Mochilando e acampando pela Grécia. Foi assim que eu passei a semana. De algum por-de-sol eu já tenho saudades, enquanto tento, um pouco relutante, voltar a minha rotina italiana.
Um vôo low cost Milão-Atenas, depois chegar e ver os barcos normais e highspeed que te levam até as ilhas cyclades. [Paros] foi a primeira, com areia branca e mar azulão. Depois [Santorini], vulcânica, com praias de areia escura e pedras pretas, mas com paisagens de tirar o folego. A última, [Milos], parecia uma terra ingrata de tão seca, não merecendo o mar que tem, com praias de rochas brancas e pouca estrutura turística.
Amei a experiência toda e acho que não teria sido de grande sucesso se eu tivesse passado toda a semana em só uma delas. Não fui a Creta, nem a Olympia, nem passei mais de meio dia em Atenas. Fazia tipo 43 C à sombra.
Volto a Milão e já chove. Tenho certeza que as minhas marcas de sol não durarão muito, comprovando a fama de "farsa de brasileira" que eu tenho por aqui. Mas tudo bem.
As coisas que eu sempre trago de volta de uma viagem normalmente cabem dentro do guia Lonely Planet ou no cartão de memória da camera fotográfica. Desta vez eu trouxe também muito pó de camping na roupa e inesquecíveis por-de-sol na cabeça... para me lembrar que de vez em quando é bom parar e observar um pouco do que tem no mundo a nossa volta.
Depois de mais de ano, redescubro a criatividade italiana em fazer saquinhos de açucar. Na verdade, vem da tradição deles de nunca tomar um café desacompanhado. Daí, un caffè con... guess who... Hollywood.
Ele se chamava Michele. Tinha se adormentado durante o vôo e me olhava com olhinhos sonolentos de cima da escada do avião. Eu estava tendo um dia infernal no trabalho e mesmo às nove e meia da noite a pista do aeroporto ainda fervia do calor que tinha feito durante o dia. Meu telefone não parava de tocar e eu ainda tinha que acompanhar essa criança até os pais que lhe esperavam lá fora. Subi as escadas em direção a Michele. O assistente de vôo me avisa que ele tinha uma mochilinha e some buscar. Michele me dá a mão, na outra segura um trenzinho azul, depois apoia a cabecinha em mim, que sono. Enquanto toda a gente desembarcava, e eu esperava a mochilinha de Michele, não ouvi meu telefone tocar, não pensei em todas as respostas que eu ainda teria que dar. Deixamos o stress do comandante e dos outros passageiros evaporar enquanto Michele se acoradava devagarinho. Quando voltei ao meu desk a tregua do telefone terminou, mas já o podia suportar com outro ar. Fiquei de novo na dúvida sobre a existência de anjos e momentos still...
Meu curso de especialização terminou ontem a noite. O projeto final teve de ser feito em um mês. Um mês super intenso e recompensador, mas que me deixou exausta. Pelos próximos dias, quero só escutar música.
Eu só queria estar lá ontem a noite. Só queria aproveitar a música e a sua presença exquisita no palco. Não quis levar nenhum equipamento fotográfico além de uma digital de bolso. As poucas fotos ficam para meu arquivo pessoal, assim como os curtos videos que insistem em ficar procurando foco no jogo de luzes. Na parte central da sala um atrolho meio insuportável, compensado pelo mezanino que oferecia um bar e ar respirável, e apesar da distância, a vista da banda por inteiro. Ela em grandissima forma e um público super relaxado, o que me deu até mais vontade de sair em Milão. Encontro do tipo esse mundo é mesmo um ovo com a super [Babi] de Porto Alegre e sua trupe internacionalissima de amigos, provando sempre que fashion people know how to party.
Um pedacinho de tudo o que foi ontem a noite no Magazzini Generali em Milão - I feel it all by Feist.