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Música Archives

outubro 30, 2006

Adeus

Pois é chegada a hora de fechar a internet.

Blog no ar. Meio capenga, mas com o nome no lugar, pra dizer a que veio. Agora só vai, se ajeitando aos poucos.

Eu deveria encerrar essa abertura por aqui, seria a coisa mais sensata a fazer.

Mas depois que abri o e-mail há pouco e vi uma mensagem do grande amigo Vicente Canabarro com o título "CHORA, MEU, CHORA...", sou obrigado a postar um link do novo comercial da Harley Davidson com a melhor música dos anos 00 na trilha.

Reza a lenda que essa é a primeira versão, que a Harley teve que tirar do ar porque não podia veicular a música ainda. Tanto faz, o resultado é de chorar de alegria:

Pra quem se empolgou e quer ver o outro filme, com "Paradise City" levando às lágrimas, procure nos links do YouTube ou acesse o site da empresa e se vire: http://www.harley-davidson.com

E chega por hoje.

Até mais, se a internet ainda existir.

outubro 31, 2006

O cloro e o chorus

O primeiro post do blog deveria versar sobre esse assunto aqui, mas problemas de sintonia impediram a concretização.

O que importa é que o quarto programa do podcast Solo de Óculos Escuros está no ar, mais fatal do que nunca. Revelações bombásticas e risos nervosos convivem perfeitamente durantes as gravações. É um feito, sem dúvida.

Convém atentar também para o texto de apresentação do episódio. Só verdades naquelas linhas.

Vai:

www.big-muff.org/solo/episodios.htm

novembro 1, 2006

I (Don't) Wanna Rock

www.unisinos.br/formacao_especifica/rock/

Estou chocado.

Não preciso ler mais do que os textos introdutórios pra querer me esconder.

E o pior é que ainda por cima acham que estão sendo pioneiros no Estado.

Pois aviso: nenhuma escola é melhor do que a Fabico. Aquilo sim é ROCK AND ROLL.

Desculpe informar.

novembro 4, 2006

Não voLLta

poison.jpg

"Guns N’ Roses is not a hair band. Guns N’ Roses was the last great American rock band."

Essa afirmação - mais do que verdadeira, obviamente - foi tirada dos comentários da lista semanal que rola no site da Rolling Stone. Nessa semana, o assunto é o famigerado Hair Metal. Segundo a revista, tem cheiro de revival do estilo no ar.

Espero que não, apesar de eu amar esse tipo de som. Pode parecer contraditório, já que casualmente estava pensando nisso ontem, ao constatar como é ruim não poder ouvir hard rock numa festa "normal", digamos assim. Só em noites posers no atual Mosh (e eterno Guanabara pros fãs de hard), onde o ambiente é insalubre e só tem adolescentes, basicamente.

Gostaria mesmo de ouvir com uma certa freqüência, mas sem tem que ser num clima cult, que sempre é uma coisa danosa. Queria poder escutar como se escuta U2 no Dado Bier, por exemplo. Simplesmente porque o som é legal.

Agora, se essa pretensa volta servir pra eu ver show do Def Leppard no Brasil, daí eu recebo de braços abertos, trajando colete de couro sem camisa. Só não quero ver gente abandonando o All Star e calçando bota tigrada. Mantenham suas convicções, por favor.

P.S.: foto tirada do livro American Hair Metal, recém lançado e cujo título é auto-explicativo.

novembro 7, 2006

Please don't rock me tonight

Bela discussão sobre o curso de rock da Unisinos no fórum do Cifra Club.

As coisas iam bem, com argumentos válidos de ambos os lados, até que veio o seguinte comentário:

Dogs2
Veterano # Enviado: 4/nov/06 18:24
Quote

esse curso é só uma evolução desses nerds que ficam se gravando numa webcam se mostrando mais rápido que o Schumacher na guitarra

agora eles vão ter seu lugar na faculdade

Depois de quase engasgar com essa colocação genial, segui lendo os comentários até encontrar um muito pertinente e que resume o que penso a respeito do assunto, mesmo sendo de alguém a favor do curso (coloco resumido aqui porque o orginal é muito extenso):

Bog
Membro Novato # Enviado: 7/nov/06 03:24
Quote

(...) A minha única crítica com relação ao curso é que é uma coisa meio restritiva por si só. Não sei se o mercado tem capacidade para absorver essas pessoas, ou mesmo valorizar esses diplomas. O que me incomoda é mais a idéia de que vai ter muito guri todo faceiro com a sua faculdade de rock, que depois vai sair e abrir uma loja de CD ou de guitarra, ou ainda fazer concurso público para fiscal da receita. Mas isso acontece com outros cursos, como jornalismo ou publicidade (meu irmão é publicitário), que têm muita concorrência para pouca oportunidade.

Pois é, Bog. Também acho que vai ter muito guri se matriculando só pra dizer que faz curso de rock. Quem sabe eu não convido um deles pra abrir uma loja de CD? Ele entra com o diploma na parede e a formação teórica e eu com a cara de pau e a formação empírica.

Parece promissor, não?

novembro 8, 2006

Histórias (sur)reais

1986.

Jacques Maciel chega aos Estados Unidos logo após o revéillon para uma temporada de estudos na Califórnia. No dia 18 de janeiro, vai ao The Roxy, em Hollywood, assistir ao show de uma novata banda local, chamada Guns N’ Roses. A apresentação é memorável, especialmente por causa de uma música: Don’t Cry. A ótima melodia impressiona Jacques de uma forma irreversível. Tudo que ele queria ali era montar uma banda e fazer canções poderosas como aquela.

Ainda levaria mais um ano para que ele voltasse ao Brasil e começasse a montar a banda que tanto sonhava. Quando retornou, o Guns já estava estourado aqui com o álbum "Appetite For Destruction". Ao contar para os amigos a experiência vivida no The Roxy, ouviu coisas como “Ah, duvido que essa tal de “Don’t Cry” seja melhor do que “Sweet Child O’ Mine, jura” ou “Don’t Cry? Pfff. “Think About You” é A música”. Mas Jacques reuniu os companheiros de rock e mostrou na guitarra a força daquela balada. O impacto foi imediato e serviu para motivá-los ainda mais a montar uma banda de hard rock. Nascia aí a Rosa Tattooada.

A banda foi se profissionalizando cada vez mais, fazendo shows e gravando suas músicas próprias em demos. Até que em 1990 veio o convite para lançar o primeiro disco pelo pequeno selo Nova Idéia. Dentre as faixas, trazia uma intitulada “Voltando pra casa”, com uma introdução marcante – e familiar:

Rosa Tattooada - Voltando pra casa (1990)

A semelhança com o início de “Don’t Cry” estava lá, com a diferença do ritmo ser bem mais rápido. O disco foi lançado e projetou a banda regionalmente e também nacionalmente, levando à gravação de um álbum pela Sony Music em 1992, com praticamente o mesmo repertório do primeiro trabalho. Incluindo “Voltando pra casa”. Porém, nesse meio tempo saiu o aclamado álbum duplo do Guns N’ Roses, “Use Your Illusion”. E um dos maiores sucessos do disco I era justamente uma faixa chamada “Don’t Cry”, aquela mesma ouvida por Jacques cinco anos atrás:

Guns N' Roses - Don't Cry (1991)

O lançamento desse clássico do Guns acabou atrapalhando os planos de regravar “Voltando pra casa” no novo trabalho. Jacques ainda tentou manter a música exatamente como era, mas o produtor do disco, Thedy Corrêa, condicionou a permanência da faixa a uma mudança na introdução, para não soar como um plágio da canção gunner. Contrariado, Jacques foi para o estúdio e tentou compôr outra introdução. Depois de inúmeras tentativas, resolveu simplesmente suprimir o começo original e iniciar a música a partir do riff hard. E assim ela foi lançada:

Rosa Tattooada - Voltando pra casa (1992)

O disco foi um sucesso, garantindo inclusive a abertura do show do Guns em 1992, em São Paulo. “Voltando pra casa” se tornou um sucesso, sendo uma das músicas mais pedidas pelos fãs em qualquer show da banda – na versão de 92, convém dizer. E até hoje, quando Jacques Maciel e Thedy Corrêa se encontram, lembram dessa “coincidência” das músicas e dão boas risadas rememorando aqueles tempos em que ainda havia bandas de rock de verdade para se copiar.

novembro 9, 2006

Um embalo com

Há quase seis anos, no dia 30 de dezembro de 2000, foi ao ar na Rádio Vale Feliz FM um programa de três horas de duração só com Renato e seus Blue Caps. O repertório foi o seguinte:

- Eu quero twist
- Estrelinha
- Lobo mau
- Darling
- Meu amigo do peito
- Meu primeiro amor
- Menina linda
- Fugitivo
- Tudo tem seu preço
- Já não precisas mais chorar
- Como há dez anos atrás
- Te adoro
- Feche os olhos
- Quando a cidade dorme
- Disse me disse
- Playboy
- Quis fazer você feliz
- O dia em que Jesus voltar
- Ana
- O brinquedo se quebrou
- Não me diga adeus
- O escândalo
- Perdi a esperança
- Louco por você
- A primeira lágrima
- Não quero ver você chorar
- Não vá embora sem me dizer
- Só por causa de você
- Essa noite não sonhei com você
- Vontade de viver
- Sou apenas um alguém
- 365 dias do ano
- Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

Ao final das trinta e três músicas, tive uma certeza: essa é a melhor banda do Brasil.

E é ela que vai tocar hoje à noite no Teatro do Sesi, junto com os Golden Boys, outra banda sensacional.

Enquanto a elite porto-alegrense e os mudernos de plantão tiveram sua noite de glória ontem com o show do BLACK EYED PIÇA, a minha será hoje, quase ao lado.

Se rolarem umas dez músicas daquele repertório ali, já sairei às lágrimas.

Se rolarem mais, sairei num caixão.

Adeus.

novembro 10, 2006

A saudade que ficou

Tenho sérios problemas com expectativas. Sou aquele tipo de pessoa que joga a expectativa lá pra cima em qualquer situação e quando as coisas não saem como eu imaginei, me frustro horrores.

Juro que sempre penso "na próxima vez, não vou criar grandes esperanças de que vai ser legal", mas acabo cometendo o mesmo erro, não adianta.

Mas quando acontece o oposto e sou surpreendido, é bom demais. MUITO BOM.

E foi o que aconteceu ontem no Teatro do Sesi, nos shows do Renato e seus Blue Caps e Golden Boys. Dizer que foram os melhores shows do ano e provavelmente os melhores que já vi na vida seria pouco. Mas então, o que falar? Talvez comentar o repertório, a beleza das músicas e dos arranjos. Mas ainda não seria o suficiente.

Acho que o melhor é dar um exemplo de um fato ocorrido durante o show do Renato e seus Blue Caps. Uma hora eles pararam o show e abriram pra perguntas do público, colocando um microfone na boca do palco. Eram pra ser apenas cinco perguntas, mas acabaram sendo feitas umas quinze.

Um senhor vai ao microfone e diz que veio de Canela só pra ver o show, pois a banda é a coisa mais importante na vida dele, marcou todos os momentos importantes. "Eu amo vocês", repetiu umas três vezes. E emendou: "Vocês moram no meu coração, na minha alma, no meu espírito", visivelmente emocionado. Meus olhos ficaram marejados e olhei pra cima, agracendo por estar ali.

E o fato de saber que consegui ver um show do Renato e seus Blue Caps exatamente 40 anos depois de o meu pai tê-los visto aqui em Porto Alegre só torna tudo ainda mais significativo.

Gostaria que os meus filhos um dia pudessem ter essa mesma experiência que eu tive. Infelizmente, sei que vai ser impossível, já que não há banda representativa o suficiente hoje pra que eles possam admirar daqui a quatro décadas, muito menos a banda há mais tempo em atividade no mundo (sim, isso é verdade).

Mas só de ter presenciado aquelas cenas íncríveis e depois ver o brilho nos olhos do meu pai ao contar como foi, sei que as minhas expectativas foram superadas de uma forma que nunca mais vou esquecer.

Acho que finalmente aprendi que criar expectativa às vezes não é tão ruim. Muito pelo contrário.

novembro 11, 2006

"Quadris não mentem, 2006 tá aí pra provar"

Essa e outras verdades estão no quinto episódio do podcast Solo de Óculos Escuros.

Como já foi mencionado pelo Menezes, aparece pela primeira vez o NAKED WARNING, criado pelos rapazes pra avisar quando uma música obriga o ouvinte a ficar nu pra apreciar melhor a canção.

Creio que todos entendem essa necessidade de se despir ao escutar certas músicas, não?

Ouçam lá e chorem. Pelados, de preferência.

novembro 14, 2006

Posso falar sobre qualquer coisa, desde que seja sobre música.

Foi só começar o blog pra eu me pilhar e resolver atualizar o FOTOLOG TEXTUAL também, um projeto muito querido.

Continuando com a minha prestação de serviços musicais de utilidade pública, começa hoje uma série de melhores coletâneas, com aquela profusão de estilos já conhecidas dos freqüentadores daquele espaço. Espero não abandoná-lo tão certo, porém agora ele vai dividir atenção com o blog. Trabalho dobrado, mas é só assim que funciono, mesmo. Quanto mais coisa eu tenho pra fazer, mais eu quero inventar coisas novas.

Em outras palavras: OVERDOSE MUSICAL À VISTA.

Acessa www.fotolog.com/roxbury e tenta não ficar vesgo. Já é um bom começo.

novembro 16, 2006

Y abrazarte con tal fuerza que te parta hasta los huesos

Quisera eu ter tempo pra escrever sobre todos os discos maravilhosos que ouvi na vida. Como isso é impossível, me contento escrevendo sobre alguns (poucos) deles lá no Roxbury e em breve por aqui também.

Mas tem horas em que o cara não consegue simplesmente ouvir um disco e fazer de conta que é só mais um. Ah, mas não MESMO. Apesar de que não vou falar sobre o disco em si, e sim sobre algumas músicas em particular. O álbum é o "Pies Descalzos", da Shakira, mas vou me deter apenas nas baladas.

Algúem conhece músicas mais belas do as que tem lá, cantadas em espanhol? Sério, pergunto porque nunca ouvi coisa igual. "Antología", "Quiero", "Te necesito" e "Pienso em ti" são baladas espetaculares. E pensar que ela tinha só DEZOITO ANOS quando gravou essas pérolas. Vai fazer música boa assim lá no quinto dos inferno!

Que disco. Que músicas. Ouçam as baladas. Leiam as letras. Apaixonem-se por elas.

Vale a pena.

novembro 18, 2006

I Hate Alternative Rock

Segundo disco da série de melhores coletâneas de todos os tempos lá no Roxbury. "No Alternative" tem músicas raras de bandas sensacionais, vale a pena ouvir. Quem não conhece pode pedir a minha fita cassete emprestada. Desde que devolva depois, claro.

VAI.

novembro 20, 2006

Onde isso vai parar?

Tá no ar o sexto episódio do podcast Solo de Óculos Escuros. Mais fatal do que nunca.

Tenho o hábito de anotar no bloco de notas as barbaridades que a rapaziada fala e dessa vez a produção foi impressionante. Tão impressionante que resolvi escrever aqui as pérolas:

"Hoje vocês vão ter que me convencer. Não estou disposto a aceitar todas as músicas."

"Mas é um cân-gân maior do que Morbid Angel, cara."

"Sassá Mutema é perfumaria."

“Começa com um baixo dentro dum poço e chega a guitarra de avião.”

"Bryan Adams deveria ser mais Bon Jovi e Bon Jovi deveria ser mais Bon Jovi roots."

"Isso lembra aquela vez que o Van Damme ficou de pau duro no palco do Domingo Legal."

"Meu vinil não mente."

"Samba rock é o ganha-pão da música popular brasileira."

"No cais ninguém se respeita."

"Faz só um fade to black pra nós."

"Definitivamente, reggae só pode ser feito por branco."

"Ninguém precisa se enforcar pra fazer sucesso."

Minha grande dúvida agora é: será possível superar o nível de demência no próximo programa? Vou aguardar ansioso.

novembro 23, 2006

DISCOS QUE TU NUNCA VAI OUVIR (porque te acha bom demais) - Parte 1

Off The Wall - Freestyle

Esqueçam Dick Dale e The Ventures. Surf music de verdade é Hoodoo Gurus, Spy Vs. Spy, Australian Crawl. E Off The Wall, claro. Maior banda gaúcha do estilo, eles estouraram com uma música chamada “Valentina”, cover do Jack Green. E até pouco tempo, era só o que eu conhecia deles. Até que tive acesso ao disco que contém essa faixa, intitulado Freestyle, e vi que tinha mais o que escutar.

O instrumental é muito bom, com guitarras pesadas e um baixão marcado em quase todas as músicas. Destaque pros nomes de algumas faixas, como “Pakalolo Hash Buds”, “Summer, Party, Chicks” e “Hawaiian Dream”, entre outras. O disco em geral me surpreendeu bastante, principalmente em “Black Trunk” (solo espetacular), “Pizza To Go” (começo puro metal e melhor nome) e “Thinking Tonight” (bela melodia).

A única música em português é a que dá nome ao disco, “Freestyle”. A letra é totalmente jingle de loja de surf: “Pegar onda no estilo, querendo sempre mais e mais/E dentro d’água eu lavo alma, penso até em novo amor/Agora sou free, freestyle”. Mas a melhor parte é essa (caps meus): “Fui direto pra Ferrugem, de moto e WALKMAN/Já vi a galera no canto, enrolando um/Já teve UM ROLA na areia, é jiu-jitsu/Passo PARAFA na prancha e vou surfar”. Que aula.

De negativo, só a péssima pronúncia de inglês do vocalista. A enrolação pega bonito. Fora isso, é tudo maravilha. Bem, talvez só fosse melhor se o grande sucesso deles fosse uma música própria, mas se bandas como o Frente! conseguiram estourar com um cover, por que a Off The Wall não poderia? O que importa é que “Valentina” é histórica. Quem já ouviu a rádio Atlântida indo pra praia pela Free Way não me deixa mentir.

Vale a pena escutar. Se bem que tu nunca vai ouvir, mesmo.

dezembro 1, 2006

Dominação mundial a caminho

VOID_peq.jpg

Dentro do meu projeto de tocar o horror em publicações impressas, contribuí com duas resenhas pra última edição da VOID, revista gaúcha de comportamento (não sei direito o que isso significa, mas vocês entenderam).

Como o pessoal de fora não vai ter acesso à revista e é impossível de ler nessa imagem, colo aqui os textos que escrevi. Garanto que em menos de três meses farei todas as matérias e estarei na capa da publicação, de bandana. Nu, claro.

Better - Guns N' Roses

Sou um cara simples. Não sou do tipo que planeja grandes coisas, tipo conquistar cargos de alto escalão ou viajar pelo mundo inteiro. Me contento com coisas mais singelas, sem problema algum. Por exemplo, se o Guns lançar o Chinese Democracy ainda em 2006, terá sido um ano inesquecível. Se o disco tiver só essa faixa, repetida doze vezes, ainda assim será o melhor álbum de todos os tempos. As guitarras são perfeitas, a melodia é poderosa e a letra é um primor, sem dever nada pros melhores trabalhos da banda. Volta, Axl. É só o que um cara simples como eu precisa pra ser feliz.

Podcast "Solo de Óculos Escuros"

A história começou com uma simples troca de e-mails com músicas anexadas e frases definitivas acompanhando, tipo "nenhuma banda boa tem mais que um disco". Até que veio a idéia de gravar programas com as músicas enviadas ao fundo (aleatoriamente tocadas graças à famigerada função "shuffle") os participantes comentando as canções fatais. A seleção é absurdamente eclética, assim como as declarações. Só ouvindo pra acreditar no que já foi dito por lá. Acessa e chora: www.big-muff.org/solo

dezembro 10, 2006

Que te faz sonhar, linda garota?

Meu texto sobre Os Brasas, a maior banda de Jovem Guarda do Rio Grande do Sul, acaba de ser publicado no Overmundo.

Para aqueles que não curtem muito um link, segue abaixo o texto que está publicado lá. Se alguém quiser votar e fazê-lo entrar na home, agradeço. (Está na home e bem em cima, pra minha alegria).

Os Brasas, 1968

Ao ler os textos do Rodrigo Almeida sobre o disco do Caetano Veloso e o do Rogério Duprat, ambos de 1968, lembrei de um outro disco lançado no mesmo ano, que não teve o alcance desses dois, mas que também tem uma grande importância na música feita no Brasil na época: o único disco da banda gaúcha Os Brasas.

Maior nome da Jovem Guarda no Rio Grande do Sul, Os Brasas é uma banda bastante peculiar. Formada no começo dos anos 60 com o nome The Jetsons, se mudou pra São Paulo em 1966, onde gravou no ano seguinte o seu primeiro registro, um compacto simples com as músicas Vivo a Sofrer e Lutamos para Viver, já com o nome definitivo. Durante esse período, participaram do programa “O Bom”, no Canal 9, com apresentação do Eduardo Araújo, além de terem sido convidados a integrar a Banda Jovem do Maestro Peruzzi, uma aposta no talento dos rapazes. A formação contava com o Luis Vagner na guitarra e vocal, o Anyres Rodrigues na guitarra, o Franco Scornavacca no baixo e o Eddy na bateria.

Em 1968, saiu o único disco dos Brasas, pela gravadora Musicolor/Continental, inédito em CD até hoje. Tanto que só foi circular pelas gerações mais novas através de uma cópia em CD-R com esse registro e mais alguns compactos, por iniciativa de uma loja musical conhecida pelas raridades em Porto Alegre. O disco original tem as seguintes faixas:

1. A distância (Oriental Sadness) (Anyres - L. Ransford)
2. Beija-me agora (Fernando Adour - Márcio Greyck)
3. Um dia falaremos de amor (Tom Gomes - Renato de Oliveira - Luiz Vagner)
4. Quando o amor bater na porta (When love comes knockin' (at your door)) (Tom Gomes - Sedaka - C. King)
5. Meu eterno amor (Tom Gomes - Luis Vagner)
6. Que te faz sonhar, linda garota (What makes you dream, pretty girl?) (Anyres - M. Garson - J. Wilson)
7. Pancho Lopez (G. Bruns - T. Blackburt)
8. Ao partir, encontrei meu amor (No fuimos) (Osvaldo - Hugo)
9. Benzinho, não aperte (Tom Gomes - Luis Vagner)
10. Theme without a name (Clark - Davidson)
11. Não vá me deixar (Tom Gomes - Luiz Vagner)
12. Sou triste por te amar (Tom Gomes - Luiz Vagner)

O álbum abre com A distância, um cover dos Hollies, fato bem comum na Jovem Guarda, como comprovam trabalhos do Renato e seus Blue Caps, por exemplo. Mas é na segunda faixa, Beija-me agora, que começam os méritos da banda. Trata-se de uma balada com clima psicodélico, numa melodia poderosa e vozes muito bem colocadas. Um dia falaremos de amor é a típica música falada, que o Roberto Carlos eternizou em clássicos como Não quero ver você triste, com sons de violino e pianinho comandando. Quando o amor bater na porta, cover dos Monkees, ficou superior à original na minha opinião, tamanha a qualidade dos músicos. Meu eterno amor se destaca pelos vocais trabalhados com perfeição, resultando numa bonita balada. Que te faz sonhar, linda garota traz a guitarra característica do Luis Vagner, bem marcante durante toda a faixa.

Pancho Lopez, conhecida na voz do Trini Lopez, ganhou uma versão totalmente debochada, com direito a gritos em espanhol, dignos dos mais autênticos mexicanos. Ao partir, encontrei meu amor é uma faixa curiosa. Versão de uma música da banda uruguaia Los Shakers, foi gravada também pelo Renato e seus Blue Caps, porém com outro nome (Te adoro) e outra letra! Vale ouvir as duas pra comparar. Essa aqui tem uma ótima harmônica no começo, ao contrário do órgão que inicia a versão do Renato. Benzinho, não aperte é a típica música bonitinha de Jovem Guarda, com letra adolescente e bem humorada. Theme without a name é totalmente instrumental, coisas que os Brasas sabiam fazer com maestria. Não vá me deixar é uma psicodelia das boas, com uma guitarra que marcou época e influenciou muita gente. O álbum fecha com Sou triste por te amar, mais uma bela composição da dupla Tom Gomes e Luis Vagner, que aparece com cinco faixas no total.

O sucesso que poderia acontecer não chegou a se concretizar, pois no ano seguinte a banda acabou. O caminho mais curioso - e interessante - sem dúvida foi o do Luis Vagner, que mergulhou no reggae e se tornou um dos músicos mais respeitados no estilo, além de ter ajudado a moldar o samba-rock, ritmo tão em voga hoje em dia. Isso sem falar nas composições dele que grandes artistas da música brasileira gravaram. Por exemplo, a incensada Sílvia, 20 horas, domingo, gravada pelo Ronnie Von num dos seus discos psicodélicos e regravada pela banda gaúcha Video Hits em 2001, é de autoria dele. Que tal?

E mesmo assim, é estranho pensar que na época tinha gente que torcia o nariz pra eles. Ou nas palavras do meu pai, alguém que presenciou o surgimento dessas bandas nos anos 60, “Os Brasas eram meio mal vistos por muita gente. Bandas como o Som 4 – que tocava basicamente covers de Beatles - faziam mais sucesso entre o pessoal”. Explica-se: além de terem se formado num bairro de classe média baixa, (coisa que fazia diferença numa época de festas e shows em clubes tradicionais, por mais que hoje soe elitista e até descabido), eram uma banda local, e como se costuma fazer em lugares de caráter provinciano, o que vem de fora é sempre melhor. Ouvindo o som deles fica difícil conceber isso, mas acontecia. E talvez aconteça até hoje, mesmo que em outra escala.

Tenho certeza que pessoas de outros estados têm exemplos parecidos pra dar. Certo?

dezembro 11, 2006

Histórias (sur)reais - Parte 2

Como todos sabem, a melhor fase dos Ramones é a do final dos anos 80 e começo dos 90. Tão superior ao resto que os clássicos absolutos da carreira deles são dessa época, como “I Believe In Miracles”, “Pet Sematary”, “Strength To Endure” e, acima de todos, “Poison Heart”.

Uma aula pop, essa faixa faz parte do grande álbum “Mondo Bizarro”, de 1992, que certamente influenciou muita gente. Porém, no caso dessa música em particular eles é que foram influenciados por outra banda. Novata, por sinal.

Quando o guitarrista Johnny Ramone ouviu por acaso a música “Hey Jealousy”, da banda Gin Blossoms, sentiu que ali estava um hit poderoso. A faixa ainda não havia sido lançada comercialmente, mas já circulava em fitas demo pelo meio musical. Johnny teve a oportunidade de trocar algumas idéias como o autor da canção, o guitarrista Doug Hopkins, quando elogiou a composição e combinou de tocarem juntos algum dia.

Em setembro de 92, foi lançado o disco “Mondo Bizarro”, contendo o hit “Poison Heart”, que rapidamente chegou às paradas. Também pudera, com uma ótima melodia e refrão fatal, era impossível não fazer sucesso:

Ramones – Poison Heart (1992)

Quase um ano depois, em agosto de 1993, saiu o primeiro trabalho do Gin Blossoms, com o belo título “New Miserable Experience” e puxado pela grande “Hey Jealousy”, com seu começo marcante:

Gin Blossoms – Hey, Jealousy (1993)

Ouvindo-a em comparação com “Poison Heart”, pode-se notar algumas semelhanças, principalmente nas guitarras, e os mais exaltados podem até acusar Doug Hopkins & Cia. de plágio. Mas o inverso é que é verdadeiro, é só lembrar do encontro citado no começo desse texto. Claro que é muito mais difícil uma banda de tradição como o Ramones ser taxada de copiadora de hits, mas é fato.

E como todos também sabem, a história não mente.

dezembro 13, 2006

Léo Batista não corta as unhas

Depois de um período de hiato devido a fortes emoções, eis que aparece o sétimo episódio do podcast Solo de Óculos Escuros, com baladas que me deixaram em prantos antes mesmo dos cinco minutos de programa.

As declarações estão cada vez mais bombásticas, especialmente a que começa a partir dos 07' 48''. Ouçam e tentem não convulsionar.

Aqui, como de praxe.

dezembro 14, 2006

Eu acuso

Corroborando a teoria do Bruno de que NIRVANA = MY CHEMICAL ROMANCE e confirmando a minha teoria de que o emo começou em 1992, trago a prova definitiva e irrefutável:

Reparem as cores e listras do blusão de Kurt Cobain: um símbolo do universo emo, é só passar na frente de lojinhas do ramo ou prestar atenção nas praças de alimentação dos shopping centers. Sempre vai ter uma gurizada de camiseta vermelha e preta listrada. Além disso, esse é o único clipe da banda - se não me falha a memória - em que o Kurt está de cabelo preto, cor preferida dos emos (aliás, deixo uma pergunta no ar: existe EMO LOIRO? Digo loiro de verdade e não aquelas gurias de cabelo quase branco, mezzo indie. Enfim, me respondam). Pra fechar o pacote, ele parece estar calçando um All Star, clichê máximo dessa turma.

Isso sem falar na letra, cujo refrão é "GRANDMA, TAKE ME HOME/WANNA BE ALONE". Uma aula emo. Aí está a prova do crime. Impossível negar a origem do mal, como vocês podem comprovar.

É CHORAR OU CHORAR.

dezembro 20, 2006

Me tira

Ontem teve amigo secreto na firma. Apesar de ser realizado na mesma hora em que o Inter deixava o Beira-Rio em chamas com os campeões do mundo, o que tornou difícil a concentração, a função foi interessante. Coloquei duas sugestões na lista de presentes: o DVD do Shrek 2 e o CD "Versões", do Yahoo. Pra minha glória suprema, fui contemplado com a segunda opção.

yahoo_versoes.jpg
Chora, magrão.

Que CD. Dizer que o repertório é fatal seria simplificar as coisas. Ele é altamente letal do primeiro ao último segundo. Em respeito aos leitores desse blog, coloco abaixo as faixas desse disco que já nasceu clássico:

1. Por amor (Is this love) - Whitesnake
2. Hey Jude (Hey Jude) - Beatles
3. Minha vida (In my life) - Beatles
4. Simples (Easy) - The Commodores
5. Eu espero por alguém assim (Waiting for a girl like you) - Foreigner
6. Eu estarei pensando em você (Right here waiting) - Richard Marx
7. Para onde você for (Wherever you will go) - The Calling
8. Pra sempre (Forever) - Kiss
9. Todo amor tem um fim (Every rose has its thorn) - Poison
10. Nunca duvide (Don't stop believing) - Journey
11. Mordida de amor (Love bites) - Def Leppard
12. Anjo (Angel) - Aerosmith

É praticamente a seleção dos meus sonhos: versões em português de músicas do Whitesnake, Kiss, Poison, Journey e Def Leppard. SENSACIONAL. É o tipo de disco em que se tem que comentar todas as faixas, mas daí o post ficaria muito longo. Então o lance é apontar alguns destaques, como a versão de "Hey Jude", que ficou conhecida na voz do mestre Kiko Zambianchi e aqui ganhou um arranjo muito bom. Ou a inclusão de The Calling no meio de bandas veteranas, com a escolha acertada de "Wherever you will go", uma canção espetacular.

A versão de "Forever" do Kiss eu prefiro nem comentar, porque me emociona às ganha. Só mesmo o Yahoo pra não ter medo de gravar em português essa que é a melhor música de todos os tempos, hors concours em qualquer votação. E ainda tiveram a decência de não simplesmente colocar as versões do Def Leppard e do Aerosmith que eles já tinham gravado no final dos anos 80 e sim mudar os arranjos e modernizar as músicas. Ficou um belo resultado.

Enfim, vou ouvir o CD no repeat até o dia do meu aniversário e à meia-noite vou me atirar no Guaíba desnudo, com o encarte na mão e cantando aos berros os geniais versos "Não posso prometer nem menos nem mais/O amor que eu tiver eu te dou", de "Pra sempre".

Se alguém conseguir me resgatar, vai descobrir um sorriso enorme e eterno, mesmo que o corpo não responda. E se houver vida, não vai ser preciso ouvir outro disco durante a existência. Tudo fica irrelevante perto dele.

Benditos sejam os amigos secretos, devo admitir.

dezembro 21, 2006

Roubei tua camisa de flanela

Pra não dizerem que eu só falo mal do grunge, tá lá no meu fotolog textual a resenha sobre o definitivo disco do Temple Of The Dog, com um atraso de quinze anos na audição. Aproveitei que fui obrigado a interromper a série de Melhores Coletâneas de Todos os Tempos por não achar a imagem do disco que ia resenhar (sim, o Google não encontra tudo, é fato) pra escrever sobre esse clássico e retomar a série Discos que eu deveria ter ouvido nos anos 90.

Chamem no xadrez e acessem lá!

dezembro 28, 2006

O Elefante

Saiu na edição da revista virtual Freakium a minha resenha sobre o disco solo do Marcelo Birck. Comandada pelo Leonardo Bomfim, a Freakium tem vários textos interessantes pra quem gosta de cultura pop sessentista e coisas do gênero.

O meu texto pode ser lido aqui.

janeiro 2, 2007

Goiabeira sagrada

E olha ele aqui de novo: tem clipe do gênio Marcelo Birck no YouTube. Com animações feitas pelo próprio e edição da querida Lia, o resultado ficou muito bom. As imagens e a música (uma das melhores do disco) combinaram bastante, vale a pena conferir:

Agora aguardo um clipe pra "O Elefante". Que tal, hein?

(Posso ter esperança?)

janeiro 3, 2007

Spank it to the 80 channel

E lá vamos nós. Na última edição da Void, esse que vos escreve contribuiu(?) com mais duas resenhas que despejam verdades sem dó. Enquanto o site da revista não entra no ar, colo aqui os textos malditos. Aguentem:

The Noses – There are only FAGS in this SHIT

O som lembra The Killers, mas é claramente superior. A letra destila uma raiva enjaulada, pura indignação. “What’s wrong with this world?/Am I suppose to like dudes too?” é apenas um dos questionamentos dessa primeira música de trabalho do The Noses. Não tenho maiores informações sobre a banda, a não ser que tem criado um burburinho nas pistas de dança das festinhas indies de Porto Alegre, segundo relatos que ouvi. Que eles vão estourar eu sei. Só resta saber se vai ser nessa semana ou na próxima.

The Knife – You take my breath away

Como já diria um amigo, “isso tá me cheirando a cult”. Mas recebi essa música de uma amiga pelo MSN e me interessei pelo nome, obviamente pela semelhança com o da clássica balada do Berlin na trilha do Top Gun. Coloquei pra tocar e bateu direto. Na hora me vieram à mente referências a “Harry Houdini”, do Kon Kan e “Fata Morgana”, do Dissidenten. O teclado de synth pop é escarrado – e justamente por isso, bom. Não conhecia nada da banda e nem pretendo conhecer mais pra não me decepcionar. Mas que a música é ótima, não tenho dúvidas.

No mamilo

O Firpo linkou dois clipes dos Smiths, num post chamado "Band-aid". Foi o que eu precisava pra lembrar de um clipe que estava há horas pra linkar, o vídeo definitivo sobre a combinação "Morrissey + band-aid no mamilo":

Reparem na descrição do vídeo, algo como "NÃO É PARA OS DE CORAÇÃO FRACO". Espetacular. Essa foi a influência pra que eu fosse no show do Morrissey em 2000, no Opinião, com um band-aid no mamilo, uma homenagem mais do que oportuna. Tá certo que a minha camisa era um pouco mais discreta do que a dele nesse clipe, mas foi um momento único.

E por falar em momento único, esse vídeo do Beavis & Butthead se arriando no clipe é sensacional. Impossível não rir:

Apesar de ser muito fã do Morrissey e curtir a afetação dele, sou obrigado a admitir: nesse aí tu vacilou, rapaz.

ÀS GANHA.

janeiro 16, 2007

Músicas que eu tinha esquecido que existiam e que alguém resgata só para arruinar a minha vida - Parte 1

Começa agora uma série que tem como objetivo fazer uma terapia grupal em torno do problema que é viver a tua vida tranqüilamente até que aquela música espetacular que estava escondida no lugar mais profundo da tua memória vem à tona por obra de algum "amigo" que quer te ver mal. Vamos à primeira:

Jaded - Aerosmith

Vivia eu sereno e alegre até o dia 10 de dezembro do ano passado. Nessa data, um suposto amigo aproveitou a ocasião dos festejos em que nos encontrávamos pra colocar essa música no três-em-um todofiadaputa que reproduzia as canções do pessoal. Ouvi a bateria na introdução e paralisei. A merda do chopp não descia mais e a picanha se retorcia no meu estômago. Por que, rapaz?

jaded.jpg
Bela capa, hein?

Escutar aquela melodia me transtornou de uma maneira irreversível. Acho que não ouvia a faixa desde o lançamento do disco Just Push Play, em 2001. E confesso que era bem mais feliz assim. Essa é mais uma daquelas baladas perfeitas do Aerosmith, que parece ser uma fábrica inesgotável de refrões grudentos e riffs sob medida.

Impossível saber quantas vezes já ouvi a música desde então. Às vezes ouço umas dez vezes seguidas, como se estivesse ouvindo apenas uma. É que ela é tão perfeita que não faz diferença quantas vezes tu ouve. Sempre parece que é a primeira, de tanta empolgação que dá.

Valeu por arruinar a minha vida, amigão.

janeiro 19, 2007

Músicas que eu tinha esquecido que existiam e que alguém resgata só para arruinar a minha vida - Parte 2

All Through the Night - Cyndi Lauper

Ouvir Time After Time, dessa mesma cantora aí, já é um problema na minha vida desde 2002, mais ou menos, quando resgatei essa balada monstruosa. Mas quando veio o dia 23 de novembro do ano passado e junto com ele a faixa All Through the Night, meu mundo ruiu.

Presente de um baita amigão, ela me deixou perplexo em poucos segundos. Aquele tecladinho maroto na introdução me transportou para um tempo em que abraçar um travesseiro e imaginar que era a menina amada não me parecia deprimente. Seguramente eu não ouvia essa música há uns quinze anos. E como é boa, chê.

all_through_the_night.jpg
Essa sabe das coisas!

A Cyndi Lauper é a segunda melhor artista feminina de todos os tempos, só perdendo pra Madonna, claro. É difícil rivalizar com as baladas da moça e essa em particular é muito foda. Refrão clássico e um SOLO DE ELEFANTE SENDO MOÍDO POR GILETTE SENSOR, segundo o amiguinho que mandou a canção do post anterior. E pra fechar com chave de ouro, um "UUUUU" no final que é de arrepiar. Terminei a audição e, na falta de um travesseiro, me abracei no teclado e fiquei acariciando as teclas. Os colegas estranharam, mas quando expliquei o motivo, todos foram solidários. Afinal, quem não seria numa hora dessas?

Valeu por arruinar a minha vida, amigão.

janeiro 23, 2007

Maestria sem limites

Leandro Blessmann, o especialista em canções jovemguardianas sensacionais, está no MySpace, destruindo corações com seus petardos.

Faz o seguinte: passa e ouve as musiquinhas. Se curtir, procura alguma coisa dos Atonais com urgência. Não achando, essa faixa já serve como introdução.

Depois disso, tua felicidade tá garantida.

Vai por mim.

janeiro 24, 2007

Músicas que eu tinha esquecido que existiam e que alguém resgata só para arruinar a minha vida - Parte 3

Far Behind - Candlebox

Às vezes não é só uma música que tu apaga da memória. Às vezes tu apaga a banda que toca aquela música. E assim eu tinha feito com Candlebox, até que uma certa amizade enviou um link do YouTube pelo MSN. Sei que não deveria ter aberto, mas sou uma pessoa bastante curiosa.

Fudeu. Era o clipe de Far Behind, uma canção difícil de descrever. Digamos que avassaladora é pouco. Com cinco segundos de guitarra na introdução eu já chorava por dentro. Maldito reverb fatal. Confesso que eu era realmente mais feliz quando tinha esquecido da existência dessa faixa. Mas não, sempre tem alguém pra jogar a verdade na tua cara.

Pra piorar, revivi a música através do clipe, o que só dificulta ainda mais as coisas. A piscina vazia nas imagens foi como um soco na alma, me fez lembrar de tempos cruéis. Tão cruéis quanto o solo furioso, que chega arrebentando tudo. Só digo uma coisa: se o mundo fosse justo, essa música teria muito mais reconhecimento do que teve na época. E eu seria uma pessoa bem mais alegre se tivesse continuado a ignorar que ela existe. E que é magistralmente boa. Paciência.

O lance é seguir com o plano de achar uma casa na Zona Sul que tenha uma gigantesca piscina vazia e lá morar. Dentro da piscina, que fique claro.

É só o que me resta.

Valeu por arruinar a minha vida, amigão.

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Adendo: Atendendo ao pedido da Ana, segue o link pro clipe de Far Behind:

http://www.youtube.com/watch?v=knPjKtETOLA

Bom choro.

fevereiro 1, 2007

Quando crescer eu quero ser que nem tu

Não sou músico, mas esse ano de 2007 está marcando o meu reencontro com o violão, pra levar adiante de vez o meu projeto de fazer um esquema voz e violão na noite portoalegrense. Sim, ainda tocarei no Trivial. E sim, vocês irão lá me presitigiar.

Mas supondo que eu já pudesse me considerar um músico e como tal tivesse intenção de compor canções que MATASSEM O GUARDA, de tão boas que seriam, eu provavelmente me espelharia nas músicas de uma certa banda. E ela atende pelo nome HAREM SCAREM.

Posso usar pra eles a mesma pergunta que costumo me fazer quando me refiro ao Roxette: "Será que eles não sabem fazer música ruim?". Sinceramente, não sei. Só sei que se depois de compor uma música o resultado final ficasse um décimo próximo ao trabalho desses canadenses fenomenais, já serei um poço de alegria. Acho que em qualquer dicionário que se preze o verbete refrão deveria obrigatoriamente fazer menção a eles. São especialistas no assunto.

E acreditem, não estou exagerando nem um pouco quando elogio a banda. Ouçam e depois conversem comigo.

fevereiro 6, 2007

Wake me up when march ends

Fevereiro é o mais mais curto do ano e com o Carnaval, fica menor ainda. Por isso minhas atenções já estão voltadas pra março, quando o bicho vai pegar em termos musicais. Teremos três shows mortais em Porto Alegre e estou quebrando a cabeça pra ver como arranjar dinheiro pra ir em todos. Vamos por ordem:

Bryan Adams - 03 de março

Mestre absoluto do universo. Fábrica de pérolas pop. Professor da disciplina de Canção Perfeita. Poderia ficar escrevendo rótulos pra ele ad infinitum, mas não farei. O que importa é que vai ser um show antológico, literalmente (desculpem, não me contive). Faço desde já um apelo aos amigos jornalistas, em especial aos da área cultural: ME PONHAM PRA DENTRO. No bom sentido, mas por favor, dêem uma força pra esse humilde fã da boa música.

Pet Shop Boys - 21 de março

A bichice em sua forma plena. Deve ser UM MUST cantar Always on my mind e Go West num show deles. Os caras têm muitos clássicos, impossível não ser memorável. E o fato de ser no Gigantinho torna a função ainda mais interessante. O preço até que não tá dos piores. Mas digo uma coisa: se eles não tocarem Se a vida é, juro que queimo uma nota de um real na frente do portão 8 do ginásio.

Pennywise - 27 de março

Ah, meus tempos de skatista calhorda... Pennywise era presença constante naqueles dias, inclusive pelo logotipo da banda pintado com corretivo líquido na minha mochila. Quase todas as músicas deles são iguais, mas (e talvez justamente por isso) são todas boas. Pauladas violentas, dois minutos de correria fudida. Esse show tem tudo pra ser intenso, daqueles que o cara fica sem ar. Se bem que depois dos comentários do Cavinato sobre o show do NOFX, convém manter distância dos jovens. Porém, se for como o do Offspring será LINDEZA PURA. Acho que os preços ainda não foram divulgados, mas como será o último do mês, só vendendo o corpo pra ir. É de se cogitar a hipótese, confesso.

Que seqüência, hein? Se alguém aí souber de outras maneiras rápidas de se conseguir dinheiro, diga nos comentários desse post.

Valeu.

fevereiro 7, 2007

Só poeta sem preconceito

O bom de ter um blog com pagode no nome é que isso gera pesquisas bem interessantes relacionadas a esse estilo musical tão massa. E seguindo o mesmo serviço de utilidade pública que o meu xará costuma fazer, aproveito pra auxiliar o internauta que chegou ao meu blog através da busca "frase de pagode".

Como grande entusiasta da PAGODÊRA que sou, separei algumas frases - ou versos inteiros, já que sou bondoso - para o(a) nosso(a) amigo(a) internético(a). Lá vai:

"Beija, molha minha boca/Ama, se faz de louca"
Olha pra mim - Banda Brasil

"Mas se é compromissada, é melhor não vacilar/Basta um sorriso um olhar, para o negão te catar"
Lá vem o negão - Cravo e Canela

"Foi sem querer, que derramei toda emoção/UNDERERÊ/E cerquei seu coração, UNDERERÊ"
Desejo de amar - Eliana de Lima

"Não pude nem me defender, levei um golpe da paixão/Lutei não consegui conter, a fúria meu coração"
Eu e ela - Grupo Raça

"Quase morrendo de cansaço, pálido e me sentindo mal/Me trouxe um uísque bem gelado, me fez um brinde sensual"
Cilada - Molejo

"Tira a calça jeans, bota o fio dental/Morena você é tão sensual"
Marrom Bombom - Os Morenos

"Mesmo doendo no peito te quero comigo/O seu jeito felino machuca e dá prazer"
Jeito Felino - Raça Negra

"Tô fazendo amor, com outra pessoa/Mas meu coração vai ser pra sempre teu"
Depois do prazer - Só Pra Contrariar

Espero ter ajudado.

fevereiro 9, 2007

Meu Pequeno Grande Amor da Semana

- O que tu acha de tocar um Papas?
- Bah, tamos aí!

A pergunta foi feita pelo professor. E a resposta foi dada por mim, na última segunda-feira. Fui pra casa, baixei as duas músicas praticadas na aula e vi a luz. Hoje, afirmo categoricamente: PAPAS DA LÍNGUA É O QUE HÁ. Quanta música boa, meu bom Deus. Cheguei no trabalho na terça e me pus a baixar outras faixas, e a alegria só aumentava. Eles realmente são uma fábrica de canções que, de tão redondas, parecem jingles. Músicas como Vou ligar, Pó de pimenta, Eu sei, Lua cheia/Fica doida e Vem pra cá são tão pegajosas e persuasivas que me fariam até vender a alma.

Não sei porque fiquei tanto tempo distante do Papas. Relutante, eu diria, já que eles são pop demais e parece feio gostar de uma banda que faz a mulherada dançar no Dado Bier. Pois eles são pop e são espetaculares. Demorou um pouco pra cair a ficha, mas agora não tem volta, virei fã. Desculpa aí. Não vejo a hora desse dia acabar logo pra pegar a viola e CHAMAR NO MOAH. E ainda por cima vão abrir os shows do Coldpay em São Paulo. Nem preciso dizer que se o mundo fosse justo, a ordem das apresentações deveria ser inversa.

Ah, pros fãs de Ramones que freqüentam esse blog, uma dica: ouçam a versão de Pet Sematary, do disco Um dia de sol, de 2002. Só não digo que é melhor do que a original porque essa é da melhor fase da banda. Se tivesse sido gravada nos anos 70 ou começo dos 80, a do Papas DARIA DE RELHO na dos Ramones.

Boa audição.

fevereiro 15, 2007

Violência gratuita

Técnica: Sobe trilha ("Me leva", do Latino). Os quatro personagens conversam animadamente.

PARTICIPANTE 1: - "Bah, isso era afudê. Do tempo que só eu dançava break."

PARTICIPANTE 2: - "Do tempo que tudo podia se resumir a um beat box."

PARTICIPANTE 1: - "Cara, isso é muito sensacional."

PARTICIPANTE 3: - "O cara só precisava da habilidade bucal."

PARTICIPANTE 1: - "Acho que é a última grande contribuição negra pra música."

PARTICIPANTE 2: - "O Latino?"

PARTICIPANTE 3: - "O beat box."

PARTICIPANTE 1: - "Sem dúvida."

PARTICIPANTE 3: - "Fazer a Kelly Key."

PARTICIPANTE 2: - "Latino é o Papa negro."

PARTICIPANTE 1: - "O Latino vai entrar na UERJ pelas cotas."

PARTICIPANTE 3: - "Tá ligado que o cara pode ser processado em uns dez tipos de artigos, pode ser enquadrardo por esse comentário."

PARTICIPANTE 2: - "Latino vai dar aula de Ciência Política."

PARTICIPANTE 3: - "A importância da calça larga na formação do ser humano."

PARTICIPANTE 1: - "Aula inagurual com dança do Latino."

PARTICIPANTE 2: - "Aula Magna com o Latino."

PARTICIPANTE 1: - "Latino na Dança do Gelo."

PARTICIPANTE 2: - "Comentários de Emir Sader."

PARTICIPANTE 4: - "O Living Colour só acabou por causa das cotas no Rio."

Entra catarse coletiva.

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Depois de um período de hibernação, eis que Solo de Óculos Escuros, o podcast mais NERVOSO da internet, volta com um episódio devastador. Prevejo processos mil. Cuidem-se, GURIZES.

Vai lá e baixa o oitavo programa. O pessoal da Tribo de Jah ouviu e aprovou.

Butch Helemano também.

fevereiro 22, 2007

DISCOS QUE TU NUNCA VAI OUVIR (porque te acha bom demais) - Parte 2

Zezé di Camargo e Luciano (1992) - Zezé di Camargo e Luciano

O fabuloso disco de estréia da melhor dupla sertaneja pop de todos os tempos já foi analisado no meu fotolog textual. Mas essa violência sonora aqui também merece uma análise, ainda que breve. Pra começo de conversa, essa história de crise do segundo disco é PAPO DE INDIE. Zezé e Luciano fizeram um segundo disco tão bom quanto o primeiro, sem frescuras de crise de identidade e o escambau.

Duvida? Bota o disco pra tocar e aguenta a introdução de Coração está em pedaços. Puro metal. Isso é que saber começar um álbum. Nem dá tempo de se recuperar do massacre e já entra Muda de vida, uma aula sobre como intimar alguém em um relacionamento: "Não sei aonde eu ando com a cabeça/O que é que eu vou fazer pra que eu te esqueça?/Por mais que você faça não tem jeito, eu me sinto um idiota". Sensacional.

Assim como no primeiro disco, aqui também tem uma faixa sobre caminhoneiros. Voando sem asas te faz sentir na boléia, sem exagero: "E assim vou levando a vida adiante/Uma paixão é o volante/Meu amor, outra paixão/Viajando lá vou eu nas madrugadas/Como uma fera na estrada/E um anjo no coração". Não há pára-choque que resista!

zeze_1992.jpg
Belo blazer, Zezé!

Leva minha timidez já valeria pelo título, mas a letra também é um primor: "Leva minha timidez para o seu quarto/Deixe a luz semi-apagada quando entrar/Abra os braços, me receba num abraço/Tenho todo amor do mundo pra te dar". Na seqüência, a politizada Garoto de rua: "Eu sou muito pequeno perante você/Eu sou apenas pedaços de alguém tão comum/Eu sou a ignorância da cabeça sua/Simplesmente sou mais um garoto de rua".

Pra não me alongar (já que música boa é o que não falta), vamos pular pro final do disco, com Cama de capim. A letra fala por si: "Deitei junto com ela/Numa cama de capim/O céu foi testemunha/Que ela se entregou pra mim/A lua nos olhava/Chegou mesmo a nos tocar/Sentindo o cheiro dela/Só um Deus pra não pecar".

Depois desse encerramento arrasador, não sobra muito pra dizer. Talvez apenas que Zezé di Camargo e Luciano são espetaculares, verdadeiros HIT MAKERS DO CARALHO. Ainda vou ter toda a discografia deles. E comentarei todos os álbuns nesse blog. Mas enquanto não tenho, me contento com essa pérola aqui.

Vale a pena escutar. Se bem que tu nunca vai ouvir, mesmo.