizzari.
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Piza Aphorism Quem deixa a

Piza Aphorism
Quem deixa a vida levar, termina por se afundar.

Porque divertide e as visitas merecem.
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Bêbado de Sono Não entendi

Bêbado de Sono
Não entendi porque o Nasi achou importante que eu conhecesse a galinha subserviente. Já conhecia, até postei aqui. Eu acho que o Nasi anda meio maluco esses dias. Quando mudou o layout da Agência até pensei que fosse sacanagem de algum um hacker. Mas melhorou agora, cores boas. O Nasi é um cara super risonho. Muito massa.

E não consigo parar de ouvir a Sessão Coruja do Delfin na Rádio Muda. Cada música mais bizarra que a outra. Nunca ouvi algo tão estranho em toda minha vida. Respeitei o Delfin agora. Nem consigo reconhecer a nacionalidade dessas músicas, mas é algo que supera de longe a música butanesa. Delfin, quero um CD com todas essas músicas. Se você ficar até as sete da manhã só tocando essas coisas aí, sem dizer nada, sem dúvida é o cara mais louco de Campinas. Que doente. Genial. Não consigo acreditar que alguém além de mim esteja ouvindo essas músicas inacreditáveis. Parabéns.

Update: Delfin apareceu e disse que são músicas gregas e vietnamitas. Foi embora da rádio e programou o computador pra ficar tocando 5h direto disso. Deus do céu, começou a tocar música caipira do Vietnã. Aaaaaahhhh, que demais. Vou ficar ouvindo isso até 7h da manhã agora. Morra, Delfin. Ok, vou dormir. Vou dormir e sonhar que toco numa banda de sertão no interior do Vietnã do Norte, e que a família do koreano aparece dançando no meio do salão, todos com apenas uma das orelhas de abano. Chega. Boa noite e desculpem a grosseria.
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abril 17, 2004

Blog Meme 1. Pegue o

Blog Meme
1. Pegue o livro mais próximo de você;
2. Abra o livro na página 23;
3. Ache a quinta frase;
4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.

Há algo de fascinante no efeito do sofrimento moral sobre uma pessoa que não parece fraca nem frágil. [Roth, Philip. "A Marca Humana"]
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Porn Stop Darren James, ator

Porn Stop
Darren James, ator pornô norte-americano, veio gravar no Brasil e acabou contraindo o vírus do HIV. Voltando pros Estados Unidos, fez os testes cedo demais, o vírus ainda estava emcubado. Continuou gravando. Infectou ao menos uma das 12 atrizes que contracenaram com ele. Ela, que tinha acabado de entrar pra indústria, contracenou com vários outros. No total foram 65 pessoas que tiveram relação com ambos. A indústria resolveu suspender as gravações pelo menos por 60 dias. Casos de contaminação dentro da indústria são extremamente raros, ao contrário que a maioria pensa. O última caso aconteceu em 99. [via Estadão e NY Times]

Essa semana meu vizinho pedreiro comprou um cd de porn na banca. Dez reais. Chegando em casa, não conseguiu rodar, veio ver se rodava aqui. Não rodou. Largou o cd no lixo e se despediu com "Porn é tudo presente de grego, mesmo". Retratos do século XXI.

E a nova edição da Revista Zero é sobre Pornografia. Tem um texto do Bruno. Comprarei.
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abril 16, 2004

Breakfast Bacon Fiquei com saudade

Breakfast Bacon
Fiquei com saudade do senhor Daniel e da senhora Janise ao ver essa foto de panquecas com mel e bacon. É incrivelmente boa a combinação. O café da manhã perfeito. Comi uma única vez isso. Quero denovo.
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Tailândia Certa vez li no

Tailândia
Certa vez li no "Lonely Planet" que na Tailandia a pior desqualificacao que se pode dar a algo, eh dizer que nao eh divertido.
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Saiu O Caminho do Bodisatva,

Saiu
O Caminho do Bodisatva, Vol. 2, por Dzongsar Khyentse Rinpoche - Conjunto de 12 CD's.
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abril 14, 2004

A Foreign Sound Nunca gostei

A Foreign Sound
Nunca gostei nem fui com a cara do Caetano Veloso. Do pouco de ouvi dele achei chato e meloso demais. Desde então, na minha penante arrogância da ignorância, joguei suas músicas no mesmo balaio de músicas brasileiras abomináveis. Gente como Chico Buarque, Toquinho, essas coisas Maria Bethania da vida.

Até que essa semana topo na capa da Pitchfork com a resenha do A Foreign Sound, seu novo disco de canções norte-americanas. E com a nota 8.8, altíssima para os critérios da Bíblia. Será? Baixei pra comprovar. Ouvi só metade das 22 faixas mas já posso confirmar. É realmente muito bom. "New Carioca", que abre o disco, é ótima só pela maneira como ele diz carioca. Nada de ironia brasileira nem brincadeiras com o sotaque. "Come as you are" do Nirvana ficou ótima. Reverbinho, microfonia limpa e simples fazendo o ambiente ao fundo. Grande versão. Gostei até da capela "Love for Sale", do Talking Heads. Belíssima. Mas a melhor mesmo é a bossa nova de "The Man I Love". Realmente. Pois é. Eu gostei ritmo, da voz e do sotaque do Caetano Veloso. Eu entrei pro Orkut. A pieguice aparece em "Feelings", mas e daí? São muitas músicas boas. Grande disco.
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Internetices Ajudando a espalhar a

Internetices
Ajudando a espalhar a febra da galinha subserviente e da música bem bacana feita com os terríveis windows noise.
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Mr. Miagui Como são uns

Mr. Miagui
Como são uns queridos esses amarelos. Mais um presente do melhor fotolog do mundo, o ewolman.
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A Metamorfose Muita gente já

A Metamorfose
Muita gente já ouviu falar no Gregor Samsa mesmo antes de ler sua pequena história. Eu já tinha ouvido falar há tempos. Com o livro em mãos, fiquei curioso e matei então o mais citado e comentado livro do Kafka. É o maestro em ação, mas pela falação em torno nem achei tanto uma obra-prima, caso de "O Processo". Dizem que "O Castelo" é melhor ainda, sua obra mais densa, que pretendo ler no futuro.

O incansável adjetivo kafkiano é bem mais característico nesse livro. A escrita aparentemente simples, sem climax nenhum, com uma sensação de estranhamento que cada vez mais vai se tornando familiar. A tentativa de dizer tudo mesmo nas frases pequenas e simples, pelo jeito que são concatenadas. Como leitor pequeno que sou, sinto-me na liberdade de dizer que A Metamorfose lembrou bastante os escritos do nosso querido Daniel "Mojo" Pellizzari. Me causou uma sensação muito parecida, isso ficou bem claro pra mim. O livro é sobre cultivar piedade pelas baratas, ou por qualquer inseto, já que não é dito exatamente em que inseto Samsa se transformou. É adorável quando ele fala de suas perninhas mexendo ou de suas costas. É agoniante ver ele machucado. É ler e ver as baratas de modo diferente. Se não gosta delas, leia o livro. Achará no mínimo elas simpáticas, verá um pouco de ti naquele corpinho marrom.

A quantidade de comentários sobre o livro talvez tenha empolgado o tradutor, que mandou várias notas de rodapé, muitas sem necessidade. Não queria saber referências da vida do escritor em trechos da história. Misturar fofoca com literatura não combina. Lia sempre um pouquinho antes de dormir. Por sinal um horário bastante apropriado pra leitura desse livro.
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abril 13, 2004

Relâmpago que rasga o trânsito

Relâmpago que rasga o trânsito
A primeira vez que pisei em Porto Alegre, na calçada do aeroporto, não entendi por que aquele carro tinha parado poucos metros antes de mim. E alí permaneceu parado, assim como eu, um olhando um outro. Até que ele fez o sinal com a mão pra eu atravessar. Agradeci e me puz a travessar, impressionado com a gentileza. Mesmo hoje quando isso acontece me chama a atenção.

Em Campinas é o contrário. Quase nunca fazem isso. Não importa a idade, se está chovendo, se você está carregando peso, nada. Fazem de tudo pra nunca terem que engatar a primeira. Algo que se acaba acostumando, são só as pessoas correndo. (Em São Joaquim é o oposto, as pessoas que não respeitam os carros passando na rua.)

Hoje no balão um jovem surfista decidiu fazer o contrário. Brecou e fez o gesto pra eu passar, já fazendo o sinal de positivo com o sorriso no rosto. Agradeci a educação com a cabeça e lembrei de Porto Alegre. Atravessei a rua e ele seguiu pra fazer o balão. No caminho foi atrapalhado por um Honda Civic dirigido por uma senhora de meia-idade, que deu uma leve fechada nele. Pra que? O sujeito buzinou e colocou a cabeça pra fora, soltando um belo vai tomar... , porra. A senhora, muito bem arrumada, passou por mim com uma baita cara de susto. Só pude seguir rindo por uns bons metros. Eita cidadezinha maluca.
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abril 12, 2004

Raptures Out Of The Races

Raptures
Out Of The Races And Onto The Tracks, The Raptures. Do EP do mesmo nome, lançado pela Sub Pop. Nunca dancei tanto nos últimos tempos. Bom pra cantar junto. Shake, shake, shake, shake, shake, shake...
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Fecha a matraca Herói mesmo

Fecha a matraca
Herói mesmo é quem engole todo este lixo e não abre a boca. --Mirisola, abrindo a boca semanalmente na AOL.
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Zeca na Cova Andando de

Zeca na Cova
Andando de carro ontem à noite, ao passar pela horda, tive a idéia - Quer saber de uma coisa, vou visitar meu amigo Zequinha. Quem é leitor antigo do blog já ouvi falar sobre o metaleiro filósofo artísta plástico pedreiro mahasiddha joaquinense. Eis então que ontem fico sabendo de seu apogeu na carreira de enciclopédia e exemplo do metal. Passando no concurso em primeiro lugar, Zequinha agora faz parte do time dos quatro coveiros do cemitério de São Joaquim.

Quando me contou isso, levantou os braços e começou a gritar baixo coveeeeiro, a seguir de uma risada macabra. Depois começou a rir. Até então não sabia que coveiro é considerado um serviço insalubre; isto é, muito arriscado pra saúde física da pessoa. Tudo por causa do ar venenoso que se cria dentro das casinhas dos caixões. Se alguém respirar aquilo diretamente, é ir direto pro hospital. Disse que os pulmões vão pro saco. Até então anda desfazendo caixões de túmulos póstumos e guardando os restos em sacos de lixo preto. A madeira dos caixões quase se desfazem por inteiro com o tempo, precisam ser retiradas e incineradas. "Fiquei sabendo agora de onde veio a expressão foi pro saco. No final do final o cidadão vai é pro saco de lixo."

O serviço não é tão puxado. A média é um enterro por dia, mas chega a passar três dias sem morrer ninguém em São Joaquim. Daí é varrer o chão. Pra então no outro dia encarar quatro enterros. Mesmo assim não é muito trabalho pesado. É um pouco desgastante por ter que ficar descendo os caixões enquando as pessoas ficam do lado chorando. É inevitável ficar um pouco alterado passando o dia inteiro lá dentro. Ao menos agora no começo. Mas é bom, ele disse, dá pra gastar o tempo pensando num monte de coisas. E fortalece a lenda e o respeito. "Mas deve ser só no começo isso, não tem problema, normal." Zeca sempre igual.

Mas agora ele pretende modernizar. Não deixar mais barba grande nem usar muita roupa preta. Diz ele que tá uma moda de banda horríveis terem barbas desenhadas só usar camiseta preta. Tá com vergonha de ser reconhecido com os hereges. Comentei da moda gótica atual, vejo sempre pelas praças e até acho bonitinha as meninas. Até lembrar que é essa a moda da tarja preta por causa do sucrilhos murcho. Nada é perfeito. Mas a tendência agora, depois do apogeu, é ao menos estudar pra algum outro concurso melhor. Procurar a estabilidade. Fui embora até com o número de seu telefone anotado num papel cheio de poemas velhos. "Freedom Bondage".

No dia seguinte, hoje no caso, teria aniversário do primeiro aninho do filho do Clebinho. Cinco caixas de cerveja. Toda a gangue iria se reencontrar. Pena que não deu pra ir. Mas mandei entregar meu abraço.
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abril 11, 2004

Feliz Chocolate Agora sim vou

Feliz Chocolate
Agora sim vou comer meu ovo de chocolate. Ele tá aqui do meu lado, desembrulhado, repartido no meio, com os bombons já faltando. Recheado com cerejas, chocolate bem macio, o tamanho médio é elegante. Vou comer e depois tomar um copo de leite puro. O meu ovo de chocolate vai desaparecer pra virar cocô cremoso. Que isso, pra que estragar o post? Write sexy. Feliz páscoa anda bem fora de moda também. Só quando temos filhos que essas tradições divertidas da infância voltam a ter sentido? Agora vou comer meu ovo de chocolate, ficar com gosto de chocolate na boca, chocolate grudado nos dentes, pra limpá-los tomando um copo de leite. Feliz chocolate!
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abril 09, 2004

Morrer de Desgosto Hoje à

Morrer de Desgosto
Hoje à tarde assisti o Masters 2004 e o Late Show. Fiquei uma hora e meia vendo a retrospectiva e abertura do Masters, o Wimbledon do golfe. A transmissão parece um filme. Mostram em câmera lenta o campo, as árvores, pontes, flores, lagos, casas antigas, coisas que cercam o campo. Nem ficou entediamente, mesmo não conhecendo o jogo. Uma tacada, uma caminhada, um comprimento tocando o boné... coisa de cavalheiro. O David Letterman estava morno. A piada sobre a CNN foi legal, já o Johnny Knoxville só tem graça mesmo levando porrada. Tentando conversar foi constrangedor. Não é um sujeito divertido. Não é um cara joinha. Depois xis-burguer, vinho, quejo, música no som potente de casa. Ele já derrubou um quadro uma vez.

Também fui visitar minha vó. Bati na janela da porta que se abriu lentamente, estava aberto. A Dim dormia na poltrona. Roncava, as entrei sem fazer barulho. Daí apareceu a Maria, a mulher que passa as noites lá. Aproveitei que o controle estava por perto e desliguei o telejornal. É melhor pra conversar e a Maria é boa de papo. Falamos sobre como as pessoas estavam indo. Indo. Depois a conversa foi pra um lado que acabei perguntando se ela tinha muita experiência com aquele tipo de trabalhado. Ela espreguiçou no sofá, virou a cabeça pro lado e disse que o último serviço dela foi cuidar dois anos de uma senhora que morreu aos 98 anos. Antes disso trabalhou oito anos em um asilo. Fiquei abismado, mas ela disse que quando se pega o jeito de cada um não é tão difícil. Mas claro, viu coisas bem tristes lá dentro. Acontece muita morte por desgosto, disse. Morte por desgosto? É, ela disse que existe, não é apenas maneira de falar.

Acontece quando o idoso resiste a ir pro asilo, mas de alguma maneira os filhos mentem e o acabam deixando por lá. Geralmente a mentira é que é um hospital, que não vai ser por mundo tempo. Os velhinos ficam super desconfiados já. Logo eles perguntam pras mulheres que lugar é aquele. Então elas contam que é uma casa de repouso. Eles logo começam a chorar. Em alguns o desgosto é tão grande que duram apenas dois dias. A Maria contou de um senhor forte, alto, que ficou num estado tão ruim que a veia do pescoço ficou enorme no pescoço. Tudo por não acreditar na situação, com o desgosto, disse a Maria. Deu derrame nele no meio da noite. É derrame ou ataque cardíaco as doenças mais clássicas do desgosto. É um sentimento muito destrutivo pra quem já tem a saúde frágil. A Maria contava e não sei dizer bem se o olho dela estava brilhando mais que o normal. Contou que aprendeu muito lá, aprendeu no que e em quer dar valor.

Nesse meio tempo a Dim acordou. Não me vê e perguntam pra Maria se alguém apareceu. Levanto e ela diz “O Renato...”, como uma voz contente mas baixa, sonolenta. Sento no chão e trocamos poucas palavras. Apoio no braço da cadeira e ela me faz um carinho com os dedos. Tava com a mão muito quente, no meu anti-braço, talvez era por causa do coberta. Mas foi estranho. Ainda dentro do carro eu sentia meu anti-braço com aquele calor, parecia que não ia dessipar. Foi estranho e bom, mas passou, claro.
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abril 05, 2004

Homenagem ao Cobain Junto com

Homenagem ao Cobain
Junto com Kurt Cobain morreu minha adolescência. Frase do Bernardo. Pra mim não foi exatamente assim, mas essa frase me levou a um sentimento parecido. Demorou mais tempo pro Kurt Cobain morrer aqui. De qualquer forma, um abraço pro Élvio e Leandro. Foram ótimos aqueles tempos de barulheira. Eramos realmente bons naquilo. Percebo isso hoje quando vejo algumas bandas de amigos. Sério. Às vezes até chego a sentir saudade daquilo tudo. Era ótimo entrar naquele quartinho e fazer aquela barulheira infernal. Saia limpo de lá, descia leve pra casa. Mas nunca mais haverá nada igual. Percebam como isso é bom. Hoje fez 10 anos que Kurt Cobain morreu.
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Mario Bros Solo Isso é

Mario Bros Solo
Isso é muito sensacional para não ser compartilhado com vocês. Um japonês loiro tirou na guitarra a música tema do Super Mario Bros idêntica à original. Com todos os efeitos iguais. Espetacular. Não consigo parar de ver. (valeu, fozzy)
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Tuner (7" Version) O Mogwai

Tuner (7" Version)
O Mogwai regravou a singela "Tuner" para o Rock Action Presents Vol.1. Vale baixar.
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Reparação Terminei de ler ontem

Reparação
Terminei de ler ontem o aclamado Reparação do Ian McEwan (Cia. das Letras, 444 págs). Pelo próprio estilo do livro, ele não merece tantos adjetivos explosivos, e não estou falando mal dele. Gostei muito. É como fazer um carnaval de elogios ao Lost in Translation. Parece que vai contra a obra.

Reparação não tem as características comuns de uma obra-prima. Comparando com seus livros anteriores, a narrativa é bem menos densa e impactante. Nesse ponto de vista é bem menos chocante. Especialmente durante a guerra, na segunda parte do livro, fica a sensação de que nada acontece. Nada perto de Kafka, chega mais próximo de uma enrolação mesmo, como disse o Bruno. Mas isso, às vezes, quando bem escrito, me agrada bastante. Acaba fazendo com que eu me esforce na leitura, me concentre mais, e daí acabo vendo uma força naqueles simples relatos. Não sei dizer até que ponto isso é maestria do autor ou minha. Mas creio que o livro é um pouco sobre isso. Como pequenas coisas podem causar grandes marcas. No caso a mentira contada pela pequea Briony e sua culpa. Um livro basicamente sobre o perdão, sobre histórias que contamos para nós mesmo, num mundo imaginário e cheio de solidez. Sobre ser Deus, e o mesmo Deus que concede o perdão. Tem todo um belo fundo moral. A parte final é muito tocando, de fechar o livro e ficar quieto por um tempo. Grato. É sentir-se na pele de uma pessoa idosa. Extremamente humano.

Como disse, não flue nem impacta quanto os outros, mas adorei. Não curti mesmo as grandes exibições do Ian Mcabro. Não indico esse pra quem quer começar a ler McEwan, mas parece que nele o autor conseguiu atingir uma maior maturidade, mesmo essa não se apresentando de forma explícita e genial. Enfim, é ler e ter a experiência. A minha foi boa. E largo aqui uma frase totalmente fora do contexto que ficou na minha cabeça de ontem pra hoje: "Não tenho mais a coragem de meu pessimismo."
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abril 04, 2004

Chernoby Today Elena é uma

Chernoby Today
Elena é uma motoqueira russa que teve a brilhante idéia de fazer uma viagem solitária com sua Kawasaki Ninja até a cidade fantasma de Chernobil, onde ocorreu o acidente com um reator nuclear em 1986. Ela então montou esse ótimo site com as fotos da viagem, juntamente com pequenos relatos bem interessantes. É sensacional. Dá até vontade de ter ido na garupa. Poucas coisas conseguem ser mais fascinantes que lugares abandonados e cidades vazias.
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Dead Poets Society Não, não

Dead Poets Society
Não, não tinha visto esse filme. Vi hoje. Fico me perguntando porque é considerado um grande clássico. Aonde ouvi falar bem dele ao ponto de querer assistir? Que decepção.

A história é muito ruim, não se sustenta em qualquer momento. Um professor ingênuo e alunos bobinhos que vão aprender poesia se maravilham com suas descobertas. Chega a ser constrangedor a animação de todos ao tomarem contato com a idéia de carpe diem. Tudo bem que cresceram tendo uma educação super rígida e que qualquer quebra disso é bom, mas não deixa de ser extremamente bobinho. Não chega a dar pra vibrar junto. E justamente o que deveria ser mais interessante, as reuniões, é apenas muito sem graça e mal feito. E clichês pra todo lado. Os campeões foram os professores sisudões e o conflito entre pai e filho. O suicídio é muito sem sentido e infantil. Surgiu na hora em pensamento um Ah, vai comprar pirulito. Muito fraco.

Assustei foi com a discrepância nas filmagens das cenas de antes e depois do suicídio. Parece que pegaram dois filmes diferentes e colaram alí. Ficou muito feia essa diferença. Parece que muda de canal e pula pro meio de outro filme, mas é uma experiência que até diverte de certa forma. O Robim Williams, que eu gosto muito, tá fraquinho também. Ao menos me ajudou a entender porque algumas pessoas não gostam dele: é muito parecido em todos os filmes. O final teve mesmo que fechar em terrível estilo. Quando o professor brabão começou a falar sit, sit, sit, quase que meu cd flit, flit, flit pela janela.

Mas gostei muito de uma cena. Logo no início quando um dos garotos pega uma bicicleta e sai correndo pelo campo e espanta uma enorme manada de pássaros que caminhavam por ali. Isso é legal de se fazer. Fiquei com uma baita vontade de sair andando de bicicleta. Ainda mais que hoje tá nublado e quase frio. Foi uma sessão da tarde fraquíssima, mas sem problema. Ao menos tive boa companhia. O chocolate Hershey's é realmente muito bom.
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abril 03, 2004

O mandarim e a cortesã

O mandarim e a cortesã
"Um mandarim estava apaixonado por uma cortesã. 'Serei sua', disse ela, 'quando tiver passado cem noites a me esperar sentado num banquinho, no meu jardim, embaixo da minha janela.' Mas, na nonagésima nona noite o mandarim se levantou, pôs o banquinho embaixo do braço e se foi."

O sempre divertido Fragmentos de um Discurso Amoroso, Roland Barthes, pág 96.
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abril 02, 2004

Matador Sortidos Bastante mp3 sortidos

Matador Sortidos
Bastante mp3 sortidos da Matador Records: http://www.matadorrecords.com/music/mp3s.html
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abril 01, 2004

Kassapa Hoje fiquei lendo coisas

Kassapa
Hoje fiquei lendo coisas o dia inteiro, quase. De longe o que mais me agradou foi essa matéria do NY Times sobre um monge da floresta que teve sua bolsa roubada em Nova Iorque. Como disse o Bruno, texto elegante e narrativa muito sóbria. Chega a ser prazeiroso até mesmo depois de tanta leitura em seqüência.
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Brasil x Paraguai Pode ser

Brasil x Paraguai
Pode ser só impressão minha, mas cada vez mais os jogos da seleção estão desinteressantes. Notei isso hoje no aniversário da Josi. Todo mundo na sala raramente soltava algum comentário sobre o jogo ou prestava atenção na televisão. Preferiam ficar falando besteiras que iam desde o filme do Alexandre Frota pela Buttman até uma mulher com um tumor de 90kg que passou no Discovery. Pouca gente, divertido. Caipirinha de maracujá e bolo de chocolate. Só no segundo tempo fui perceber que o Ronaldinho estava jogando. Que carona inchada. Emocionei só uma vez, gritando golaço quando o Roberto Carlos chutou aquela bola no ângulo pelo lado de fora. Pra mim o melhor lance da partida.
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