extra.
Aqui tem um vídeo no qual falo sobre o Pó de Parede e uma palavrinha sobre a família e mais duas palavrinhas sobre a infância. Pena que não tinha rolado ainda o cabelo-como-arte-a-cem-reais (quero dizer: pena que eu ainda não tinha cortado o cabelo). Pena também que se viram na obrigação formal do Carolina. Carolina Bensimon? Não conheço, e o Google conhece bem pouco. Enfim. O vídeo em questão é um extra de uma entrevista bem bonitinha que dei à Fernanda Zaffari, para um programa que deve estreiar na TVCOM no final do mês. Sim, eu aviso.

postado por Carol Bensimon as 20:04 | pitacos (7) | trackBack (0)

são chico.
Digamos que, na perspectiva de viajar pela própria viagem, viajar para um buraco qualquer PORQUE um buraco qualquer, São Francisco de Paula caiu muito bem no início da semana (assim como cai bem o luxo de viajar em dias úteis). Não há Disney-Gramado-Canela em São Chico, porque não há alemães inventando festas disso e daquilo, há uma pobre e resignada colonização portuguesa de pecuaristas falidos, gente contando centavos na padaria - que tem apresuntada, mas não presunto - e os vilões-da-terra eucalipto e batata como principais meios de sobrevivência. Também meninos laçando bois de madeira na rua, dificuldade extrema de achar um restaurante, um hotel enorme com dois quartos ocupados de frente para um lago meio-miragem e finalmente Miragem, a livraria de 2 milhões da milionária excêntrica, que já vira atração turística.
Achar um hotel, aliás, foi surrealismo à parte. Noite fechada, frio de tremer paulista (que comprou uma touca emergiencial) e fomos parar numas cabaninhas administradas por uma índia tomando mate e sua filha (?) loira e quieta. Fizeram-nos passar pelo meio da cozinha suja, dos flamingos de plástico e de repente aquela cabana ali que combinaria muito bem com uma machadinha espetada no crânio. Não, obrigada, vamos dar mais uma olhada por aí. Então quem sabe pagar um pouco a mais e ir direto ao Cavalinho Branco (cassino falido). Ok. Posters de Jesus com UFOs nos corredores, e também um da Transbrasil. Estufinha muquirana, cabeceira da cama com cara de escaravelho. Sol no dia seguinte compensou. Ripongagem no Lago São Bernardo enquanto o paulista trabalha (em breve nas bancas). E daí que, para fechar a jornada, meu carro estraga COMPLETAMENTE. Algo acontece no freio de mão, até que as rodas da trás não giram mais (algo bastante assustador) e o carro não sai do lugar. Acionei o seguro. Descemos a serra de guincho. Delícia de viagem.

postado por Carol Bensimon as 19:32 | pitacos (0) | trackBack (0)

estréia.
Finalmente, depois de anos com bom-senso o suficiente para evitar a palavra "escritora", já que um livro propriamente dito e propriamente MEU não existia, depois
de anos vivendo aquele momento transitório no qual se é UMA PROMESSA DA NOVA LITERATURA, meu livro de estréia tem lançamento previsto para meados de junho. E, para evitar a confusão que já sei que está criada, reforço que não é o livro pelo qual ganhei o prêmio da Funarte: esse do prêmio, Sinuca Embaixo d'Água, será o segundo (com publicação prevista para 2009).
O de estréia chama-se Pó de Parede. São três histórias que, embora não tenham uma ligação tão explícita, digamos que se aproximam num nível, hm, subjetivo. E por que eu demorei tanto, você me pergunta. Digamos que fiz como pude para segurar minha ansiedade em publicar, que acomete todo o jovem escritor. Digamos que eu sabia que juntar uma apanhado de contos seria um erro pelo qual eu me arrependeria imediatamente.
Então eu estava esperando chegar a isso, ao Pó de Parede. Me deu um ano de trabalho e, enfim, gostei. Além do mais, vai ter uma capa linda (foto da Ieve Holthausen, guarde esse nome), e sai pela Não Editora. Quer dizer que estou acompanhada de guris muito simpático e talentosos, e que permitem que eu me envolva em todos os detalhes do processo.
Mais informações nas próximas semanas.

postado por Carol Bensimon as 14:58 | pitacos (17) | trackBack (0)

perigo.
Depois de ver dois professores encantados com La Littérature en Péril (A Literatura em Perigo), de Tzvetan Todorov, resolvi finalmente encará-lo (e dizer "encarar" não é lá muito justo, uma vez que o livro é fininho fininho). Todorov é um dos grandes caras da teoria da literatura. Nesse livro, porém, de 2007, não há nada de acadêmico. Alguns dizem inclusive que é uma espécie de mea culpa de fim de vida. Explico: Todorov foi um dos teóricos que transformou o estudo da literatura. Antes baseado em biografia de autor e achismos sobre o sentido do texto, passou-se a encarar o texto em si como objeto de estudo a fim de analisar os seus mecanismos.
Mas Todorov nos relata que, na França, isso teve efeitos devastadores no ensino da literatura em colégios, pois os professores fazem com que crianças e adolescentes analisem as obras dentro dessa perspectiva. Ou seja, ao invés de pensar no que o inseto gigante de A Metamorfose está nos dizendo, nos valores transmitidos pela obra, no, tenho medo de usar essa palavra e uso com ressalva, mas vá lá, no sentido da obra, pergunta-se aos alunos que tipo de narrador o texto utiliza, pede-se definições e demonstrações de termos técnicos, como analepses e prolepses, e assim por diante. Tem cabimento? Nenhum.
Como resultado disso, ainda segundo Todorov, cada vez mais as pessoas se afastam da literatura (ok, além dos n outros motivos que nós podemos declamar em coro). E, ao analisar o que está implicado nessa crise da literatura, o autor chega a conclusão que, de modo geral, o escritor contemporâneo francês de insere em três categorias pra lá de duvidosas.
A primeira: o escritor niilista. A vida não tem sentido, então vou curtir (me parece que esse existe há anos, mas tudo bem. Digamos que o niilismo atual explicaria porque os beats e bukowski e a meia-boquice do John Fante estão na moda). O segundo: o escritor auto-centrado. Eu tenho a tendência a achar que essas duas primeiras categorias são, no fundo, a mesma coisa. Vide Houellebecq. Mas sigamos. O terceiro: o autor para agradar acadêmico. Nessa entraria quase toda a meta-literatura, que não interessa a ninguém, além de acadêmicos e escritores.
O que é um bom gancho para o meu fechamento: se La Littérature en Péril tem um mérito, esse mérito é nos lembrar que, no fim das contas, literatura trata de questões humanas. Portanto pouco vale um guri de colégio saber destrinchar um texto. Deixe o trabalho sujo para os acadêmicos, e mostre ao guri o que o texto está dizendo sobre o mundo. E, em se tratando de escrever, mesma coisa. Sempre bom lembrar que a técnica está (ou deveria estar) sempre subordinada às sensações que quero passar com esse texto, às questões que quero levantar. E esquecer disso é condenar a literatura a meia dúzia de pessoas mostrando umas pras outras os seus contorcionismos formais e estruturais, incapazes de provocar alguma emoção, que não seja aquela piscadinha de olho: ahá, belo truque, hein?

postado por Carol Bensimon as 10:20 | pitacos (6) | trackBack (0)

alabama song.
Então eu estava lendo esse livro incrível chamado Alabama Song, do Gilles Leroy. Depois de muitas meia-boquices francesas, enfim uma bela obra contemporânea do país. A narradora é Zelda Fitzgerald, esposa de Scott Fitzgerald - e dizer "esposa do" já é cometer o crime que vai matando Zelda lentamente. Tenho dificuldade de falar daquilo que me empolga MUITO, portanto, sem mais, digo apenas que deu vontade de começar a ler de novo assim que terminei, o que é raríssimo, e muito disso pelo jeito como soa a escrita de Gilles Leroy (além, é claro, da chocante trajetória da personagem). O livro ganhou o Goncourt do ano passado (para quem não sabe, é o prêmio literário mais importante da França) e ainda não foi lançado no Brasil.

(Gilles Leroy leu muito Faulkner na vida. Só podia dar certo)

postado por Carol Bensimon as 11:36 | pitacos (5) | trackBack (0)

idéias tacanhas.
Enquanto penso se escrevo algo mais elaborado a respeito da demolição do Timbuka, cito David Coimbra na crônica de hoje. O negrito é meu:

"Nunca fui a esse bar, não conheço seu proprietário, nem sei quem o freqüenta, mas é evidente que se trata de um consagrado local de convívio da cidade. O bar existe há 40 anos, período durante o qual teve o mesmo dono, e angariou habitués arraigados a ponto de embargar a voz ao falar de sua demolição e de promover movimentos em nome da sua manutenção. Não há muitos ambientes com essas credenciais em Porto Alegre. Tais lugares, eles se formam espontaneamente, à margem do poder público, como em qualquer cidade viva. Eis o busílis: o poder público não precisa fomentar locais de convívio, precisa apenas dar condições aos que já foram escolhidos pela população."

Sim. É essa, pelo menos, a minha concepção de cidade.
O mais sem sentido dessa história toda é esse projeto da prefeitura de fazer no local o tal do "espaço de convivência", com píer, bar, CONCHA ACÚSTICA e etc. Quer dizer que os mesmos problemas dos quais reclama a vizinhança (barulho & drogas) continuarão, mas num ambiente limpinho e sem cara e sem história. Tudo bem, porque duvido de qualquer forma que isso saia do papel (veja o caso do Cais do Porto, com projetos de revitalização, citando o Diego, DESDE O DESCOBRIMENTO).
Obviamente tudo só vem a compactuar para a completa falta de relação da cidade com o Guaíba. Vergonha total.

postado por Carol Bensimon as 10:57 | pitacos (4) | trackBack (0)

o que já me ensinaram as pesquisas de campo.
* Ficar embaixo de um carro suspenso por um macaco hidráulico gigante é bem desesperador. Mas depois acostuma. Se o chefe da oficina está agindo com tanta naturalidade, por que não eu?

* Há muita serragem numa madeireira. Tanta serragem que ela é sugada e armazenada no teto. Tanta serragem que entra por todos, ou quase todos, os orifícios do corpo.

* Eu jogo hockey bem melhor que o meu personagem.

postado por Carol Bensimon as 23:17 | pitacos (0) | trackBack (0)

coisas que não faço.
Vai um hockeyzinho aí?


hoc_blog1.jpg



Bem. Falando sério. Hockey na minha vida é por demais romântico e belo. Ignoro completamente a realidade dos olhos arrancados da órbita com a lâmina do patins e tudo o mais para imaginar um civilizado jogo de computador de 97 ou 98. Mais do que isso: para me imaginar jogando no sol do parque e deslizando lindamente. Já joguei hockey. Três, quatro vezes? É realmente difícil achar parceria. Tenho um taco. Ele é de madeira, portanto pesado, mas dá pro gasto. Comprei na traxart, no tempo que eu procurava um boné do Detroit Pistons (todo o mundo dos esportes chegava a mim só pelo videogame). Bem. Eu tento até hoje achar meus/minhas parceiros(as) do hockey, seguindo aquele critério universal do esporte (obrigada, Diego): não alguém que realmente JOGUE, porque não queremos passar vexame nem ter fraturas expostas. Se você é essa pessoa e está lendo isso, bah, toca pro Germânia.

postado por Carol Bensimon as 12:41 | pitacos (11) | trackBack (0)

mnemônico.
Enquanto não atualizo o blog (amanhã, amanhã e já com lacinho no dedo), aviso que escrevi um novo post no www.carolbensimon.com e que logo mais (?) estarei batendo o martelo na Copa de Literatura.

postado por Carol Bensimon as 12:25 | pitacos (0) | trackBack (0)

obrigada.
As respostas alternativas para "obrigada" são assustadoras. Quando alguém diz "não por isso" a vontade que tenho de gritar "Pelo que então?" é quase irresistível. Mas de longe a opção "disponha" recebe o prêmio da mais engraçada. Tenho que me controlar muito para não fazer como as criancinhas, ou ao menos como as criancinhas de antigamente, que respondiam de maneira não-polida: ponha.

postado por Carol Bensimon as 17:15 | pitacos (10) | trackBack (0)

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