categoria:: FSM 2005
Notas dos dias que o antecedem

1. iPodding through the World Social Forum
Não bastou meia hora sentado em frente ao Gasômetro para reparar os iPods na multidão. Pelo menos três, em rostos do mais variado estrangeiro, seja saíndo do bolso ou pregado à mochila, mas sempre ostentando a marca indefectível dos fones brancos. O pequeno player mp3 virou estilo de vida e não poderia deixar de aparecer em Porto Alegre - entre aqueles revolucionários de primeiro mundo, obviamente.

A onda mundial do iPod está claramente representada durante o evento que busca convergir todas as vozes anti-alguma coisa. Deve ser porque o mac sempre esteve inserido na não-conformidade, quase como uma conspiração da Segunda Vinda de Jobs clamando contra o império. Mesmo que este seja aquele sob domínio de um tal Bill.


2. Porque nós estamos aqui pela gritaria
Quem circulava no início da noite de hoje pelos setores de imprensa veria uma senhora brandando injúrias contra o SISTEMA. No mínimo uma revolucionária querendo aparecer um pouco mais, se aproveitando dos inúmeros crachás vermelhos que circulavam pelo gasômetro. Lá pelas tantas uma moçoila de não mais que vinte anos juntou-se aos gritos e arrematou mais um aglomerado de curiosos no saguão da usina.

Digo que levei uns bons minutos pra compreender o que se passava, ainda mais que o assunto começou a desviar para tsunamis e a sua relação com a ausência das águas da Fonte Ijuí nas bancas adjacentes ao Território, mas logo tudo foi esclarecido com os risos daqueles que passavam chinelando a velha. Eis que o motivo de tanta balbúrdia era o fato de só haver caixa eletrônico do Banco do Brasil nas imediações, e não de algum banco estrangeiro no qual ela e a família poderíam retirar seu dinheiro.

Quando será que começam as movimentações com a moeda do FSM? A especulação está ferrenha, e a previsão é que o mercado abra com uma leva alta em relação ao iene. Sempre apostando no overnight pra poder comprar algumas tiras a mais de mel com cachaça.


3. E o acampamento da juventude...
Não mudou absolutamente nada desde a sua primeira edição quatro anos atrás. Certo, fora o fato de que a única maneira de comprar uma cerveja decente é no mercado negro ou levando no contrabando. Com a proibição da venda de produtos produzidos por multinacionais, o único líquido disponível 'oficialmente' é o incrível Chopp Kilsen, e eventualmente uma cerveja Colônia. Para aqueles adeptos aos não-alcoolicos, Fruki e assemelhados. Coca-cola light só pulando a cerca, mesmo.